A TVI precipitara-se, há umas semanas, com uma notícia irresponsável. Disse que o BANIF ia fechar. Essa "bomba" desencadeou uma peregrinação dos clientes ao banco, criando um deficit nos depósitos. Era o princípio do fim para o BANIF.
Apesar do "mea-culpa" por parte da direcção da TVI, a notícia já tinha gerado uma onda de choque e só antecipara o que se passaria dias depois. O banco deixava a nu problemas financeiros e de solvência graves, mas não eram só estes problemas que estariam a nu...
No passado domingo, dia 20, António Costa comunicou ao País a venda do BANIF ao Santander e consequências para os contribuintes na ordem dos três mil milhões de euros. À decisão tomada pelo actual primeiro-ministro ponho em causa duas situações:
- O "timing" tinha mesmo de ser este?
- Não poderia António Costa, com um pouco mais de tempo, colocar todos os cenários possíveis em cima da mesa e assim decidir - melhor - com outras opções?
A decisão de António Costa trazia acoplada outras nada famosas para Pedro Passos Coelho e para Maria Luís Albuquerque, à hora primeiro-ministro e ministra das finanças, respectivamente.
Passaram-se oito planos de reestruturação, todos chumbados, e fica a ideia de que Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, com a conivência de Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, (a esse já lá vamos...) foram "empurrando com a barriga" o problema que assolava o BANIF protelando a sua resolução para mais tarde. Tudo isto por puro interesse político.
A não-resolução do caso BANIF traz consequências nefastas para a economia portuguesa e deverá trazer consequências para quem tomou a decisão de nada fazer quanto ao banco e para quem autorizou esta postura.
Pedro Passos Coelho já disse que António Costa e o PS sabiam do problema do banco. Muito bem! Até podiam saber, mas a questão que se coloca é: Se se sabia da existência de um problema por que razão o mesmo não foi resolvido atempadamente?
O agora deputado do PSD e Maria Luís Albuquerque marcarão presença na Comissão de Inquérito ao BANIF e daí poderão saltar muitas (ou algumas) conclusões.
O Governador do Banco de Portugal tem responsabilidades no que se passou. Aquando da injecção de capital no BANIF por parte do Estado, Carlos Costa prometera um rendimento de 10 por cento no investimento e nenhuma consequência para os contribuintes. Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque foram, no mínimo, ingénuos, mas Carlos Costa não pode, nunca, mentir com tanto descaramento como já o fizera em relação ao BES.
Parece-me claro, então, que Carlos Costa tem poucas condições para continuar a ser Governador do Banco de Portugal e, conforme o que se descobrir doravante sobre o papel do antigo Governo neste caso, podem Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não ter condições morais para exercerem qualquer cargo político.
Tuesday, December 22, 2015
Friday, November 20, 2015
Passos naturais por uma sociedade mais civilizada
Hoje, dia 20 de Novembro, foi aprovada na Assembleia da República, a adopção por casais do mesmo sexo. Este é o passo natural depois da permissão dada ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, a 8 de Janeiro de 2010, na mesma AR.
Aquando da aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, tive uma discussão com uns amigos no Bairro Alto, em Lisboa, em que, para eles, a adopção seria o próximo passo.
Entre um copo e outro, não precipitando os temas, considerei que, para que isso fosse uma realidade, tal como no assunto "casamento", também aqui era necessário que a sociedade tivesse tempo para se preparar para essa realidade. Mais do que isso, na minha opinião, era necessário preparar as crianças - bastantes "cruéis" em algumas idades - para aceitarem esse cenário de forma natural.
A minha posição, mais ponderada do que a dos meus amigos - na minha óptica, mais lírica - acendeu uma discussão (saudável, diga-se) em torno do assunto. Não chegámos a nenhuma conclusão naquela noite, mas todos deixámos a porta aberta para esse passo. O "timing" era o ponto em desacordo.
Pois bem! Cerca de seis anos depois, com a ideia mais e melhor cimentada, com várias discussões e dissertações sobre o assunto, com a problemática de haver várias crianças ao abandono ou à espera de serem adoptados, a adopção por pessoas do mesmo sexo é hoje um passo natural rumo a uma sociedade (e um país) mais civilizada.
Sem presunção, julgo que a AR percebeu o "timing" certo para discutir e aprovar esta temática que, tal como previra, precisava de uns anos até ser realidade.
Já o é!... Pelo bem das crianças.
Aquando da aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, tive uma discussão com uns amigos no Bairro Alto, em Lisboa, em que, para eles, a adopção seria o próximo passo.
Entre um copo e outro, não precipitando os temas, considerei que, para que isso fosse uma realidade, tal como no assunto "casamento", também aqui era necessário que a sociedade tivesse tempo para se preparar para essa realidade. Mais do que isso, na minha opinião, era necessário preparar as crianças - bastantes "cruéis" em algumas idades - para aceitarem esse cenário de forma natural.
A minha posição, mais ponderada do que a dos meus amigos - na minha óptica, mais lírica - acendeu uma discussão (saudável, diga-se) em torno do assunto. Não chegámos a nenhuma conclusão naquela noite, mas todos deixámos a porta aberta para esse passo. O "timing" era o ponto em desacordo.
Pois bem! Cerca de seis anos depois, com a ideia mais e melhor cimentada, com várias discussões e dissertações sobre o assunto, com a problemática de haver várias crianças ao abandono ou à espera de serem adoptados, a adopção por pessoas do mesmo sexo é hoje um passo natural rumo a uma sociedade (e um país) mais civilizada.
Sem presunção, julgo que a AR percebeu o "timing" certo para discutir e aprovar esta temática que, tal como previra, precisava de uns anos até ser realidade.
Já o é!... Pelo bem das crianças.
Wednesday, November 11, 2015
O futuro do acordo de governação à esquerda
Tive o cuidado de ler o pré-acordo feito pelo PS com o PCP/Os Verdes e com o BE e, à primeira vista, tudo me pareceu maravilhoso.
O ordenado mínimo vai aumentar - é um indicador e importante seria crescer o ordenado médio -, as pensões também (mesmo que seja só 1,28€ por mês), o incremento nos ordenados da função pública vai ser descongelado e vão passar a trabalhar 35 horas, os feriados vão ser repostos, vai haver alterações (para baixo) na TSU e nos escalões do IRS, vai ser retirada a sobretaxa de IRS...
