Thursday, December 25, 2014

O primeiro Natal do resto da minha vida

O Natal de 2014 foi diferente de todos os outros 34 anteriores. Pai... faltavas tu! Sempre habituado a natais com casas cheias e mesas repletas, neste, ao contrário de outros, havia um vazio que não foi preenchido. Também físico, este Natal teve um vazio enorme no meu coração, a saudade é enorme e nestes momentos dói ainda mais.

À medida que a quadra se aproximava, a tristeza assolava-me, uma corrente de pensamentos negativos preenchiam-me. Como será que vai ser?, questionava-me. Na noite de 24 sentei-me na mesa, olhei para o lugar onde habitualmente te sentavas, mas não estavas lá, foi duro. O tempo ia passando, as conversas fluíam, as risadas vinham a reboque e no meu subconsciente só uma questão existia: como reagiria o meu pai a este momento? Quer queira, quer não, penso sempre em função de ti, da tua existência, mesmo que no meu coração.


O jantar terminou e chegou a meia-noite. Entrega de prendas, momento de alegria e felicidade, mas faltou a tua prenda, aquela que me obrigava (de boa-vontade, diga-se) a olhar para ti para ver a tua reacção, o teu comentário ao presente. No fundo a tua opinião sempre contou mesmo que nestes singelos gestos. De seguida veio o "teu" momento... jogar à "sueca". Era o teu jogo, mas tive de assumir o teu lugar. Com orgulho o fiz, o tio António foi o meu parceiro, irias gostar que assim fosse. Uma mistura de responsabilidade com orgulho fizeram-me entrar neste jogo de "sueca" para, no quarto anel, o do céu, sentisses orgulho neste papel. A cada jogada questionava o que me dirias nesse momento. Acho que não correu mal. Espero que daí de cima tenhas gostado do meu desempenho.

No dia 25 houve almoço, as habituais conversas e risadas, eu e a mãe passámos pela casa do Miguel e da Paula, estivemos com a tua irmã, a tia Maria, voltei a assumir o teu lugar na "sueca". Modéstia à parte, acho que me saí bem.

Foi assim o primeiro Natal do resto da minha vida!

Thursday, November 20, 2014

Vistos Gold: boa ideia, má prática

Quando a ideia dos vistos Gold foi apresentada por Paulo Portas e outros pares houve vozes contraditórias. Para umas era uma boa forma de captar investimento directo estrangeiro, criar emprego e dinamizar a economia nacional; para outros seria mais um ponto rocambolesco num currículo pródigo em situações, no mínimo, suspeitas como é o do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. Não nos esqueçamos dos sobreiros ou dos submarinos, para citar só alguns. 

Pois bem. Uma ideia que tinha tudo para ser um sucesso e para ser um baluarte da Coligação, tornou-se uma "pedra no sapato" colocando em cheque altas patentes de entidades estatais como são o SEF, SIS ou o IRN. O director do SEF já se demitiu, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, também (apesar de, na minha opinião, ser dos menos culpados nesta trama), mas dos 11 arguidos apenas dois ficaram em prisão preventiva o que parece, aos portugueses, manifestamente pouco e que volta a deixar a justiça - e consequentemente a ministra, Paula Teixeira da Cruz - mal vista. 


Um dos detentores do visto Gold foi preso e Paulo Portas diz que só foi possível devido ao visto dado pelo Governo, mas há uma questão que deve ser colocada: Se tinha cadastro como lhe foi concedido o visto? Outras problemáticas foram aparecendo... Corrupção activa parece-me claro, aproveitamento empresarial é incontestável, bem como o lobby imobiliário. Pior ainda o facto de os detentores de vistos Gold não terem criado as tais empresas com até 10 postos de trabalho. Justifica-se dizendo que foi criado emprego indirecto. Então que as premissas do visto Gold não sejam opacas, dúbias. 

Outra questão passa pela permanência dos detentores de visto Gold em Portugal sete dias por ano ou 14 no total dos dois anos. Será que esta permanência foi devidamente salvaguardada? 

Na Europa há países com vistos Gold mais "fáceis" do que os de Portugal. É verdade, mas parece-me claro que alguém fez questão de criar, à revelia, condições facilitadoras para os emitidos em território nacional. 

Se alguém no Governo foi conivente com isto terá de se demitir; se não, terá, então, a responsabilidade de punir criminalmente quem o fez.

Tuesday, November 11, 2014

Lady Gaga: O espectáculo onde tudo pode acontecer

Ponto prévio: não sou apreciador da música da senhora e nem esperava ir ao concerto. Um feliz imprevisto deu-me essa possibilidade e eu pensei: por que não?

MEO Arena, em Lisboa recebeu Lady Gaga para algo que se viria a comprovar como muito mais do que um concerto. Marcado para as 19h30, começou às 21h00 antecedido de um concerto de suporte que não acompanhei e um medley de música techno.

Casa cheia, muito entusiasmo, muitos homens (surpreendentemente) e muitas pessoas dos 40 anos para cima, o que ainda é mais surpreendente. O palco tinha a sua base habitual e ramificava-se pelo espaço "entrando" dentro do público permitindo uma ligação artista-público que, por norma, só se vê em registos mais intimistas.

Começa o espectáculo e eu curioso por vê-lo mas ainda mais por Lady Gaga, cuja performance é um espectáculo dentro doutro. O repertório de músicas é debitado, acompanhado por uma vintena de dançarinos que dão outro "colorido" numa simbiose perfeita com a norte-americana. A cada música, um novo vestido, um adereço mais espampanante do que o anterior. Do outro lado... a animação crescia de tom com o passar dos minutos.


Entre músicas e vestidos, Lady Gaga alimentou o ego dos portugueses e de Portugal sem igual (Laura que o diga pois viu ser partilhada a carta que escrevera para a cantora e teve direito a subir ao palco e ter com esta um momento inesquecível), debitou uma série de posições ideológicas, sociais, rejeitou preconceitos e ideias pré-concebidas, mas exagerou - e de que maneira - de lugares-comuns e de clichés.


De permeio provou uma Super Bock (aqui está uma janela de oportunidade para a marca), talvez para se refrescar de todos os pulos, cambalhotas, saltos e danças com que presenteou a plateia. Energia inesgotável, hits no alinhamento, voz inabalável, límpida, que passa dos graves para os agudos e vice-versa como eu visto uma camisa. Pode não se gostar do estilo musical, mas a qualidade é incontestável. Se dúvidas houvesse que Lady Gaga era a digna sucessora de Madonna, o MEO Arena tirou-mas.

Monday, November 10, 2014

A crise e o recrutamento no Estado Islâmico

Outrora a Al Qaeda, o Estado Islâmico nos dias que correm espalham o terror em nome de autoridade suprema sobre todos os muçulmanos no Mundo. 

