Monday, December 9, 2013

O filme mais barato de Polanski

A película em causa dá pelo nome de “Vénus de Vison” ou “La Vénus à la Fourrure” para os mais puristas do cinema.

Não sendo um filme para as massas, não deixa de estar em salas, ditas comerciais, como são as da Zon Lusomundo. Porém, Polanski optou por fazer, em França (não pode trabalhar nos Estados Unidos), um filme de baixo custo – não de série B – mas com a qualidade que se lhe reconhece.

Muito ao estilo do realizador, o “Vénus de Vison” aparece-nos na tela ao ritmo a que o polaco nos habituou e que nos leva a despender tempo para nos… habituarmos. A primeira parte é morna, quase enfadonha, mas o diálogo entre as duas personagens (as únicas, por sinal) é algo de arrebatador, que nos prende a cada palavra, numa mistura de comédia e drama, misturada com uma pseudo-vingança da actriz (do filme e no filme) Emmanuelle Seigner para com Sacher-Masoch, criador do sadomasoquismo.

Aos primeiros minutos de indecisão do encenador (Mathieu Almaric) sobre a possibilidade de a deixar fazer um casting, junta-se, de forma mordaz, uma conversa – quase fiada – da actriz para que pudesse ter a oportunidade de ser a escolhida na peça de teatro. Num quase monólogo, Vanda transporta para o Thomas uma baralhação que é transversal a quem vê a película numa sala de cinema.

Cedendo à oportunidade quase implorada, mas, no fundo, conseguida com muita mestria fruto de uma argumentação sem igual, Thomas começa, aí, a perceber que encontrou em Vanda – finalmente – a actriz perfeita para a peça de teatro que encena. Nos minutos subsequentes, os (únicos) dois protagonistas do “Vénus de Vison” entram num jogo de sedução, de domínio e de cedência física e intelectual que dá outro “ritmo” ao filme.

De repente, quem o vê na sala de cinema confunde-se com a ligação quase umbilical que Roman Polanski consegue dos dois argumentos (o do seu filme com o da peça de teatro encenada por Thomas), mostrando a sua qualidade como realizador que tem o mérito de conseguir prender, aí, o telespectador até ao cair do pano.


Depois de “Rosemary's Baby”, de “Frantic”, de “A Nona Porta”, de “O Pianista” e de “Oliver Twist”, “La Vénus à la Fourrure” surge como a sua última obra que difere das restantes no seu baixo custo, pois tem
apenas dois actores e passa-se (quase na íntegra) dentro de uma sala de teatro fechada, com pouca luz… A isto chama-se fazer muito com pouco!

Saturday, December 7, 2013

Valor do Natal? Consumismo!

Propositadamente, sabendo eu, de antemão, que iria almoçar a um Centro Comercial, atrasei algumas tarefas do meu trabalho. Num dia normal do ano teria sido uma boa ideia, nesta altura, é catastrófico!

Ao entrar com o carro no parque de estacionamento, e depois de tirar o bilhete que permitiu abrir a cancela, deparei-me com o primeiro choque que foi, nada mais, nada menos do que o aquecimento para que me esperava doravante. O parque de estacionamento completamente cheio não augurava nada de bom…

Ao subir para a superfície comercial, o primeiro contacto com pessoas confirmava o que já esperava: muitas mais pessoas do que o habitual e fazer o caminho até ao meu destino seria uma luta. Razão: Compras de Natal!

Nas escadas rolantes o antagonismo daquilo que já verifiquei noutros países europeus. Nesses, todas as pessoas, ordenadamente, colocam-se à direita para que a esquerda seja de passagem, mas em Portugal, as “faixas” da direita e da esquerda têm o mesmo significado e a mim só restou esperar chegar ao topo.

Seguiram-se os corredores que cheios de pessoas, carrinhos de bebés, sacos com compras ou, somente, pessoas a olharem para montras em busca do “tesouro” próprio desta época festiva obrigaram-me a ziguezaguear para chegar onde pretendia, isto, é zona de refeições para, finalmente, almoçar.