Estas são algumas das medidas, o que, grosso modo, aposta no consumo privado para dinamizar a economia portuguesa. Não seria mal pensado se grande parte dos bens consumidos pelos portugueses não fosse fruto de importação. Assim, a balança comercial vai desequilibrar - coisa que tivera o caminho contrário nos últimos anos -, logo a dívida do país pode disparar.
Segundo o mesmo memorando de entendimento, a compensação ao aumento da despesa será feita através da captação de investimento directo estrangeiro ou através do aumento produtivo das empresas nacionais. Sempre achei a primeira parte da medida, uma boa medida (mais vezes praticada pela direita do que pela esquerda), mas isto implica riscos. Como se sabe, captar investimento estrangeiro só interfere na economia se estivermos a falar de grandes multinacionais e, como sabemos, para entrarem em Portugal (ou em qualquer outro país) exigem uma série de contrapartidas e garantias que não sei se, principalmente o PCP, estará disposto a ceder. Na segunda parte da medida - aumento produtivo das empresas portuguesas - isto só acontecerá se o Governo criar condições e para isso, para já, não se conhecem medidas.
Aguardo ansiosamente pelos próximos tempos. Algumas destas medidas parecem-me trabalhar no risco, pois esperam que algo aconteça do lado das empresas. E se não acontecer?
Nos primeiros tempos estou à espera que a economia cresça com algumas destas medidas, mas tudo se pode complicar na hora de cumprir o défice e os tratados europeus, nomeadamente o orçamental. Aí, veremos a solidez do acordo de governação à esquerda.
O ordenado mínimo vai aumentar - é um indicador e importante seria crescer o ordenado médio -, as pensões também (mesmo que seja só 1,28€ por mês), o incremento nos ordenados da função pública vai ser descongelado e vão passar a trabalhar 35 horas, os feriados vão ser repostos, vai haver alterações (para baixo) na TSU e nos escalões do IRS, vai ser retirada a sobretaxa de IRS...
Estas são algumas das medidas, o que, grosso modo, aposta no consumo privado para dinamizar a economia portuguesa. Não seria mal pensado se grande parte dos bens consumidos pelos portugueses não fosse fruto de importação. Assim, a balança comercial vai desequilibrar - coisa que tivera o caminho contrário nos últimos anos -, logo a dívida do país pode disparar.
Segundo o mesmo memorando de entendimento, a compensação ao aumento da despesa será feita através da captação de investimento directo estrangeiro ou através do aumento produtivo das empresas nacionais. Sempre achei a primeira parte da medida, uma boa medida (mais vezes praticada pela direita do que pela esquerda), mas isto implica riscos. Como se sabe, captar investimento estrangeiro só interfere na economia se estivermos a falar de grandes multinacionais e, como sabemos, para entrarem em Portugal (ou em qualquer outro país) exigem uma série de contrapartidas e garantias que não sei se, principalmente o PCP, estará disposto a ceder. Na segunda parte da medida - aumento produtivo das empresas portuguesas - isto só acontecerá se o Governo criar condições e para isso, para já, não se conhecem medidas.
Aguardo ansiosamente pelos próximos tempos. Algumas destas medidas parecem-me trabalhar no risco, pois esperam que algo aconteça do lado das empresas. E se não acontecer?
Nos primeiros tempos estou à espera que a economia cresça com algumas destas medidas, mas tudo se pode complicar na hora de cumprir o défice e os tratados europeus, nomeadamente o orçamental. Aí, veremos a solidez do acordo de governação à esquerda.
Monday, November 2, 2015
As sargetas e a política ou a política de sargeta
O Ministro da Administração Interna, João Calvão da Silva,
entrou “a matar” em funções. Ao dizer que é importante “reservar algum dinheiro
para depois ter seguro”, o Ministro disse uma verdade insofismável, mas já
comprou uma guerra.
Até aqui ainda se compreende o que disse o Ministro. Todavia,
João Calvão da Silva esteve mal ao não responsabilizar a(s) autarquia(s)
responsáveis pela limpeza das sargetas. É sempre assim todos os anos a seguir
ao Verão. Depois de calor abrasador durante vários meses – principalmente no
Algarve – é obrigatório limpar o lixo das sargetas a fim de evitar danos
maiores provenientes da subida do caudal dos rios.
Deveria ser prática comum em todas as localidades do País,
mas a prática comum das autarquias é… esquecer! Tal esquecimento torna-se dolo
para os cidadãos, as suas habitações, empresários e as suas lojas e não há
seguro que os valha. Dolo maior – com o epíteto de crime – pode ser considerada
a morte que ocorreu em Boliqueime em consequência das cheias deste domingo.
Disse o Ministro de Administração Interna que a vítima das
cheias “entregou-se a Deus e Deus, com certeza, lhe reserva um lugar adequado”.
Desconhecendo a devoção religiosa de João Calvão da Silva, a afirmação
proferida tem muito que se lhe diga e à primeira leitura não cai bem.
Mas há mais casos de má gestão de sargetas. António Costa é
pródigo em problemas deste género. Há pouco mais de um ano, em Outubro de 2014,
Lisboa foi acossada por umas cheias. O então presidente da Câmara Municipal de
Lisboa lamentou com resignação que “não há solução para o problema de Lisboa”.
Pode não haver – acrescento eu –, pode ser um problema
geográfico, de ordenamento, até pode ser um caso de morfologia urbana, mas
estou certo de que limpando as sargetas possivelmente as cheias não teriam a
proporção que tiveram em 2014.
António Costa, ao invés de afirmar o que afirmou e de gerir
este problema da capital em Coimbra pelo telemóvel, deveria ter-se prontificado
em viajar imediatamente para Lisboa a fim de perceber o epicentro do problema e
focar-se na solução para estas cheias e para as vindouras.
Tuesday, October 6, 2015
Rescaldo das Legislativas e o que se segue
Terminada a contagem dos votos (falta o círculo eleitoral fora de Portugal) já
se pode confirmar que a coligação Portugal à Frente e o Bloco Esquerda são os
grandes vencedores, seguindo o Partido Socialista no caminho inverso, como o
grande derrotado.
Nos palanques assim não pareceu. Ao fim e ao cabo, após as intervenções parece que todos ganharam, uns mais do que outros, mas todos estão felizes. E disso há ilações a tirar...