O auto-proclamado Estado Islâmico é a nova ordem que penetra nos terrenos da Síria já com o califado declarado após a proclamação da independência no início do corrente ano. Mais preocupante do que esta "Nova Ordem Muçulmana" é o recrutamento por ela conseguida, atingindo áreas anteriormente mais complicadas de entrar, como Portugal. 

A verdade é que o Estado Islâmico, como a Al Qaeda, recruta em estados e momentos sociológica e financeiramente débeis. É mais fácil recrutar nestes cenários em que são prometidas situações animadoras (mesmo que falsas) às famílias dos recrutados que não têm nada a perder, do que tentar aliciar pessoas com uma estrutura familiar sólida. Se é verdade que nos primórdios, a Al Qaeda apostava o recrutamento para a sua base em países em que o Islamismo era o dogma religioso, neste momento, num Mundo globalizado - também pelas Redes Sociais - e onde a crise financeira é transversal às fronteiras físicas e sociais, o espectro de pessoas aptas a aderir ao Estado Islâmico aumentou exponencialmente.


E é aqui que entra Portugal. Fábio, Ângela ou mesmo Sandro "Funa" - primeiro jihadista morto em nome do Estado Islâmico - são alguns dos nomes sem rosto com ligação a Portugal e que aderiram ao califado. 

Mas à crise financeira pode juntar-se uma crise de valores. Neste caso parece-me claro que haver uma crise de valores é sinequanone para aderir em militância a uma organização terrorista. 

Thursday, October 23, 2014

"Gone Girl" ou o melhor de 2014

Inquieto e surpreendente! São os dois adjectivos que melhor classificam o "Gone Girl", "Em parte incerta" traduzindo para português, o mais recente filme de David Fincher, realizador de "Seven", um dos seus grandes êxitos.


Com uma história arrebatadora (o mesmo não se pode dizer do fim), o "Gone Girl" comprova que o crime perfeito é possível, mas dá muito trabalho. Prendendo o telespectador todos os segundos, o mesmo espera impacientemente que chegue o próximo "take" que lhe monte a história e o ajude a compreendê-la. Mas "Gone Girl" mostra muito mais. Mostra (ou confirma, melhor dizendo) Ben Affleck como um dos melhores actores de Hollywood neste momento e deu-me a conhecer Rosamund Pike, actriz, que reconheço, não me lembrava de qualquer papel seu antes de ver este filme e da qual fiquei fã. Eles são a alma do filme, mas Rosamund Pike, talvez pelo efeito surpresa, arrebatou-me bem mais.

A uma história cheia, complexa, atraente, junta-se um argumento denso mas colocado numa linguagem escorreita. A verdade é que David Fincher, aqui como no "Seven", tem a capacidade de, mais do que prender o telespectador, mexer com os seus sentimentos e emoções e isso é bem mais difícil de conseguir.

Num 2014 que está quase a terminar, arrisco-me a dizer que o "Gone Girl" foi dos melhores, se não o melhor filme que vi no ano. Por tudo! Pela performance dos actores, pela história, pela densidade, pela fotografia. Enfim... Por tudo!

Monday, September 29, 2014

... E afinal venceu o Sócrates

António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e agora candidato a Primeiro-Ministro, venceu as eleições Primárias no Partido Socialista (PS). O triunfo com 70% dos votos leva-nos a concluir que foi esmagadora e confirma aquilo que antes se vaticinava: António José Seguro mostrou ter pouco carisma, força e conhecimento do que são as lides da oposição. Pior! De ser líder do maior partido da oposição.

Antes de serem Primárias já as eram. Primárias começaram por ser as atitudes proteladas pelos Antónios ao longo da campanha eleitoral para novo secretário-geral do PS. Ataques pessoais nos debates e fora deles, pancadaria entre militantes dos dois candidatos, insultos entre os candidatos e militantes/simpatizantes não deixaram o partido limpar a imagem que vem suja desde a última legislatura com José Sócrates.

Curioso aparecer o nome de José Sócrates neste texto. Sem aparecer foi o grande vencedor da noite de domingo, 28 de Setembro. Ao abrir as portas da liderança a António Costa, o PS perdoou Sócrates, os seus erros e as pessoas que o rodearam. Mas já lá irei... Agora vêm os desafios para António Costa! O primeiro do rol será libertar-se da Câmara Municipal de Lisboa. Não deverá ser complicado, pois Helena Roseta já veio dizer que a lista quando foi criada já foi a pensar nesse acontecimento. Ou seja, tal como as Primárias, também António Costa antes de o ser já o era.

Sem Câmara Municipal, aproximam-se outros desafios a António Costa. Desde logo, mostrar as ideias que teimou em não apresentar para as Primárias. Os socialistas passaram-lhe um "cheque em branco". Não sei se os portugueses o farão; perceber quem será o seu opositor no outro lado. Se for Pedro Passos Coelho será uma coisa, se for Rui Rio, por exemplo, já será outra completamente diferente. Porém, mesmo desgastado, Pedro Passos Coelho venderá muito cara uma eventual derrota. Rui Rio, por seu lado, saiu bem da política activa, tem-se mantido (de forma inteligente) por perto, goza de boa publicidade no País, nomeadamente a Norte; responder, ainda, a questões como a carga fiscal. Em entrevistas, como candidato a líder do PS, já disse ser impossível aumentar os impostos, na Câmara Municipal, como seu presidente, pratica um dos maiores IMI´s de Portugal e já alertara precisar do dinheiro do IVA caso este seja aumentado no Orçamento de Estado. Em que é que ficamos, afinal?


Voltemos a José Sócrates. Com António Costa estavam - no palanque e não só - vários rostos do Socratismo. Homens que em tempos o apoiaram, que foram seus ministros ou secretários de Estado. Se este perdoa-me já me baralhava as ideias (como é possível o PS e, já agora, alguns portugueses, terem uma memória tão curta e esquecerem-se tão depressa do homem que nos obrigou pela terceira vez a requerermos ajuda internacional?), falar de renovação deixou-me mesmo perdido. Renovação, diz o dicionário que é um substantivo feminino, acto ou efeito de renovar, tornar novo, melhorar, substituir por coisa melhor. Ora, como é que isto é possível com os mesmos rostos e os mesmos nomes? Ferro Rodrigues, Ana Catarina Gomes (mulher de Paulo Pedroso), Mário Soares, Manuel Alegre, entre outros... é a tão apregoada renovação de António Costa ou serão apenas os mesmos rostos do passado?

