Monday, January 25, 2016

Rescaldo das Presidenciais

Marcelo é o novo Presidente da República! Esse é um dado insofismável, tanto quanto os distritos que ganhou: todos!

Aliás, este é um facto inédito. Nunca um candidato a Presidente da República o tinha conseguido à 1.ª volta. Este foi o cenário que “pintou” a noite de domingo, dia 24.

Mas há mais… Primeiro, dizer que Marcelo Rebelo de Sousa foi o grande (e único) vencedor da noite eleitoral; Maria de Belém Roseira e Edgar Silva foram os grandes derrotados, mas as declarações de Jerónimo de Sousa também o colocam neste indesejado patamar. Ao dizer que o PCP “poderia ter arranjado uma candidata engraçadinha”, o líder comunista mostrou não perceber o crescimento do Bloco Esquerda e do “tridente” feminino (Marisa, Catarina e Mariana) desde as Legislativas.

Voltemos a Marcelo Rebelo de Sousa! O novo Presidente da República fez uma campanha sóbria, sem compromissos a fim de não perder votos à esquerda e à direita. Conseguiu-o, não por ter sido brilhante – não o foi – mas sim porque os restantes candidatos mostraram ser muito fracos.




No discurso disse ser o Presidente de todos os portugueses (Cavaco Silva também o disse no primeiro mandato) e da convergência, mas Marcelo vai ter de fazer aquilo que menos gosta: deixar alguém para trás.

O novo Presidente da República mostrara no comentário político gostar de agradar a “gregos e a troianos”; protelou essa postura para a campanha, mas os desafios que Portugal atravessa e os vindouros obrigarão Marcelo Rebelo de Sousa a tomar medidas, decidir. E isso obriga sempre a duas partes: a mais forte (a que vence na decisão) e a mais fraca (a que perde na decisão).

O dilema, porém, não se fica por aqui. Ao falar de convergência, Marcelo mostrou querer unir a direita, aproximá-la da esquerda e assim unir Portugal pelo bem comum. Ter sentido de Estado é importante, sobretudo em momentos de crispação, mas o desafio não se antevê fácil. Marcelo não pode negar a sua faceta conservadora, de ligação estreita com a Igreja Católica e o facto de ser um dos fundadores do PSD. Pode ter-se demarcado do apoio dos partidos da direita portuguesa, mas não pode negar o ADN político.

Ao longo da campanha eleitoral, Marcelo Rebelo de Sousa “piscou o olho” a António Costa em várias ocasiões. O Primeiro-ministro terá agradecido. E Bruxelas? Agradecerá? Veremos…

Uma palavra a Sampaio da Nóvoa. Excelente campanha eleitoral, cresceu com o tempo e com os debates e na hora da derrota foi um senhor. Discurso sóbrio, humilde e que soube reconhecer quem ganhou.

Vitorino Silva ou Tino de Rans, se preferirem, foi o vencedor dos “candidatos do povo” e esteve perto de humilhar (ainda mais) Edgar Silva. Como ele disse, fica-se pela “Liga Europa” e como a lufada de ar fresco dentro do marasmo que foi a campanha eleitoral às Presidenciais.

Dos outros… bem, dos outros não reza a história.