O PàF está feliz porque venceu com maioria relativa mas desceu de 50,4% para 38,6%. Perdeu a maioria no parlamento, terá de ser mais dialogante, mais aberto a outras visões para Portugal e procurar consensos nomeadamente com o PS, pois com a restante esquerda - e depois das moções de rejeição - é impossível. Os portugueses quiserem dar um voto de confiança a uma coligação que pegou no país perto da bancarrota e que o endireitou apesar de os inúmeros erros cometidos pelo caminho.
Nos palanques assim não pareceu. Ao fim e ao cabo, após as intervenções parece que todos ganharam, uns mais do que outros, mas todos estão felizes. E disso há ilações a tirar...
O PàF está feliz porque venceu com maioria relativa mas desceu de 50,4% para 38,6%. Perdeu a maioria no parlamento, terá de ser mais dialogante, mais aberto a outras visões para Portugal e procurar consensos nomeadamente com o PS, pois com a restante esquerda - e depois das moções de rejeição - é impossível. Os portugueses quiserem dar um voto de confiança a uma coligação que pegou no país perto da bancarrota e que o endireitou apesar de os inúmeros erros cometidos pelo caminho.

António Costa apareceu muito feliz no palanque. Atirou uma série de piadas entre o discurso e perguntas dos jornalistas, não se demitiu mas voltou a ter um discurso confuso. Talvez porque se tenha mesmo confundido, pois aquele parecia o discurso da vitória depois da derrota nas urnas. "Derrotar a direita" foi o mote para derrotar António José Seguro. Não venceu e agora? Possivelmente fica enquanto o PS quiser e terá de se vergar no Parlamento pelo bem-estar de Portugal e isso passa por deixar seguir o próximo OE.
O BE foi um dos vencedores da noite inegavelmente. Mais que duplicou os deputados e teve a melhor performance de sempre. Catarina Martins e o BE estão vivos e bem vivos mas começar com uma moção de rejeição não me parece muito democrático e costuma dar mau resultado em urna. Acordos com PS europeísta como o é por convicção são impossíveis. Ao fim e ao cabo, o BE não abdica da saída do euro, da saída da UE e da NATO e rejeita o tratado orçamental. Assim é liminarmente impossível haver acordo pós-eleitoral.
A CDU não cresceu nem perdeu votos. Manteve a toada alicerçada em militantes fiéis como é costume desde que há democracia em Portugal. Jerónimo de Sousa teve um discurso de "vitória" aproximado do conteúdo do BE sugerindo avançar com uma moção de rejeição.
Nota para o PAN que se intromete entre os partidos com acento parlamentar, facto que não acontecia desde 1999. Elege um deputado fruto de votações expressivas nos grandes círculos eleitorais de Lisboa e Porto.
A abstenção contrariou as previsões e subiu. Estar na ordem dos 30% seria o ideal e está cada vez mais longe desta realidade. Depois de tantas manifestações, greves e vozes contra, o comodismo assolou os 43% dos portugueses que não cumpriram o dever cívico e que ficam quatro anos sem direito a reclamar. Problema expectável: serão os primeiros a sair à rua!
O que se espera daqui para a frente é a formação de governo através da coligação, respeitando, assim, a vontade expressa pelos portugueses; ao contrário do que muito foi apregoado, muito diálogo e consensos terão de existir entre o eixo PSD-CDS-PS, pois com a restante esquerda parece impossível pela moção de rejeição; passar o Orçamento de Estado torna-se agora ainda mais vital para a estabilidade política, correndo-se o risco de haver uma crise política pela queda em bloco do governo minoritário; historicamente os governos minoritários não duram mais que dois anos (Guterres foi a excepção) mas esta coligação até pode durar só um. Veremos...; fragilizado, António Costa tem de se abrir ao diálogo com a direita deixando cair a tal "maioria negativa" de forma a se aguentar o maior tempo possível como secretário-geral do PS.
Os portugueses não são burros como muitos apregoaram nas redes sociais. Reconheceram trabalho num cenário negro, viram e sentem agora melhorias e não perceberam a mensagem de António Costa. Assim ficou muito claro: este governo estabilizou as contas do país, merece nova oportunidade com a economia a crescer, mas vai ter de mostrar muito mais abertura do que até então.
Qualquer moção de rejeição ou acordo à posteriori à esquerda que faça cair o governo e que obrigue a eleições antecipadas poderá ter o efeito contrário ao desejado. Convém não esquecer Cavaco Silva entre 1985 e 1987.
Monday, September 7, 2015
Portugueses sim, refugiados... nim
Os refugiados estão na ordem do dia. Vêm, na sua maioria, da Síria mas são iraquianos de religião muçulmana (fugiram do Iraque para a Síria para deixarem uma guerra para trás e agora tentam desviar-se de outra).
Perante este cenário, vaguear milhares de quilómetros até entrarem no espaço europeu foi a solução encontrada por famílias inteiras em busca de uma vida melhor no Velho Continente.
Esta onda migratória desencadeou uma outra onda, a da indignação. Países houve em que as recepções foram exemplos de solidariedade e compaixão (Alemanha) mas casos houve como a Hungria em que o ostracismo foi o modus-operandi.
Em Portugal, vejo muitas pessoas contestarem o facto de países ricos e muçulmanos como a Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait ou Emirados Árabes Unidos não querem receber qualquer refugiado. Esta atitude justifica-se pela ligação estreita e estratégica a nível geo-político e financeiro com o Estado Islâmico.
Sermos um espaço de asilo para outrém como outros países foram para os portugueses em tempos idos - convém não ter memória curta - não me choca. A problemática é outra: mais importante do que receber alguém em nossa casa, é ter condições para o receber. Pergunto: Tem Portugal condições para oferecer uma vida digna a estes refugiados? Se sim, porque não a deu a tantos e tantos portugueses que desesperam por uma vida melhor?! Se não, não estaremos a "comprar" o problema intramuros num futuro não muito longínquo?
Não podemos ser xenófobos, racistas e preconceituosos, mas sem ser bacoco, o chauvinismo aqui terá de ser uma carta a ser deitada na mesa num baralho que parece difícil de resolver.