No currículo, António Costa tem a passagem por um dos piores Governos de Portugal (levou à terceira ajuda internacional, todas elas aconteceram - 1977 e 1983 - com o PS a governar), uma gestão que deixa a desejar em Lisboa e tenta agora consertar o mau trabalho como Primeiro-Ministro o mal que tem feito enquanto político. É possível que o consiga, pois António Costa "vende", isto é, tem "boa imprensa". Se chegar ao papel de líder governativo que se prepare a ala mais à esquerda do PS, pois convergência será com quem mais jeito der e não necessariamente com o PCP, com o BE ou mesmo com o Livre. O Bloco Central com o PSD não está fora de ideia ou esquecem-se com quem foi feito o acordo para resolver o problema das contas na Câmara Municipal de Lisboa?

Friday, August 22, 2014

No meu coração nunca morrerás

Estavas de férias no Algarve e as dores já te apoquentavam há umas semanas. Não querias - sempre foste assim - ceder e preocupar a tua família. Foi preciso insistir e a dor mandar-te abaixo para te renderes à evidência de ir ao hospital.

Foi o princípio do pior diagnóstico possível: tinhas um tumor no estômago. Daqueles agressivos, galopantes e que nos deixa estatelados no chão. A todos menos a ti. Agarraste-te à vida com todas as tuas forças (foi sempre o exemplo que me passaste e que comigo perdurará) e este só te venceu a 14 de Agosto de 2014. De permeio foram mais de três anos de sofrimento, muito, daquele que não consigo sequer imaginar. Mas tu, invariavelmente, negavas a evidência, tinhas sempre um sorriso ou uma palavra positiva quando te perguntávamos como estavas ou como tinha sido o dia.

Sempre muito bem acompanhado por uma equipa médica insuperável e à qual deixo o meu eterno agradecimento (também eles foram heróis, mas permitam-me a ousadia de considerar o meu pai o maior herói de todos), o tumor foi-te retirado. A "reboque" ficaste sem estômago e sem baço mas não te rendeste. Nunca! Jamais! Sempre foste um lutador até ao último segundo dos teus 59 anos de vida. Foi assim que viveste, fizeste-te assim quando aos 11 anos vieste para Lisboa com o que tinhas no corpo para trabalhar, atrás do sonho que não o "American Dream" mas o teu "dream". Este legado passaste e deixas comigo para que o permita seguir para as gerações vindouras.

Trabalhaste muito, de forma abnegada, heróica, estóica e dedicada, com um profissionalismo e saber sem iguais e aos 24 anos já eras (como muitas vezes me dizias) empresário, pai e marido. Que orgulho! Eu não era nada aos 24 anos comparativamente contigo, mas os valores, princípios e forma de estar na vida são ensinamentos que já detinha (e detenho ainda) aos 24 anos.


Durante a vida que tivemos em comum, meu pai, nem sempre concordámos, por vezes chocámos, mas o respeito e amor que nutrimos um pelo outro superou sempre todas e quaisquer adversidades. De mãos dadas, unidos, os três (a minha mãe também é protagonista deste caminho a que chamamos vida) superámos tudo como uma verdadeira família que seremos sempre mesmo que estejas a ver-nos do céu, com panorâmica como sempre tiveste a capacidade de ver, pois ao fim e ao cabo, sempre foste o nosso "visionário" e a luz que nos guiou.

Vivemos muito. Tudo de forma intensa, espontânea e natural. Com um sorriso nos lábios, um brilho nos olhos e com um positivismo sem igual entregámo-nos à vida e vivemo-la. Viajámos, passeámos, falámos, brincámos, rimos, fizemos grandes festas jantaradas, almoçaradas, pic-nic´s...

São estas e todas as outras memórias positivas que ficam em paralelo com uma saudade que vai teimar em me acompanhar até ao fim dos meus dias.

No final da tarde do dia 14 de Agosto de 2014 partiste fisicamente, mas ficarás sempre em espírito no meu coração e no da minha mãe, a esposa que escolheste e que sempre esteve do teu lado.

Até sempre pai!

Tuesday, July 29, 2014

A estranha leveza da... Demolição

Ponto prévio: não sendo o PS o partido cuja doutrina eu mais me identifico, não tenho pejo em admitir que considero António Costa um político de alguma craveira. 

Segundo o jornal Público, a CML pensa em demolir o quartel dos bombeiros sapadores que se encontra perto do Colombo. Tem 11 anos, é, segundo dizem bombeiros que lá prestam serviço, dos melhores nacionais e cumpre todas as exigências da Europa. 

Segundo se sabe, esta demolição e posterior venda do terreno em hasta pública vai dar prejuízo à CML e, segundo o mesmo jornal, já está "apalavrado" um negócio com a BES Saúde (que conveniência geográfica). 




Depois do péssimo timing e gestão de todo o processo de candidatura a secretário geral do PS, António Costa dá agora outro "tiro no pé" ao ordenar uma demolição no mínimo estranha e com suspeitas de negociatas. 

Mas, segundo os partidos da esquerda - nos quais se inclui o PS -, são os partidos de direita que estão "vendidos" ao grande capital.

Friday, July 25, 2014

A coragem de dizer "Não!"

A crise instalada no GES é a prova (se necessária) da falência do sistema bancário português (mesmo que BPN e BPP não fossem sistémicos), alarme que suou com o BCP.  

A queda de Ricardo Salgado e, consequentemente do grupo Espírito Santo, faz-me ter a esperança numa mudança no paradigma empresarial português, alicerçada na queda - vamos ver quem se segue - do lobby que domina desde a revolução da Abril os destinos do país.  

Família como a Espírito Santo e outras foram completas "Rothschild à portuguesa", bem como várias grandes empresas monopolistas que, ligadas ao poder político, foram decidindo legislatura após legislatura diferente daquilo que o povo tinha decidido nas urnas.
 

Anos, décadas a fio até uma crise económica de escala mundial colocar a nu a forma negligente como Ricardo Salgado e outros que tais geriram os bancos pelos quais davam a cara. No caso do BES (banco sistémico) a situação poderia ser mais triquilitante não fosse a acção do Banco de Portugal que, em boa hora, fora separando a "carne do isso", ou seja, o BES do GES; e o redondo "Não!" de Pedro Passos Coelho a Ricardo Salgado.  

"Não fez mais do que a sua obrigação", "Finalmente faz algo pelos portugueses". Tudo argumentos válidos mas que têm um valor absolutamente incomensurável se pensarmos que, durante anos e décadas, nenhum político o fez e que outros, como José Sócrates, ainda fizeram pior ao "fechar os olhos" em troca de "ajudas" políticas.  

Ricardo Salgado (não gosto da nomenclatura "dono disto tudo") caiu em desgraça, perdeu, tão rápido como perde o poder no banco, amigos e aliados. 

