No dia 1 de Maio de 1994 tive um misto de emoções. Recordo-me que estive num casamento de uns amigos de família, tinha 13 anos (quase a fazer 14) e até me diverti bastante. Não obstante estava ansioso por saber o resultado de Ayrton Senna em San Marino.
O piloto brasileiro, o meu único preferido, tinha mudado para a Williams depois de anos a fio na McLaren e ainda não tinha pontuado. A esperança era San Marino, mas a esperança rapidamente virou pesadelo. Sem saber do que acontecera em pista nessa tarde, divertia-me no tal casamento e assim foi até ao final do dia.
Pela noite cheguei a casa e o meu avô - não o sabia fã de Formúla 1 - tinha visto a corrida e o desastre que vitimou Ayrton Senna. Transmitiu-me a notícia da morte de um piloto. Perguntei-lhe: "Foi o Ayrton Senna, avô?" Não me conseguiu responder, pois tal nome era difícil de pronunciar e de decorar. Mas deu-me uma pista tão importante como desarmante: "Foi aquele que tu gostas muito!" Fiquei de rastos. Não queria crer que o mágico brasileiro que corria melhor à chuva do que qualquer outro em piso seco já não iria fazer-me companhia nas tardes de domingo.
Mesmo com essa pista, quis saber se era verdade. Esperei, esperei, esperei... até às 2h da manhã desse dia para confirmar o pior dos cenários. Ayrton Senna deixaria de acelerar nas pistas da Terra para fazer arte de bem conduzir nos caminhos de céu.
O choque foi tremendo em mim, uma dor muito grande que me bloqueou as lágrimas que queria soltar
. Elas chegaram entretanto e finalmente. Eu queria chorar! Queria fazê-lo para me libertar de tamanha dor, mas, principalmente, porque, então, era a minha mais sincera homenagem a um homem que me deu uma quantidade infindável de alegrias em várias tardes de domingo.
Desde o dia 2 de Maio de 1994 até aos dias de hoje, a Formúla 1 não mais foi o mesmo. Tenho quase 34 anos e julgo que nunca mais será o que um dia já foi.
Obrigado Senna! Descansa em paz estejas onde estiveres.

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