Monday, August 31, 2015
O declínio da Sardinha
Alguns estudos já o tinham indicado, mas se dúvidas houvera estas são dissipadas pelo que o mercado nos tem dito. Na lei da oferta e da procura, a Sardinha está, há uns anos a esta parte, mais cara, sinal de que há mais pessoas a querer a iguaria tão tipicamente portuguesa, do que esta para satisfazer o apetite da população.
Estudos, uns pedidos pelo Governo outros nem tanto, comprovam uma pesca desenfreada da Sardinha nos últimos anos - com muito desperdício, por certo, à mistura - e uma diminuição do stock da mesma. Agora, a ministra Assunção Cristas tem aqui um problema bicudo para resolver. Não pode ignorar a redução de Sardinha na costa portuguesa, salvaguardando a existência desta nos anos vindouros. Mas não pode condicionar o trabalho das frotas pesqueiras, que já tantas dificuldades passam e que podem diminuir perigosamente.
Para já, a solução encontrada por Assunção Cristas foi a distribuição de valores pecuniários aos pescadores. Até quando?
Tuesday, August 4, 2015
"Pátio das Cantigas", para ver com baixas expectativas
O filme "Pátio das Cantigas" regressa aos cinemas portugueses, segundo o realizador, Leonel Vieira, em forma de homenagem e não de remake. Não podia ser de outra forma por vários motivos...
A ideia de homenagem é interessante, mas fica aquém. O primeiro "Pátio das Cantigas" merecia uma homenagem mais digna. Porém, nem tudo é mau no filme. Se se o for ver com baixas expectativas, consegue render-se ao riso fácil provocado por uma série de piropos e linguagem mais popular que fazem parte do argumento.
Se for vê-lo numa perspectiva mais intelectual, vai ficar desiludido. O filme tem demasiadas pontas soltas num argumento que teima em ser deficitário num fim condutor que, obrigatoriamente, deveria ter. Há cenas neste novo "Pátio das Cantigas" que não se percebem. E não se percebem porque não são explicadas (e quando o são, são-no mal) pelo realizador.
A mais gritante - entre outras - é os assaltos às lojas do bairro. O primeiro não se percebe como surge e porquê. Até na forma é mau, pois cai ali de pára-quedas; o segundo é ainda pior, pois a meio do acto vê-se os assaltantes a irem embora e não é explicado porquê.
O que se vê é uma adaptação aos tempos modernos, sem se perder a cultura de um bairro típico ainda hoje existente em Lisboa e que faz da capital portuguesa uma cidade tão pitoresca e tão... na moda! Aliás, o "novo" turismo em hostels ou quartos cruza-se com habitantes vestidos com camisolas à manga-cava, que bebem "mines" quase todo o dia. Neste "Pátio das Cantigas" o comércio local e tradicional é quem mais ordena e há tradições que ainda são o que eram! Todos os vizinhos se conhecem, os Santos Populares "alimentam-se" à sardinhada e com música pimba e até as desavenças são resolvidas numa luta mano-a-mano já tão em desuso.
Infelizmente há mais coisas más do que boas no filme, mas conseguimos relativizar quando as expectativas já são baixas e quando nos percebemos, ao ver a trailer, que o novo "Leão da Estrela", que estreia pelo Natal, parece ser pior.
Este filme já é o português mais visto em 2015 e isso justifica-se com uma acção de marketing promocional feito pela RTP (co-produz estas "homenagens") e pela curiosidade dos mais velhos e dos mais novos em torno de uma atitude saudosista e de uma curiosidade histórica criada, respectivamente.
A ideia de homenagem é interessante, mas fica aquém. O primeiro "Pátio das Cantigas" merecia uma homenagem mais digna. Porém, nem tudo é mau no filme. Se se o for ver com baixas expectativas, consegue render-se ao riso fácil provocado por uma série de piropos e linguagem mais popular que fazem parte do argumento.
Se for vê-lo numa perspectiva mais intelectual, vai ficar desiludido. O filme tem demasiadas pontas soltas num argumento que teima em ser deficitário num fim condutor que, obrigatoriamente, deveria ter. Há cenas neste novo "Pátio das Cantigas" que não se percebem. E não se percebem porque não são explicadas (e quando o são, são-no mal) pelo realizador.
A mais gritante - entre outras - é os assaltos às lojas do bairro. O primeiro não se percebe como surge e porquê. Até na forma é mau, pois cai ali de pára-quedas; o segundo é ainda pior, pois a meio do acto vê-se os assaltantes a irem embora e não é explicado porquê.
O que se vê é uma adaptação aos tempos modernos, sem se perder a cultura de um bairro típico ainda hoje existente em Lisboa e que faz da capital portuguesa uma cidade tão pitoresca e tão... na moda! Aliás, o "novo" turismo em hostels ou quartos cruza-se com habitantes vestidos com camisolas à manga-cava, que bebem "mines" quase todo o dia. Neste "Pátio das Cantigas" o comércio local e tradicional é quem mais ordena e há tradições que ainda são o que eram! Todos os vizinhos se conhecem, os Santos Populares "alimentam-se" à sardinhada e com música pimba e até as desavenças são resolvidas numa luta mano-a-mano já tão em desuso.
Infelizmente há mais coisas más do que boas no filme, mas conseguimos relativizar quando as expectativas já são baixas e quando nos percebemos, ao ver a trailer, que o novo "Leão da Estrela", que estreia pelo Natal, parece ser pior.
Este filme já é o português mais visto em 2015 e isso justifica-se com uma acção de marketing promocional feito pela RTP (co-produz estas "homenagens") e pela curiosidade dos mais velhos e dos mais novos em torno de uma atitude saudosista e de uma curiosidade histórica criada, respectivamente.
Saturday, July 25, 2015
Terias feito 60 anos
Dia 24 de Julho de 2015: farias 60 anos!
O número é redondo, a marca é bonita. Mesmo para ti, pai, que nunca deste uma importância exacerbada ao aniversário teria sido motivo de festa.
O dia 24 de Julho de 2015 foi o primeiro que passei sem te dar os parabéns pessoalmente, sem te dar um beijinho e uma prenda (mesmo sabendo que ias reclamar por ter gasto dinheiro). Este dia não mais será o mesmo, já não será motivo para aquela festa, para aquele beijinho e aquele abraço que sempre fiz questão de te dar.