Estas quedas fazem-me ter uma réstia de esperança na queda de outros como o sector energético ou o das telecomunicações. Talvez assim seja retomada a confiança de uma população num país, numa economia e sector empresarial mais justo e equilibrado.  

Veremos...

Tuesday, July 15, 2014

Assinar os textos jornalísticos: Sim ou não?

Há uns dias, a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista decidiu ameaçar os Órgãos de Comunicação Social, na pessoa do "Público", sobre uma decisão que data de 2008 e que, basicamente, proíbe os estagiários de assinarem as peças.

Não defendendo ninguém, mas dando a minha opinião - desde logo inclina o campo para um dos lados - devo dizer que compreendo a CCPJ como defensora do trabalho do jornalista, que recebe remuneração, que tem (ou deveria ter) a Carteira Profissional para exercer a função, mas não concordo quando o mesmo órgão coloca em causa a capacidade dos estagiários acederem às fontes de informação, ou mesmo de elaborarem a pesquisa para formulação de uma notícia.


Julgo que o caso não deverá seguir por este caminho, mas também não se deve banalizar a profissão de Jornalista, cada vez mais desrespeitada. Porém, o caso passa pelo uso e abuso dos estágios não-remunerados, os quais vários Órgãos de Comunicação Social fazem destes o "modus-operandi". Fazer algo sem receber algo em troca não é trabalho e/ou emprego, mas sim um "hobby" e, aí sim, esgota-se a capacidade de um estagiário assinar os textos que produz. O ponto de partida é terminar com os estágios não-remunerados terminando uma espiral de aproveitamento laboral que, qualquer dia, parece irreversível.

Pagar os custos de deslocação e de refeição é o mínimo exigível a pagar a um estagiário que fará, à priori, uma série infundada de horas de trabalho. Mas a questão não se esgota nos valores monetários. A forma como é estruturado o estágio deverá, obrigatoriamente, ir a debate. Os docentes, na carta enviada à CCPJ, referem que os estagiários são devidamente acompanhados. Mas serão mesmo?

Na minha óptica, a "generalidade dos Órgãos de Comunicação Social" não fazem o devido acompanhamento aos estagiários; não os "formam" e preparam para o mercado de trabalho, não os "ensinam", ou os lançam para uma profissão que um dia consideraram de sonho. Tirar cafés e fotocópias é uma realidade que ultrapassa em muitos os filmes de Hollywood.

Os estágios são necessários como passagem para uma realidade que é dura, mas serem um mal necessário já é algo não desejável. Compete às entidades (CCPJ e Órgãos de Comunicação Social) chegarem a uma plataforma de entendimento para que a profissão não morra.

Sunday, July 6, 2014

Uma referência, uma inspiração!

Quando era mais novo via-o na televisão e dizia: "Quero ser como este senhor! Quero ser jornalista" Este senhor que todos os domingos (e não só) me entrava pela casa chamava-se Rui Tovar. 

Hoje, talvez consiga justificar em Rui Tovar uma das razões para gostar tanto de jornalismo, nomeadamente o desportivo, e ter a sorte de o exercer. 

Aquela cara característica e voz ímpar sempre me prenderam até aos dias de hoje. Infelizmente, aos 66 anos, perdemos um vulto do jornalismo desportivo nacional. 

Da parte que me toca não será, por certo, egoísmo dizer que perdi uma referência profissional.

Monday, June 16, 2014

Que Selecção no futuro?

Começou o Mundial para Portugal. Começou mal para nós e para Milorad Mazic, o árbitro sérvio que deixou muito a desejar - tal como alguns dos seus pares - ao assinalar mal uma grande penalidade a favor da Alemanha e ao não assinalar uma nítida a favor de Portugal.

Isto não desculpa tudo (ou nada), mas ajuda a perceber os 4-0 com que fomos brindados no arranque do certame-rei de selecções. Este cenário leva-me a outra análise. Não é por este jogo, apesar de não concordar totalmente com a convocatória de Paulo Bento (as lesões comprovaram o desequilíbrio existente), mas já não há nada a fazer em relação a esse facto. Tem de se olhar para o futuro.

Somos uma das selecções mais velhas das 32 que estão no Brasil e ficou claro que a seguir à competição será necessária uma "mini" revolução na Selecção Nacional. Há jogadores que já não dão mais do que este Mundial e teremos de começar a preparar, o quanto antes, a mudança. Esta obriga, por certo, a mudar o paradigma com que se pensa o Futebol português e a não-aposta no jogador nacional com maior regularidade. Há jovens a despontar e os clubes têm a responsabilidade de os deixar explanar o talento na relva com as consequências que isso acarreta. A vida é feita de riscos.

A seguir ao Mundial, o seleccionador - seja ele qual for - terá de observar e analisar vários jovens que vão dando cartas e chamá-los aos compromissos da equipa AA. Nomes como André Gomes, Adrien Silva, Cédric Soares, João Cancelo, Ivan Cavaleiro, Rafa, Pizzi, Nélson Oliveira, Neto, Éder, João Mário, Pedro Tiba, Bruma, Carlos Mané, William Carvalho ou Ricardo Horta terão de ser vistos, a breve trecho, como as soluções de futuro de Portugal. Dadas as reais oportunidades, o ónus de serem bem-sucedidos é transferido para os futebolistas.

Assim poderemos continuar a ostentar "brilharetes" em Mundiais e em Europeus, e a cimentar um lugar nas posições cimeiras do Ranking da FIFA.

No Brasil é fazer a melhor figura possível.

Tuesday, May 27, 2014

A minha "Champions"

Destacado para assistir à Final da Liga dos Campeões, o meu dia começou cedo e acabou já noite dentro, tal como a emoção e ansiedade que me fizeram companhia.

No dia 24 de Maio tive a oportunidade de assistir - na minha óptica - a um dos dois jogos mais importantes do Planeta Futebol. O Estádio da Luz foi palco de luxo, mas já lá vou...

Passei a manhã a trabalhar já com a Final na cabeça, parei a meio da manhã e fui sentir, para o centro de Lisboa, o "cheiro" da Liga dos Campeões. O ambiente, a festa, a energia, o optimismo... Antes do apito inicial todos acreditam que podem ganhar, mesmo que o jogo (não era o caso) coloque um David contra Golias. Por Lisboa, o castelhano era a língua que reinava e percebi que a rivalidade entre os emblemas de Madrid é saudável. Pelo menos pareceu-me mais do que aos pares da capital lusa diz respeito.

