Monday, April 20, 2020

OS MAIS E OS MENOS DA COVID-19


Em março irrompeu por Portugal o novo coronavírus, deixando o País, primeiro sobreaviso e, mais tarde, parado. Ou quase! Alguns sectores – como o Serviço Nacional de Saúde e os hospitais privados – mantiveram a atividade.
Com tempo e percebendo o impacto negativo que a COVID-19 tivera em países como China – de onde é originário –, Itália, Holanda, Suíça, Bélgica e mais tarde Espanha, Portugal jogou em antecipação. Os portugueses, antes de qualquer ordem marcial, rapidamente entenderam o problema e atacaram-no com responsabilidade. O teletrabalho entrou nas casas das pessoas, o confinamento começou a fazer parte do dia a dia… Os portugueses compreenderam que a vida não seria, para já, como dantes e o abdicar (com algumas – felizmente, poucas – exceções) de datas importantes como a Páscoa permitiu aplanar a curva mais cedo do que o mais optimista dos cenários.
A ministra da Saúde apontou ao hiato entre 23 e 25 de março como o pico do surto em Portugal. Não temos a certeza, mas os indicadores são positivos e o gráfico da Universidade Johns Hopkins não engana, a curva está a ser lentamente achatada.
A normalidade, segundo o primeiro-ministro António Costa, vai ser obtida de forma gradual e, espera-se, coordenada e ordenada a partir de maio. Ou seja, fica na retina a possibilidade de não se renovar o estado de emergência, depois de ter acontecido por três vezes, desde 19 de março.
Assim, é hora de apontar aos mais, aos menos e aos assim-assim desta fase:

OS MAIS:
António Costa: o primeiro-ministro foi firme e assertivo nas suas intervenções. Passou uma imagem de confiança aos portugueses e nunca transpareceu ter perdido o norte, mesmo que tivesse acontecido. Nestes momentos, Portugal precisa de líderes fortes. António Costa foi-o, mesmo que, aqui e ali, tivesse cometido gaffes, como a da austeridade. Num dia, não vai haver de certeza, seis dias depois, é uma possibilidade.
Rui Rio: um Governo é tão forte conforme a força vinda da oposição. Chapeau a Rui Rio nesta fase. Foi estadista, soube estar e isso trouxe-lhe elogios dentro e fora de portas. Até a bancada reconheceu as suas palavras de responsabilidade. Ainda assim, soube criticar quando foi preciso, como no caso da libertação dos presos. Ponto negativo? A carta aos militantes do PSD. Desnecessário!
Marta Temido: a ministra começou aos soluços, mas lá encontrou o trilho que a tem levado a bom porto. Da tremedura à solidificação. Assim é o trajeto de Marta Temido. Hoje, poucos põem em causa o porquê de se ter mantido no Governo contra todas as expectativas.
Profissionais de saúde e forças de segurança: incansáveis desde a primeira hora, têm respondido a preceito ao surto, sem esquecerem as demais doenças. O SNS, os hospitais privados, a PSP, a GNR e a Proteção Civil, hoje mais do que nunca, mostraram o quão necessário são para a manutenção da estabilidade social. A estes exigia-se quase o impossível e responderam com… um milagre. Muito obrigado!


OS MENOS:
Ferro Rodrigues: a insistência na celebração do 25 de Abril com 130 pessoas na Assembleia da República, sem consultar as autoridades de saúde, que têm norteado as decisões são só mais um prego no caixão da vida política do Presidente da AR. A este facto, junta-se uma postura muito pouco responsável para o cargo que ocupa. À cabeça, a dualidade de critérios em relação às bancadas de esquerda e de direita, permitindo desvarios a uns e sendo muito rigoroso para com outros. Mas há mais! A tentativa de apoucar deputados de direita como aconteceu com João Almeida do CDS não o dignificam como Presidente da casa da democracia.
Marcelo Rebelo de Sousa: o Presidente dos afectos foi traído pela COVID-19. A mesma não os permite e o Presidente da República pareceu vazio de conteúdo. Pouco ou nada tem dado ao País, a não ser o sentido de estado de ser o eco das decisões governamentais. É mau? Não! É pouco? É pouquíssimo para um Chefe de Estado em momentos de pandemia.
Graça Freitas: a celebração do 25 de Abril nestes moldes, sem o seu consentimento é só mais uma mancha no pano já por si bastante sujo. A diretora-geral da Saúde começou por apontar ao milhão de infetados, depois disse que afinal o coronavírus não ia chegar cá, depois não só não desautorizou as visitas aos lares, como os incentivou – com os resultados que se sabe –, não foi assertiva sobre se o ibuprofeno era ou não prejudicial, andando a reboque de uma OMS que também pareceu perdida, e foi pouco esclarecida sobre o uso ou não de máscaras. Os portugueses nunca puderam confiar ou contar com Graça Freitas. Assim, não vale a pena continuar.
André Ventura: num momento em que não se devia politizar a doença, o Chega, através de André Ventura, fê-lo, e em várias situações. Fê-lo no Parlamento com discursos incendiados e que pouco acrescentaram; fê-lo quando quis visitar doentes e lares, por demagogia e propaganda, pois sabia que isso só poria em perigo uma faixa etária já de si de risco; fê-lo ao afirmar ter entregue mantimento à igreja, com o padre a desmenti-lo. Só não o fez quando foi terminantemente contra a celebração do 25 de Abril nos moldes em que está pensado.

OS ASSIM-ASSIM:
João Cotrim de Figueiredo: A seu favor, a coerência que sempre teve no discurso, nomeadamente contra os sucessivos estados de emergência. Concorde-se ou não, tem esse mérito e explicou-o bem na AR. Ainda a seu favor, o aproveitar de forma irrepreensível o programa moderado pelo Ricardo Araújo Pereira: “Isto é gozar com quem trabalha”, da SIC, para explicar o que é ser um partido liberal em Portugal. Através da audiência e do eco nas Redes Sociais, os portugueses ficaram mais esclarecidos do que nunca nesta temática. De resto, o deputado da IL pouco acrescentou no estado de emergência e saiu pouco da sombra.
PCP e BE: não têm estado particularmente mal, mas têm sido bastante anulados pelo Partido Socialista, que tem sabido navegar este barco sem que preciso fosse ter os companheiros de Geringonça a bordo. Pouco ou nada têm acrescentado, sendo que os comunistas poderão ficar queimados com as iniciativas das centrais sindicais – CGTP e UGT – no 1 de maio. Veremos…