O dia era especial, tu és especial! Sempre o foste e continuas a sê-lo ao guiar-me pelo caminho que devo trilhar.
Tenho saudades pai! Tenho saudades de te dar aquele beijinho não só no dia 24 de Julho mas todos os dias. Todos os dias são 24 de Julho!
Parabéns pai! Terias feito 60 anos!
O número é redondo, a marca é bonita. Mesmo para ti, pai, que nunca deste uma importância exacerbada ao aniversário teria sido motivo de festa.
O dia 24 de Julho de 2015 foi o primeiro que passei sem te dar os parabéns pessoalmente, sem te dar um beijinho e uma prenda (mesmo sabendo que ias reclamar por ter gasto dinheiro). Este dia não mais será o mesmo, já não será motivo para aquela festa, para aquele beijinho e aquele abraço que sempre fiz questão de te dar.
O dia era especial, tu és especial! Sempre o foste e continuas a sê-lo ao guiar-me pelo caminho que devo trilhar.
Tenho saudades pai! Tenho saudades de te dar aquele beijinho não só no dia 24 de Julho mas todos os dias. Todos os dias são 24 de Julho!
Parabéns pai! Terias feito 60 anos!
Monday, June 22, 2015
Um aniversário diferente
…E aos 35 anos nada será como dantes! O dia 21 de Junho de
2015 foi um reboliço de emoções. Uma montanha russa! Foi o dia do meu
aniversário, mas faltou o convidado mais importante, pelo menos a presença
física: o meu pai!
Conheço quem não goste de celebrar aniversários, quem não
lhes ligue nenhuma e depois há outros, como eu, que gosta bastante de os
celebrar, de reunir amigos e família, de criar um dia verdadeiramente diferente
dentro de 365 cheios de… normalidade.
Porém, este aniversário foi diferente. Foi o primeiro sem a
presença física do meu pai (mas ele esteve presente, eu sei). Faltou-me o seu
abraço, o seu carinho, o seu beijinho de parabéns, as suas palavras… Faltou,
simplesmente, ficar ali a olhar para ele. Passei o dia com a minha mãe e com
alguns dos muitos amigos do meu pai. Recordamo-lo como sempre o faremos, mas
não o ter comigo no passeio que escolhi fazer com a minha mãe foi doloroso.
Logo ele, que adorava um bom passeio.
Dentro do possível o dia correu bem, as pessoas que fizeram
questão de me felicitar da mais variada forma e alguns que estiveram comigo, permitiram-me
encher o coração naquelas 24 horas. A todos vós o meu muito obrigado!
Mas permitam-me que afirme que este foi o primeiro de todos
os aniversários diferentes que terei doravante.
Saudades pai!
Friday, June 12, 2015
O regresso de Mad Max
O ano de 2015 marca o regresso da série cinematográfica Mad Max. Com o cunho de George Miller, o filme mantém-se fiel aos primeiros Mad Max's que remontam aos finais dos anos 70, início da década de 80.
Outrora Mel Gibson, hoje Tom Hardy aceita a estóica herança de carregar o filme pelas estradas furiosas de um qualquer deserto do planeta Terra. Por falar em furiosa, destaque para Charlize Theron, cuja personagem é a imperatriz Furiosa, num papel que, uma vez mais, confirma o talento de uma actriz não raras vezes mais elogiada pela sua beleza (é um facto) do que pelo seu talento.
George Miller trouxe à estrada o regresso de motos, carros, jipes e camiões velhos, ferrugentos mas alterados - a roçar o pindérico mas necessário para tal fidelidade histórica - para perseguições animalescas e bem coreografadas por um território poeirento, inóspito, ao melhor estilo dos Mad Max's de outros tempos.
Imortan Joe é o homem a abater apesar de mais de 85 por cento do filme nos mostrar o contrário; que seria ele a vítima a tentar abater Max (Tom Hardy) e Furiosa.
O filme decorre a um ritmo alucinante, em guerra constante, violento, barulhento, sangrento, mortal (como tem de ser) e prende o espectador ao écran do primeiro ao último minuto.
Belo regresso, que pecou por tardia, de uma série que tinha deixado saudades.
Monday, May 11, 2015
E agora TAP?
As tentativas de privatização da TAP já vêm do tempo em que
António Guterres era Primeiro-Ministro de Portugal, mas os problemas da
companhia aérea são bem anteriores a isso. Pelo menos vêm de 1975, altura em
que nem ordenados conseguiu pagar aos funcionários.
À época, o negócio que António Guterres e João Cravinho
tentaram fazer com a Swissair não deixou de ser isso mesmo: uma tentativa. A
privatização esteve em banho-maria todos estes anos até ao Governo liderado por
José Sócrates tentar – em vão, diga-se – privatizar a TAP.
Agora é a Coligação liderada por Passos Coelho. Tentou, numa
primeira instância, fazê-lo com Efromovich, mas faltaram garantias ao
empresário; agora o tema volta à baila, mas não se perspectiva fácil
concretizar a famigerada privatização.
A TAP tem vários problemas e as greves é um deles e um dos
mais graves. Mas há outros…
A companhia aérea lusa tem uma dívida astronómica superior a
mil milhões de euros, soma défice de tesouraria, perde mercado por força das
low-cost (tem a desculpa de esse ser um mau de mercado que afecta todas as
companhias semelhantes à TAP), greves constantes, qualidade de serviço a descer
(consequência das greves).
Assim, de repente, este é o cenário que qualquer empresário que
queira comprar a TAP tem nas mãos. Não é aliciante! Quem comprar a TAP, durante
dois ou três anos não pode fazer reestruturações e tem de manter as rotas
estratégicas (Brasil e África) e o HUB em Portugal. A isto junta-se o facto de
ter de arcar com a dívida. Não é fácil convencer, mas os sucessivos Governos
(este incluído) já o tinham conseguido fazer em determinado momento e esse mérito
dever-lhes-ia ser assacado.
Quer os portugueses queiram, quer não, a privatização da TAP
– e ainda por cima nestas condições – é um excelente negócio para Portugal e
para os portugueses. Porém, pessoas como Lino da Silva, o grande mentor desta
greve e que agora se descobriu já ter recebido mais de um milhão de euros do
SPAC (Sindicato dos Pilotos), tornam a companhia aérea mais pequena “umaTAPzinha” como disse Pedro Passos Coelho, logo menos
apetecível.