O trânsito estava condicionado em boa parte da cidade e o centro nevrálgico estava no raio de acção que ia da Avenida da Liberdade até ao Terreiro do Paço. Aí, era a Polícia quem mais ordenava. Contudo, consegui aproximar-me e perceber os cânticos (cada adepto puxava mais pela garganta para ofuscar o adversário), as conversas entre uma cerveja e outra, as romarias avenida acima e avenida abaixo. O centro estava "pintado" de branco por um lado e de vermelho e branco por outro. Bandeiras e cachecóis também faziam parte da indumentária.

Almocei e dirigi-me para o Estádio da Luz. As portas ainda estavam fechadas, o trânsito estava próximo do caótico e já se vislumbravam adeptos de ambas as equipas nas zonas contíguas à Catedral. Porém, ao contrário do que se passara no Centro de Lisboa, à volta do Estádio estavam em locais opostos, mas aqui e ali cruzavam-se sem registo de incidentes.

O dever chamava-me e entrei para trabalhar... No palco da grande Final tudo a postos para ser, por 90 minutos, o centro do Mundo.

Ainda faltavam várias horas e como tal não subi de imediato às bancadas. Tal acto tresloucado quase me fez perder o início do jogo e da cerimónia que o antecede já só vi parcos minutos. Fui, todavia, muito a tempo de ouvir Mariza a cantar o Hino da "Champions", o tal de que já falei no texto anterior e devo admitir que foi um orgulho ver Portugal tão bem representado antes como esperava que fosse durante.


Os adeptos do Real Madrid e do Atlético de Madrid davam colorido às bancadas com as suas coreografias. No País vizinho até tenho predilecção pelo Real Madrid, mas a atitude dos fãs do Atlético de Madrid não me deixou indiferente. Mais fervorosos, sempre de pé e a puxar pela equipa durante os 120 minutos, mesmo quando tudo já estava perdido, deixou-me emocionado e ficaram com um lugar no meu coração. Pequeno, é certo, mas arranja-se aqui qualquer coisa para os "colchoneros". Do lado "merengue", confirmou-se o que já me tinha dito. Não cantam muito, mais parece que estão no teatro ou no cinema, mas tenho de admitir que depois dos 90 minutos, principalmente e a partir dos 70 minutos, ligeiramente, foram equilibrando a contenda.

O Real Madrid ganhou, mas houve mais vencedores nessa noite. O Estádio da Luz pela capacidade de resposta às exigências, a organização da UEFA, Benfica e Câmara Municipal que fizeram Lisboa ficar bem na fotografia, Madrid, pois não é fácil colocar as duas principais equipas da cidade numa Final europeia a jogarem tão bem e como emoção até ao fim ao melhor estilo de William Shakespeare.

Saturday, May 24, 2014

Quem conhece a origem do Hino da "Champions"?

Hoje é dia de Liga dos Campeões! Lisboa é o centro da Europa do Futebol. Não deixa de ser curioso tendo em conta que estamos a falar da capital mais ocidental de um País que, para muitos, é periférico à Europa.

Todos os caminhos vão dar a Lisboa e mais particularmente ao Estádio da Luz. Os clubes rivais de Madrid enfrentam-se numa Final inédita da Liga dos Campeões e o castelhano é, por estes dias, a língua estrangeira que mais se houve na capital portuguesa.

Se perguntarmos sobre a "Champions", todos, do mais leigo, ao mais entendido, sabe o que é, o que significa, como surgiu e por adiante. Ao fim e ao cabo, é a competição mais importante de clubes. É vista por milhões em milhões de países e gera milhões de receita e de prémios. Por isto e muito mais é apelidada de Prova "Milionária".

Mas e se perguntarmos pela origem do Hino da "Champions"? Talvez nem todos o entendam e saibam como surgiu. Este Hino advém da música clássica e foi uma adaptação feita por Tony Britten da música "Zadok the Priest" do compositor alemão, entretanto naturalizado inglês, Gerorge Frideric Handel. Esta é uma composição musical do Séc.: XVIII e que surgiu como exaltação ao Rei inglês.

Em 1992, a pedido da UEFA (organismo que organiza a Liga dos Campeões) Tony Britten criou a música de abertura para os jogos desta competição. Tony Britten, juntamente com a Royal Philarmonic Orchestra e com o Coro da Academia de St. Martin, criaram o Hino através da música de Handel e deu-lhe um mediatismo sem igual.

Hoje, pelas 19h45 portuguesas, o Estádio da Luz vai "ouvir" o Hino da "Champions".

Tuesday, May 6, 2014

Mãe!

Hoje, dia 3 Maio, é o teu dia, mas tu és (e tens sido) minha mãe todos os dias.

Contagias-me com o teu sorriso, gargalhadas, conversas, carinhos ou mesmo reclamações. Tudo isto e muito mais preencheram-me e fazem de mim o que sou.

Em ti, todos enaltecem a simpatia, o sentido de humor, os cozinhados... Eu destaco o teu sincero altruísmo. Sem quereres receber nada em troca sacrificas-te e muito pelo meu bem-estar, o nosso bem-estar, com um sentido de família sem igual.


Obrigado por tudo o que me tens dado, mas acima de tudo agradeço-te a paciência que tens tido comigo, pois sei que não sou uma pessoa (filho) fácil.

Thursday, May 1, 2014

20 anos e parece que foi ontem

No dia 1 de Maio de 1994 tive um misto de emoções. Recordo-me que estive num casamento de uns amigos de família, tinha 13 anos (quase a fazer 14) e até me diverti bastante. Não obstante estava ansioso por saber o resultado de Ayrton Senna em San Marino.

O piloto brasileiro, o meu único preferido, tinha mudado para a Williams depois de anos a fio na McLaren e ainda não tinha pontuado. A esperança era San Marino, mas a esperança rapidamente virou pesadelo. Sem saber do que acontecera em pista nessa tarde, divertia-me no tal casamento e assim foi até ao final do dia.

Pela noite cheguei a casa e o meu avô - não o sabia fã de Formúla 1 - tinha visto a corrida e o desastre que vitimou Ayrton Senna. Transmitiu-me a notícia da morte de um piloto. Perguntei-lhe: "Foi o Ayrton Senna, avô?" Não me conseguiu responder, pois tal nome era difícil de pronunciar e de decorar. Mas deu-me uma pista tão importante como desarmante: "Foi aquele que tu gostas muito!" Fiquei de rastos. Não queria crer que o mágico brasileiro que corria melhor à chuva do que qualquer outro em piso seco já não iria fazer-me companhia nas tardes de domingo.


Mesmo com essa pista, quis saber se era verdade. Esperei, esperei, esperei... até às 2h da manhã desse dia para confirmar o pior dos cenários. Ayrton Senna deixaria de acelerar nas pistas da Terra para fazer arte de bem conduzir nos caminhos de céu.

