Marcelo é o novo Presidente da República! Esse é um dado
insofismável, tanto quanto os distritos que ganhou: todos!
Aliás, este é um facto inédito. Nunca um candidato a
Presidente da República o tinha conseguido à 1.ª volta. Este foi o cenário que “pintou”
a noite de domingo, dia 24.
Mas há mais… Primeiro, dizer que Marcelo Rebelo de Sousa foi
o grande (e único) vencedor da noite eleitoral; Maria de Belém Roseira e Edgar
Silva foram os grandes derrotados, mas as declarações de Jerónimo de Sousa
também o colocam neste indesejado patamar. Ao dizer que o PCP “poderia ter
arranjado uma candidata engraçadinha”, o líder comunista mostrou não perceber o
crescimento do Bloco Esquerda e do “tridente” feminino (Marisa, Catarina e
Mariana) desde as Legislativas.
Voltemos a Marcelo Rebelo de Sousa! O novo Presidente da
República fez uma campanha sóbria, sem compromissos a fim de não perder votos à
esquerda e à direita. Conseguiu-o, não por ter sido brilhante – não o foi – mas
sim porque os restantes candidatos mostraram ser muito fracos.
No discurso disse ser o Presidente de todos os portugueses
(Cavaco Silva também o disse no primeiro mandato) e da convergência, mas
Marcelo vai ter de fazer aquilo que menos gosta: deixar alguém para trás.
O novo Presidente da República mostrara no comentário
político gostar de agradar a “gregos e a troianos”; protelou essa postura para
a campanha, mas os desafios que Portugal atravessa e os vindouros obrigarão
Marcelo Rebelo de Sousa a tomar medidas, decidir. E isso obriga sempre a duas
partes: a mais forte (a que vence na decisão) e a mais fraca (a que perde na
decisão).
O dilema, porém, não se fica por aqui. Ao falar de
convergência, Marcelo mostrou querer unir a direita, aproximá-la da esquerda e
assim unir Portugal pelo bem comum. Ter sentido de Estado é importante,
sobretudo em momentos de crispação, mas o desafio não se antevê fácil. Marcelo não
pode negar a sua faceta conservadora, de ligação estreita com a Igreja Católica
e o facto de ser um dos fundadores do PSD. Pode ter-se demarcado do apoio dos
partidos da direita portuguesa, mas não pode negar o ADN político.
Ao longo da campanha eleitoral, Marcelo Rebelo de Sousa “piscou
o olho” a António Costa em várias ocasiões. O Primeiro-ministro terá
agradecido. E Bruxelas? Agradecerá? Veremos…
Uma palavra a Sampaio da Nóvoa. Excelente campanha
eleitoral, cresceu com o tempo e com os debates e na hora da derrota foi um
senhor. Discurso sóbrio, humilde e que soube reconhecer quem ganhou.
Vitorino Silva ou Tino de Rans, se preferirem, foi o
vencedor dos “candidatos do povo” e esteve perto de humilhar (ainda mais) Edgar
Silva. Como ele disse, fica-se pela “Liga Europa” e como a lufada de ar fresco
dentro do marasmo que foi a campanha eleitoral às Presidenciais.
Dos outros… bem, dos outros não reza a história.