Em paralelo a Lino da Silva está António Costa. O
Secretário-Geral do PS vem dizer que nenhum investidor da TAP vai ter 50 por
cento ou mais da companhia aérea com ele como Primeiro-Ministro. Duas questões:
Como vão reagir os mercados a esta afirmação? Quem é que António Costa vai
convencer a colocar dinheiro na TAP para não mandar em nada ou pelo menos mandar
em pouco?
Entre as várias vantagens da privatização que mencionei
acima, há outra que se junta ao leque e que me parece clara: as greves acabam
de uma vez por todas. Ou pelo menos diminuem de forma drástica.
Thursday, April 9, 2015
A lista VIP e a falta de comunicação
Numa altura em que a lista dos contribuintes VIP volta à baila pela abertura de um processo penal, vejo-me na obrigação de "tocar" no caso.
Em paralelismo com os vistos Gold, também aqui o Governo não soube comunicar convenientemente e tem uma figura de Estado que ficou muito frágil na fotografia. Agora Paulo Núncio depois de Miguel Macedo - o segundo teve a hombridade de se demitir.
A existência de uma lista VIP não me escandaliza. Vou até mais longe e digo que deveriam constar mais do que somente quatro nomes. A razão para tal existência é que levanta suspeitas. Se a mesma serve para proteger os dados de figuras mais susceptíveis da curiosidade alheia, concordo com ela e, repito, deveriam constar mais nomes; se esta serve para permitir "isenções" e "benefícios fiscais" a estas quatro pessoas, fala-se então de um crime que deveria ser investigado.
Outro aspecto que me parece claro é o défice existente na protecção de dados. O acesso a determinados dados tem, obrigatoriamente, de ser protegido e limitado.
Que direito tem uma pessoa, por curiosidade mórbida, consultar os meus dados fiscais?
Thursday, March 5, 2015
Amnésia selectiva
Parece que Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, chefe da Coligação que governa o País e é presidente do PSD, se esqueceu de pagar - pior! Que tinha de pagar - as contribuições para a Segurança Social no valor de 2880 euros ou 5016 euros, já nem sei bem.
Acima de todas as funções governativo-políticas que enumerei supra, Pedro Passos Coelho jamais se deveria ter esquecido que é um cidadão português e que se rege pelas mesmas regras do mais elementar comportamento social e leis que os demais.
Esta amnésia selectiva que desconhecia que o nosso primeiro-ministro sofria teve consequências nefastas em situações paralelas ocorridas na Europa. Noutros países, como a Suécia e a Alemanha, deu direito a demissão dos
envolvidos em polémicas com o não-pagamento de impostos. Em Portugal, a
oposição não pediu, tal situação até poderá não ter passado pela cabeça de
Passos Coelho mas ficava-lhe bem, até porque, possivelmente, Cavaco Silva não
aceitaria e ele até sairia reforçado desta trama.
Não pagar já é suficientemente
mau - é crime, já agora - mas dizer que não sabia que tinha de pagar é mesmo o
pior de tudo. Repito! Não sabia que Pedro Passos Coelho sofria de amnésia selectiva e essa afirmação/dúvida de Passos Coelho fê-lo cair numa espiral de acções posteriores que em nada abonam à sua popularidade junto da população.
Pior ainda é chegar a primeiro-ministro e deixar "rabos-de-palha" (parafraseando um grande amigo) para os outros
"brincarem"! No meio desta confusão, Pedro Passos Coelho só esteve bem quando falou
para dentro do "seu" partido, o PSD, dizendo não ser um cidadão perfeito. Aí quero acreditar que foi
genuíno porque, no fundo, somos todos imperfeitos, mas as imperfeições de uns
têm mais impacto do que de outros e alguém em funções governativas a cinco/seis meses de eleições legislativas ou a equipa que o rodeia tinha a
obrigação de saber.
Finalizar dizendo que muito mal está o Partido Socialista quando tem em José Sócrates a voz da contestação ao líder da Coligação que governa Portugal.
Friday, February 27, 2015
Uma boa medida que se torna demagógica
O princípio está logo mal! Ser necessário criar mecanismos de motivação para que as pessoas não prevariquem já não é muito positivo, mas eu até entendo tendo em conta que nos tratamos de um povo latino, com todos as virtudes e defeitos que daí acarretam, e só assim, olhando para o nosso umbigo, e percebendo que podemos ganhar algo é que fazemos o correcto.
Foi assim com as facturas e será assim, ao que tudo indica, com o tabaco. Se em relação às facturas eu concordo com a medida, em relação ao tabaco e em "premiar" quem deixa de fumar parece-me demagogia num momento em que o país apresenta problemas mais complicados e prementes de resolver.
Voltando atrás, às facturas, o resultado está à vista. A recuperação fiscal apresenta números que nunca apresentara, o equilíbrio das contas é hoje mais real do que ontem e todos (população, país, infra-estruturas...) saímos a ganhar. Os Audis são um mal necessário e não me causam qualquer celeuma.
Agora, dar uma compensação financeira a quem deixa de fumar só porque o Estado está preocupado com com a saúde pública, não me parece nada bem. Assim, canalizem o dinheiro para melhorar as condições no SNS, nos hospitais, clínicas; contratem mais médicos e enfermeiros e, talvez, menos estagiários (e eu até tenho boa impressão do ministro Paulo Macedo...) e a "coisa" possivelmente vai-se endireitando.
Uma interrogação: como vamos chegar à conclusão de quem deixou ou não de fumar?
Outra: se eu fumar um maço hoje e nunca mais fumar, conta?
Friday, February 6, 2015
O "lobby" da farmacêutica ou a falta de comunicação do Governo ou ambas?
No caso do medicamento para a Hepatite C quem está mal neste jogo? Na minha opinião, ambos!
O Governo tem estado mal, pois, tal como é sina nesta legislatura, não sabe comunicar com os portugueses. Poderia (ou até deveria) optar por um discurso de "vitimização" face à chantagem da farmacêutica mas, por opção ou porque não quer, seguiu por um discurso áspero para com a sociedade e saiu a perder (ou tem saído até ao momento); a farmacêutica aproveitou o momento frágil do Governo e dos doentes nesta problemática e "jogou" com os preços do medicamento percebendo, desde logo, que teria muito a ganhar financeiramente com o caso. Prática sem escrúpulos.