O choque foi tremendo em mim, uma dor muito grande que me bloqueou as lágrimas que queria soltar
. Elas chegaram entretanto e finalmente. Eu queria chorar! Queria fazê-lo para me libertar de tamanha dor, mas, principalmente, porque, então, era a minha mais sincera homenagem a um homem que me deu uma quantidade infindável de alegrias em várias tardes de domingo.

Desde o dia 2 de Maio de 1994 até aos dias de hoje, a Formúla 1 não mais foi o mesmo. Tenho quase 34 anos e julgo que nunca mais será o que um dia já foi.

Obrigado Senna! Descansa em paz estejas onde estiveres.

Friday, March 28, 2014

Um local... Onde Pessoa inspira a excelência

Quem passa pelo n.º1 da rua da Trindade, paredes meias com o largo do Carmo, não imagina que em tempos idos Fernando Pessoa fez desse espaço a sua casa. O lado esquerdo para ser mais preciso. Foram quatro anos de vida, de escrita, de pensamentos, de palavras, de versos... Enfim, de estórias que ainda hoje preenchem o nosso intelecto e nos fazem pensar mais além.

Este espaço sui generis, para muitos, desconhecido e para quase todos, distante, foi afinal a segunda casa onde o poeta permaneceu mais tempo, quatro anos (Campo de Ourique foi o seu lar de eleição).

Ontem a casa de Fernando Pessoa, hoje um espaço cultural resenhado, ecléctico e que busca, na inspiração de Pessoa, a excelência. Democraticamente aberto ao mundo - como a poesia do poeta -, o n.º1 da rua da Trindade dá as boas-vindas de braços abertos a todos aqueles que desejam exprimir a sua arte. Pintura, escultura, artesanato ou mesmo shiatsu... Tudo é possível e "cabe" entre aqueles dois braços ávidos de abraçar a cultura que cada artista traz dentro de si.


Uma mescla do passado e do presente encontram-se, cruzam-se e aceitam-se de bom grado criando uma sinergia que tem tudo para ter sucesso doravante. A arte contemporânea completa a cadeira, a mesa ou máquina de escrever do final do séc. XIX, início do séc. XX que teimam em não perder a vida que os encerra.

Entre trabalho, tertúlias e workshops todos os que tiveram a coragem de dar o passo em frente, descobrirão o mundo novo que não se desligou do passado.


Deixa-te seduzir por este espaço com os ecos e o "charme" do Pessoa!

Monday, March 24, 2014

José Sócrates e a austeridade

O antigo Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates, no seu habitual comentário de domingo na RTP falou da austeridade e do mal que ela provoca e tem provocado aos portugueses.

É verdade! Mas não é menos verdade que um dos grandes causadores desta austeridade necessária não deixa de ser o mesmo José Sócrates que ontem criticou as medidas colocadas em marcha por este Governo. Fazendo-se aproveitar de uma capacidade de comunicação e de argumentação ímpar, José Sócrates tentou mostrar que tudo que de mal se tem passado em Portugal nos últimos anos não se deve à sua (in)governação com tentativas de adiar o inadiável através de PEC´s que foram saindo em barda.

Outro aspecto abordado tem que ver com os anos de recessão económica. Não está errado, mas aqui está apenas meia-verdade. Ficou por dizer que as exportações aumentaram, que o desemprego está a diminuir, que há maior investimento estrangeiro em Portugal, que o valor das poupanças dos portugueses está em crescimento… Isto leva à conclusão que, depois da tempestade, está a vir a bonança financeira e isso não se deve a José Sócrates e ao seu Governo, mas sim a este Governo e, sobretudo, aos portugueses que nunca deixaram de acreditar que, mais cedo do que tarde, viria a retoma.


A temática “consensos” deixou o antigo Primeiro-Ministro com os cabelos em pé. Aquilo que era necessário em 2011 para o bem do País, já não o é em 2014, curiosamente quando o Partido Socialista está na oposição e numa altura tanto ou mais fulcral para o sucesso económico de Portugal. Os “consensos” são sempre necessários na política e é o que se pede, pelo menos, aos partidos do arco da governação, independentemente do papel político que desempenham. Os interesses do País terão de ser sempre superlativos em relação aos dos partidos e, principalmente, dos políticos.

 A análise à (des)governação de José Sócrates tem ainda de ser vista no âmbito das PPP´s. Portugal “subscreveu” 36 e os Governos liderados pelo actual comentador da RTP estão ligados a 20. Negócios ruinosos na sua maioria e que justificam, em parte, a tal austeridade que hoje em dia, mais do que necessária é obrigatória.

Mas nem tudo foi mau no tempo de José Sócrates. Investimentos na saúde, no parque escolar, a criação das Novas Oportunidade e a criação do Simplex foram boas medidas que ainda hoje vigoram de forma positiva.



Thursday, March 20, 2014

Obrigado pai!

Obrigado pai! 

À tua maneira tens-me dado todos os dias o teu amor incondicional. Ensinaste-me quase tudo o que sei e incutiste em mim valores e princípios que ainda hoje me acompanham. 

Contigo percebi que é preciso lutar muito para termos algo, que nunca devemos desistir dos nossos sonhos e que a vida não nos dá nada de mão beijada. 

Nem sempre concordaste com as minhas decisões, mas sempre as apoiaste e nunca me negaste um conselho que me desse a luz para o caminho certo. 

Tens sido a minha referência e o meu herói desde os meus tempos de meninice. 

Amo-te muito! Feliz dia, pai!!!

Tuesday, March 11, 2014

Partir ou Ficar?

Ontem, dia 10 de Março, vi o programa da RTP, "Prós e Contras". O tema versava sobre a emigração e dava pelo nome de "Ficar ou Partir". Tema tão interessante como as ideias lá debatidas pelas pessoas (não menos interessantes) lá presentes.

O tema é tão actual como agudizante e ambas as situações são válidas desde que bem justificadas e ponderadas. Partir é hoje tão legítimo como ficar. É natural, contudo, que quem opte por ficar, por acreditar em si, nas pessoas que o rodeiam, seja na vida pessoal como na vida profissional, não consiga perceber a lógica do partir. Nem sempre é fácil - e por vezes nem queremos - colocar-nos no lugar de outrém; partir obriga a outras contingências, a outros sacrifícios. Sem querer quantificar a importância, o peso ou a espessura dos mesmos, partir leva-nos a testar os nossos limites, a sair da zona de conforto, a adaptar-nos a realidades, culturas e pessoas diferentes. Mudamos a nossa forma de viver, de ver a vida...

Tenho familiares e amigos que, por esta ou aquela razão, tiveram de emigrar. Não é fácil deixar tudo para trás, largar as raízes, tudo o que se construiu, mesmo que seja um pequeno nada, para tentar tudo de novo num Mundo novo. Os amigos e familiares que o fizeram merecem todo o meu respeito por terem tido essa coragem que eu (ainda) não tive. Só por isto terão de ser valorizados e elevados a quase estado de pedestal em Terra.