O Governo, nas pessoas de Pedro Passos Coelho e Paulo Macedo (ministro da saúde), ficou entre a espada e a parede e com culpa própria. Passar para os portugueses a mensagem de que uma determinada farmacêutica estaria a chantagear o Governo português fazendo um aproveitamento financeiro de uma doença seria uma bomba nesta empresa e causaria, por certo, revolta nos portugueses e até, pasme-se!, eventual solidariedade para com o Governo. Ao dizer que se deve fazer tudo o que estiver ao alcance para ajudar a saúde dos portugueses, mas não "custe o que custar" depois de ter dito, aquando da entrada da Troika, que teríamos de pagar a dívida "custe o que custar", Pedro Passos Coelho pôs-se ajeito (expressão tão em voga desde o Charlie Hebdo) para ter o povo contra si.
Porém, não deixa de ser verdade que o Orçamento de Estado está financeiramente estipulado, que não tem recursos ilimitados e que não se pode gastar tudo e derrapar o Orçamento com uma só doença, mas convém não esquecer que para a saúde o investimento no OE é de 9 mil milhões de euros, o que não é coisa pouca. Coloco a seguinte questão: Se gastássemos tudo ou mais do que deveríamos no medicamento para curar a Hepatite C, o que seria dos outros doentes e doenças?
Outra questão: É justo gastar todos os recursos num só medicamento e ficarmos sem recursos para os demais?
A problemática que hoje se vive em Portugal, com o "lobby" da farmacêutica é prática comum das mesmas aos longo dos anos - basta ver o filme "Fiel Jardineiro". Situações como esta há em todos os países e em vários hospitais do Mundo. Agora, quando nos toca a nós...
O nosso SNS é dos mais conceituados que existe. Dá respostas, tratamentos e "destila" conhecimento como poucos. Já o disse antes e repito: Não me ouvirão falar mal do SNS depois de tudo o que foi feito pelo meu pai na cura para o cancro do estômago que infelizmente o vitimou. Todavia, o SNS não tem a solução para todos os milagres e também aqui há contas correntes com limites. Os bolsos do SNS, do ministério da saúde e do Governo têm fundo e é assim que tem de ser.
O Governo tem estado mal, pois, tal como é sina nesta legislatura, não sabe comunicar com os portugueses. Poderia (ou até deveria) optar por um discurso de "vitimização" face à chantagem da farmacêutica mas, por opção ou porque não quer, seguiu por um discurso áspero para com a sociedade e saiu a perder (ou tem saído até ao momento); a farmacêutica aproveitou o momento frágil do Governo e dos doentes nesta problemática e "jogou" com os preços do medicamento percebendo, desde logo, que teria muito a ganhar financeiramente com o caso. Prática sem escrúpulos.
O Governo, nas pessoas de Pedro Passos Coelho e Paulo Macedo (ministro da saúde), ficou entre a espada e a parede e com culpa própria. Passar para os portugueses a mensagem de que uma determinada farmacêutica estaria a chantagear o Governo português fazendo um aproveitamento financeiro de uma doença seria uma bomba nesta empresa e causaria, por certo, revolta nos portugueses e até, pasme-se!, eventual solidariedade para com o Governo. Ao dizer que se deve fazer tudo o que estiver ao alcance para ajudar a saúde dos portugueses, mas não "custe o que custar" depois de ter dito, aquando da entrada da Troika, que teríamos de pagar a dívida "custe o que custar", Pedro Passos Coelho pôs-se ajeito (expressão tão em voga desde o Charlie Hebdo) para ter o povo contra si.
Porém, não deixa de ser verdade que o Orçamento de Estado está financeiramente estipulado, que não tem recursos ilimitados e que não se pode gastar tudo e derrapar o Orçamento com uma só doença, mas convém não esquecer que para a saúde o investimento no OE é de 9 mil milhões de euros, o que não é coisa pouca. Coloco a seguinte questão: Se gastássemos tudo ou mais do que deveríamos no medicamento para curar a Hepatite C, o que seria dos outros doentes e doenças?
Outra questão: É justo gastar todos os recursos num só medicamento e ficarmos sem recursos para os demais?
A problemática que hoje se vive em Portugal, com o "lobby" da farmacêutica é prática comum das mesmas aos longo dos anos - basta ver o filme "Fiel Jardineiro". Situações como esta há em todos os países e em vários hospitais do Mundo. Agora, quando nos toca a nós...
O nosso SNS é dos mais conceituados que existe. Dá respostas, tratamentos e "destila" conhecimento como poucos. Já o disse antes e repito: Não me ouvirão falar mal do SNS depois de tudo o que foi feito pelo meu pai na cura para o cancro do estômago que infelizmente o vitimou. Todavia, o SNS não tem a solução para todos os milagres e também aqui há contas correntes com limites. Os bolsos do SNS, do ministério da saúde e do Governo têm fundo e é assim que tem de ser.
Saturday, January 24, 2015
Altice: mal necessário para a PT ou o negócio possível?
Após cinco horas de reunião parece ter terminado o imbróglio em que estava à venda da PT. 98% dos accionistas aceitaram o negócio com o grupo francês. Esta é a notícia, de forma factual e objectiva.
Mas o tema vai muito para além disso. Em primeira instância congratular o facto de a Portugal Telecom se livrar de grande parte dos accionistas que ajudaram a arruinar uma empresa-modelo, e muito mais do que isso, uma empresa-baluarte da sociedade lusa; em segundo lugar - mas ligado ao primeiro ponto - conseguiu livrar-se do BES, accionista que teve a capacidade de destruir dois grupos fundamentais para o tecido empresarial, para a estratégia e para a finança de um país como eram os grupos PT e GES. É obra!
O negócio com a Altice foi o possível, não o mais desejado por todos os accionistas, mas agora começa uma nova vida, sem que se possa desligar do passado. Novo dono, velhos problemas. Experientes na aquisição de empresas, os franceses nunca adquiriram tamanho monstro, mas há práticas que me deixam esperançado. A Altice é conhecida por ser muito agressiva no mercado em que se insere, rigorosa nas contas e tem um "fetiche" pela gestão eficaz. Todos estes me parecem bons tópicos, mas em quanto tempo quererá o novo dono da PT concretizá-los?