Com poucas ou muitas habilitações, com emprego ou sem ele, os familiares e amigos que fui obrigado a largar mostraram-me que há ainda muito por conquistar séculos depois do tempo dos Descobrimentos. Eles, todos eles, com mérito e sabedoria, souberam preencher o seu espaço, conquistar as suas independências (e não falo apenas da financeira), as suas felicidades e, até, as suas famílias. O emprego é "apenas" o subterfúgio usado para justificar uma ida que possivelmente iria acontecer mesmo que esta não fosse a motivação primária. Esta coragem, este acto, fez-me sentir pequenino por nunca ter tido a coragem de tentar ser melhor fora da "minha" casa que tanto adoro. É, hoje, com manifesta felicidade e imenso orgulho que vejo o sucesso que vão fazendo por terras longínquas, elevando bem alto o nome de Portugal.  


Todavia, ficar, hoje, não é tão bem mais fácil como outrora. Nos dias que correm, ficar é um acto de coragem, de benevolência para consigo e para com o País. Um País que sempre teve uma elevada tendência para emigração (por razões distintas), mas que agora, mais do que nunca, precisa da força laboral de todos (parafraseando Raquel Varela, uma das oradoras da noite), correndo sérios riscos de não se recolocar de pé, de levantar a cabeça, de ter orgulho em si e nos seus para entrar triunfante e com bases sólidas nos mercados. Uma economia forte não se pode dissociar da força de quem a alavanca, sejam empresários ou trabalhadores. Ficar é, hoje, tão doloroso como urgente, pois só todos, juntos, poderemos conseguir um Portugal melhor do que ontem e com capacidade para melhorar nos amanhãs que se aproximam.

Aqui, neste paradoxo, os portugueses e as empresas em Portugal, públicas ou privadas, têm um papel a desempenhar, uma palavra a dizer. É neste paradoxo sócio-laboral onde me encontro e para o qual quero e devo contribuir activamente. Os novos desafios competitivos obrigam-nos a ser melhores hoje do que fomos ontem.

No programa muito se falou da capacidade formativa em Portugal, situação que não consegue ser abarcada na plenitude por um mercado de trabalho estreito e curto. A emigração parece ser a decisão mais óbvia, portanto. Talvez não, se o Estado não se i
miscuir das suas responsabilidades. Neste particular, criar mecanismos para dinamizar a economia, como são: a captação de investimento directo estrangeiro que traga emprego; criar plataformas de investimento interno ao nível das PME´s, permitindo que alcancem outros voos que as levem, a médio prazo, a outras latitudes. As PME´s são o grosso do tecido empresarial nacional e é com elas que a economia nacional terá de ser alavancada; apostar de forma clara em sectores tão importantes como lógicos pelo posicionamento geográfico do País e pela oferta de recursos naturais, como são as pescas e a agricultura; ser, por fim, uma porta de entrada de mercadorias na Europa aproveitando o porto de Sines (tem vantagens claras sobre os seus concorrentes directos: Roterdão, Valência e Hamburgo) e a abertura do Canal do Panamá.

Só assim poderemos ter um Portugal melhor para quem está e que seja apetecível para os demais portugueses que, por esse Mundo fora, querem regressar e aportar para a economia as valências conseguidas noutras realidades.


Saturday, March 8, 2014

Dois pesos e duas medidas

Na pretérita quinta-feira, as polícias deste País, entenda-se PSP, Polícia Marítima, ASAE, elementos da GNR e guardas prisionais, voltaram a plantar-se na escadaria da Assembleia da República para reclamarem contra os cortes salariais.

Até aqui tudo bem. É legítimo, concorde-se ou não. Estão na luta pelos seus direitos tal como muitos portugueses, de vários quadrantes sociais e profissionais têm feito nos últimos anos. A crise económica assim obriga.

A dúvida - para não lhe chamar algo mais feio - surge quando se percebe que as forças policiais têm para com os colegas um tratamento diferenciado do que sucede para com os demais portugueses. A carga policial é exageradamente assoberbada quando outras classes que não a polícia exercem o direito de manifestação, seja na escadaria da Assembleia da República, seja em qualquer outro local do País. Esta diferenciação de tratamento é que é condenável e leva a que fique tudo mal.


Com isto não digo que quero ver polícias a baterem-se mutuamente, mas quero (e acho que o posso exigir como cidadão) o mesmo tratamento digno nas demais manifestações realizadas. Convém recordar o que se passou em 14 de Novembro último em que a escadaria da Assembleia da República foi assaltada por pedras da calçada, às quais se seguiram o arremesso de várias tochas acesas e a delinquência gratuita - e reprovável, digo eu - de vários contentores do lixo junto a viaturas que poderiam ter causado danos nefastos. Este cenário obrigou a uma carga policial sem igual por parte das forças de intervenção, algo que não critico face ao estado de sítio que se verificou.

O que não posso aceitar é dois pesos e duas medidas. Uma semana depois deste "motim" social, as polícias manifestaram-se (tal como fizeram há dois dias) e subiram a escadaria do Parlamento num total desrespeito pela casa da democracia e pelos colegas que moderavam a segurança na manifestação. A postura das forças policiais, nesse dia 21 de Novembro de 2013, foi de uma tolerância atroz, que roçou uma ameba, tamanha foi a indolência que se viu nos actos praticados na protecção ao espaço da escadaria da Assembleia.

É isto que não posso e não devo tolerar. Num País que se diz democrático, a acção da Polícia deveria ter sido a 21 de Novembro, como em 14 de Novembro, exemplar na propagação da ordem pública.

Wednesday, February 19, 2014

Jornalismo vs fama

Sou jornalista, mas estou muito longe de ser famoso. Porém, a minha profissão está praticamente indissociada de uma "certa" fama que, quer se queira, quer não, acaba por se ter.

Não estava habituado a ela, mas parece que vou ter de me habituar e não o faço a gosto. Ao assinar uma peça ou um texto jornalístico estou sujeito a que isso aconteça e só me resta adaptar-me a essa realidade.

A crítica é bem-vinda quando construtiva e aporte algo de bom para o nosso desempenho profissional. Ao escrever uma notícia e ao assiná-la, ela entra na esfera pública e isso tem consequências, positivas, negativas ou híbridas.

Foi o que aconteceu há uns dias. Alguém "violou" a minha conta do facebook e teceu algumas críticas (umas mais duras do que outras) ao texto que havia escrito. Não ao conteúdo, mas à forma. Li, aceitei e não respondi. Não pareceu prudente fazê-lo, não pareceu interessante abrir uma "frente de batalha" verbal no nessa rede social, mas, repito, li, retive as críticas/conselhos, levantei a cabeça e continuo a fazer o meu trabalho, a desenvolver a minha profissão - jornalista - como melhor posso e sei, com uns dias melhores do que outros, mas quando chego a casa deito-me de consciência tranquila sobre o meu desempenho.

Não posso (nem quero) ser pretensioso, mas devo ser (e quero) ser realista!


Thursday, January 23, 2014

Scorsese faz diferente

O filme "Lobo de Wall Street" é uma história que não traz nada de novo a Hollywood. Quem não se lembra dos filmes "Wall Street" em que o protagonista é um tal Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas?

Porém, qual toque de midas, Martin Scorsese consegue sempre fazer diferente. Com ele, toda a história ganha outro élan, outra amplitude que não tem com outros. Não é o meu realizador preferido, mas está entre eles.

O toque de midas de que falo não é só para a trama em si, mas, principalmente, para Leonardo DiCaprio. De um actor com potencial, mas que corria a passos largos para ser só mais uma cara bonita que Hollywood produzira, tornou-se, sob a égide de Scorsese, um dos mais completos, versáteis e aclamados actores do panorama cinematográfico mundial.

O que é que o "Lobo de Wall Street" tem que os outros não têm? Primeiro do que tudo tem a comédia, estilo pouco ou nada utilizado nos Estados Unidos quando se fala de um assunto tão sensível como a especulação financeira; tem a acção inerente ao argumento e o deboche típico de um "novo-rico" que quer ser excêntrico e que necessita de ser notado para se afirmar num mundo cão como o da alta finança norte-americana.


Com Scorsese no comando, o deboche é, quase sempre, a alavanca do filme, dando-lhe outra veracidade, autenticidade. Aquela mescla de acontecimentos desprovidos de nexo é a realidade crua da sociedade norte-americana, cujo peso material é desmesuradamente maior do que qualquer outro valor moral.

Experiente no cinema como na vida, o realizador trouxe à tona tudo aquilo que é verdade, mas que, aqui ou ali, tenta ser negado ou escondido. Quantos "Jordan Belfort´s" não existem ou existiram outrora em Wall Street ou em qualquer outra bolsa da Europa ou do Mundo? Contado na primeira pessoa por Jordan Belfort, Scorsese montou um filme que é um forte candidato ao Oscar de melhor filme. Com várias nomeações, o "Lobo de Wall Street" pode ser um dos grandes vencedores ou dos grandes perdedores.

Todavia, numa coisa Martin Scorsese já ganhou! Ninguém fica indiferente ao filme, ao seu argumento mas, sobretudo, ao papel desempenhado por Leonardo DiCaprio. Ou se gosta ou não e isso é já, por si, uma grande vitória!

Tuesday, January 21, 2014

Co-adoptemos conflitos

E de repente, sem se perceber muito bem como e porquê, discutiu-se na Assembleia da República um possível referendo à co-adopção entre membros do mesmo sexo.

A importância do assunto não está em causa, mas, como em quase tudo, a mesma é relativa e, neste momento, há assuntos muito mais preementes do País do que a co-adopção que pareceu muito mais um aproveitamento político da JSD e que (mal) teve a conivência do Governo liderado pelo PSD - o CDS absteve-se na votação.

Neste particular, pareceu-me que o PSD através da sua "jota" quer co-adoptar conflitos e juntá-los aos muitos que vai somando no primeiro mandato de governação. O timing é péssimo e talvez só sirva mesmo para despistar as pessoas dos verdadeiros problemas do País.

Sobre a co-adopção era, a princípio, uma pessoa conservadora nesta matéria. Considerava (e considero) que a sociedade tem de se preparar para uma nova realidade, um novo desafio social. Com o reconhecimento, em Portugal, do casamento entre membros sexo, a sociedade lusa de uma forma generalizada foi-se preparando para as realidades adjacentes onde se incluem a co-adopção entre pessoas do mesmo sexo.


Hoje, considero que passou o tempo minimamente suficiente para a co-adopção ser uma realidade em Portugal, mas o timing de escolha para a discussão desta matéria não é a mais acertada.

Finalizar dizendo que é melhor para uma criança ser amada por duas mulheres ou dois homens do que não sê-lo de forma alguma.

O nosso Rei, Eusébio!

É verdade que já passaram alguns dias sobre o falecimento de Eusébio da Silva Ferreira, mas quando se fala de alguém que é eterno - pelo menos para os benfiquistas e para (alguns) portugueses - o tempo é somente uma questão temporal de somenos importância.

No momento em que escrevo distam quatro dias da data em que Eusébio celebraria, se ainda estivesse entre nós, 72 anos. Tenho 33 anos e, como tal, de Eusébio e do "seu" Benfica não recordo os golos, as arrancadas, as fintas em velocidade, os festejos, os... choros. Vi algumas dessas imagens na televisão. Já as tinha visto há uns anos quando, ainda na escola secundária, fiz um trabalho sobre ele e a importância que teve na construção do Benfica dos anos 60 numa máquina de Futebol ofensivo, e vi muitas mais agora, neste momento de dor.

Porém, há um momento que não esqueço. Um dia, no Estádio da Luz, entrei no elevador e enquanto esperava que as portas do mesmo se fechassem, eis que entra uma pessoa que me deixou enregelado. Essa pessoa era Eusébio da Silva Ferreira! Naquele momento de breves segundos (mas que pareceram minutos, horas...) ocorreram-me dizer mil e uma coisas que seriam, por certo, mil e uma barbaridades, mas fiquei parado, paralisado e apenas disse boa tarde, cumprimento ao qual, amavelmente, recebi retorno.


Aquela "viagem" fica marcada como um dos momentos da minha vida, o momento em que pude dividir o espaço físico com um monstro do Futebol Mundial. Naquela "viagem" senti-me tão pequeno perante tal figura, que era um misto de imponência e de simplicidade, e nada disse para além do supra-citado "boa tarde". Eu, que até me considero uma pessoa extrovertida, fiquei estarrecido perante tal presença e não tive coragem de dizer as mil e uma barbaridades que me passaram pela cabeça naqueles breves segundos que tanto marcaram a minha existência e, certamente, vão continuar a marcar.

Por muito insignificante que possa parecer, aquele é o meu momento com Eusébio da Silva Ferreira. Permitam-me ser egoista, mas este momento é o "meu" momento, é o "nosso" momento, mesmo que para o "Pantera Negra" nada tenha significado.

Eusébio é de todos os benfiquistas, de todos os portugueses, do Mundo! Mas este "nosso" momento é algo que vou guardar para sempre como... meu!