Se o "timing" for curto, a redução de pessoal é o caminho mais fácil - e doloroso - a seguir (isto partindo do pressuposto que a PT não vai ser desmantelada em peças); se houver tempo para trabalhar tudo pode ser negociado: saídas para a pré-reforma, saída de excedentários, redução de custos da infra-estrutura (rendas, subcontratações, regalias sociais). No momento em que entra numa PT à deriva, com a cotação em bolsa no registo mais baixo de sempre, a Altice tem de pensar em todos os cenários, mas não pode esquecer a imagem do grupo para os portugueses e para Portugal.
Não olvidando esta importância histórica, a Altice quererá ver a PT a continuar a entrar na maioria das casas dos portugueses com TV, Internet e telefone.
Tuesday, January 13, 2015
Eu ainda sou Charlie
O atentado ao Charlie Hebdo, em Paris perpetuado pelos irmãos Kouachi - Chérif e Said - trouxe, entre outros sentimentos díspares, um corporativismo na classe jornalística até então desconhecida.
Já muito se falou na tragédia, nos culpados. Quem eram, como se conheceram (os três, pois convém não esquecer Amedy Coulibaly), como arquitectaram tudo, como e quando se aproximaram de militâncias islâmicas, quem os influenciou... O meio não justificou o fim, mas ajuda a explicar tal acto altamente reprovável.
Após o ataque gratuito, grotesco, inimaginável, condenável (e muitos outros adjectivos aqui poderiam ser colocados para caracterizar esta chacina), milhares, milhões de pessoas, jornalistas ou não, se solidarizaram com os jornalistas, cronistas e ilustradores assassinados. O semanário satírico francês ficou vazio, de luto, luto esse que se estendeu pelo Mundo numa revolta sem igual. A hashtag JeSuisCharlie tomou conta das Redes Sociais e opiniões fervilharam em catadupa, umas pró, outras contra. Uma verdade insofismável: ninguém ficou indiferente.
Este ataque teve o condão de criar nos jornalistas uma união que se desconhecia. No dia 7 de Janeiro e nos seguintes todos os jornalistas foram Charlie, todos se sentiram "assassinados", redacções inteiras - em jornais, televisões, imprensa - foram Charlie. Tenho de admitir que fiquei surpreendido. O movimento solidário da classe teve tanto de surpreendente como de louvável. Foi bonito, mas instantâneo. Já passou! Caso para dizer: "É tão bom, não foi?" E por que razão? A nossa memória é assim tão curta? Digo isto porque ainda não nos compusemos do choque e já via ataques ao Charlie Hebdo, ou melhor, ao trabalho que lá se fazia todas as semanas. Ou porque não se fazia jornalismo no semanário satírico, mas sim, dava-se opinião; ou porque ilustradores não são jornalistas; ou porque vários jornalistas e/ou órgãos de Comunicação Social não estavam a dar respostas e a fazer perguntas pertinentes (isto é, a fazer de forma deficiente o seu trabalho)...
Afinal em que é que ficamos? Somos todos Charlie ou fomos todos Charlie? Juntámo-nos por conveniência ou porque, realmente, sentimo-nos atacados enquanto jornalistas e no papel fundamental do jornalismo na sociedade: informar e ter a liberdade de se exprimir com ou sem humor (o estilo aqui é irrelevante)?
Não sou lírico. Em todas as áreas profissionais há competição. Em todas as áreas profissionais alguém quer ser melhor do que outrém. O jornalismo não é excepção, talvez seja até a regra, mas neste caso deveríamos ter a capacidade de ser diferentes, de ser melhores, de ser superiores a tricas e rivalidades, porque, no fundo, SomosTodosJornalistas!
Já muito se falou na tragédia, nos culpados. Quem eram, como se conheceram (os três, pois convém não esquecer Amedy Coulibaly), como arquitectaram tudo, como e quando se aproximaram de militâncias islâmicas, quem os influenciou... O meio não justificou o fim, mas ajuda a explicar tal acto altamente reprovável.
Após o ataque gratuito, grotesco, inimaginável, condenável (e muitos outros adjectivos aqui poderiam ser colocados para caracterizar esta chacina), milhares, milhões de pessoas, jornalistas ou não, se solidarizaram com os jornalistas, cronistas e ilustradores assassinados. O semanário satírico francês ficou vazio, de luto, luto esse que se estendeu pelo Mundo numa revolta sem igual. A hashtag JeSuisCharlie tomou conta das Redes Sociais e opiniões fervilharam em catadupa, umas pró, outras contra. Uma verdade insofismável: ninguém ficou indiferente.
Este ataque teve o condão de criar nos jornalistas uma união que se desconhecia. No dia 7 de Janeiro e nos seguintes todos os jornalistas foram Charlie, todos se sentiram "assassinados", redacções inteiras - em jornais, televisões, imprensa - foram Charlie. Tenho de admitir que fiquei surpreendido. O movimento solidário da classe teve tanto de surpreendente como de louvável. Foi bonito, mas instantâneo. Já passou! Caso para dizer: "É tão bom, não foi?" E por que razão? A nossa memória é assim tão curta? Digo isto porque ainda não nos compusemos do choque e já via ataques ao Charlie Hebdo, ou melhor, ao trabalho que lá se fazia todas as semanas. Ou porque não se fazia jornalismo no semanário satírico, mas sim, dava-se opinião; ou porque ilustradores não são jornalistas; ou porque vários jornalistas e/ou órgãos de Comunicação Social não estavam a dar respostas e a fazer perguntas pertinentes (isto é, a fazer de forma deficiente o seu trabalho)...
Afinal em que é que ficamos? Somos todos Charlie ou fomos todos Charlie? Juntámo-nos por conveniência ou porque, realmente, sentimo-nos atacados enquanto jornalistas e no papel fundamental do jornalismo na sociedade: informar e ter a liberdade de se exprimir com ou sem humor (o estilo aqui é irrelevante)?
Não sou lírico. Em todas as áreas profissionais há competição. Em todas as áreas profissionais alguém quer ser melhor do que outrém. O jornalismo não é excepção, talvez seja até a regra, mas neste caso deveríamos ter a capacidade de ser diferentes, de ser melhores, de ser superiores a tricas e rivalidades, porque, no fundo, SomosTodosJornalistas!
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