Nesta zona o pânico apoderou-se de mim ao constatar algo que já desconfiava: gente e gente por todo o lado, restaurantes com filas intermináveis e não havia lugares para sentar. Seria um desafio e tanto, mas na vida como no trabalho não sou de rejeitar desafios. Agarrei-os com as duas mãos, enchi-me de coragem e penetrei naquele emaranhado até à minha escolha culinária. Quando antes pensara ter tido sorte, percebi que tinha tido azar… O meu pedido foi todo trocado e o serviço acabou por não corresponder às minhas expectativas. Agora só faltava um lugar para conseguir comer…

A uma volta seguiu-se outra e um lugar à minha espera. Longe de ser o melhor, mas tendo em conta as condicionantes não poderia ser muito exigente. Finalizado tal repasto chegava, obrigatoriamente, a hora do café, a hora da absorção de algo que fará sentir vivo para o restante dia e que me fará abstrair do que rodeia naquele pequeno momento. Nada mais errado! Sem espaço para me chegar sequer ao balcão tive a sorte de ser visto por uma rapariga simpática que me serviu com a rapidez possível e lá fui até à mesa que me faria “desligar” desta realidade consumista.

Não foi assim, o ruído de fundo, uma série de conversas de café que se cruzam, se encontram, se entroncam não me deixavam espaço para a desejada abstracção. Este cenário levou-me a pensar nos valores do Natal, que deveriam ser de hoje e de sempre, mas que não são. Outrora movimentado a sentimentos de generosidade, de solidariedade, de comunhão familiar e com o próximo, o Natal é hoje – infelizmente – movimentado a um consumismo extremo, quase sem limites (a Troika ainda impõe alguns) em que, desmesuradamente se procura um presente, uma lembrança como se daí o Mundo já não desabasse.  

Estes presentes têm um significado diferente em tempos de crise económico-financeira, acredito. Enchem-nos o ego, acredito. Colocam-nos um sorriso cada vez mais escasso nos lábios, acredito. Mas será que não poderíamos aproveitar esta fase para, igualmente, elevar de novo os verdadeiros valores da época natalícia, deixando o consumismo para outras núpcias?


Nota: Sei que tenho o relógio biológico a dar horas (se é que este existe nos homens), mas não havia necessidade de haver tanta criança e carrinho de bebés no Centro Comercial. 

Thursday, December 5, 2013

“MADIBA”

Pronto prévio: “Madiba”, nome pelo qual era também conhecido Nelson Mandela, era o nome do clã Thembu a que Mandela pertencera.

Aos 95 anos faleceu o símbolo vivo da África do Sul, do Continente africano, do… Mundo! Nelson Mandela foi sempre de uma generosidade sem igual, algo que começou a vislumbrar-se quando abandona o conforto da sua família – líder tribal – para lutar contra o apartheid, um dos registos históricos mais negros da humanidade. A segregação racial a que o povo da África do Sul era sujeito elevou ao extremo o sentido de justiça de Nelson Mandela que fez o fez actuar tornando-se (quando era já advogado) líder da resistência não-violenta da juventude.

A sua atitude altruísta valeu-lhe a condenação e “Madiba” acabou por cumprir pena durante 27 anos da sua vida na ilha Robben com o número 46664. Solto no início da década de 90, esta pareceu ser a sua segunda vida e esta segunda oportunidade agarrou-a com unhas e dentes.

Elevado a herói da África do Sul, Nelson Mandela foi-se aproximando cada vez mais do povo do país ao mesmo tempo que se distanciava da sua família, nomeadamente dos seus filhos, algo que pesou na sua consciência largos anos. Começava aí o seu legado como estadista e como homem de princípios e valores dos quais nunca abdicou.

Uma “nova” África do Sul surgia no horizonte e o seu “pai” tinha um rosto e, sobretudo, um nome, Mandela! Consegue ser, com todo o mérito e justeza, o primeiro Presidente negro no país e durante cinco anos liderou os destinos da África do Sul, gerou consensos, promoveu partilhas, aproximações de dogmas políticos divergentes, de etnias distantes, de raças outrora incompatíveis, de países irreconciliáveis. Durante os cinco anos de liderança política aproximou-se de comunidades estrangeiras no país e a portuguesa não só não foi excepção, como foi das primeiras e ter o privilégio de privar com tal Homem.

Um ano antes de toda esta metamorfose (1993), um momento que teve tanto de simbólico como de histórico: vence o Prémio Nobel da Paz.

Em 1999 deixa o poder, mas perdura como até final como um ícone, como a figura da África do Sul.

Na noite desta quinta-feira, dia 5 de Dezembro, este país do continente africano chora a morte do seu “pai”, de “MADIBA”.

O "novo" Mercado

O sucesso do momento dá pelo nome de "Mercado de Campo de Ourique"!

Não que já não o fosse para as gentes do conhecido bairro lisboeta, mas a verdade é que o novo dínamo que lá foi implantado, catapultou-o para as bocas de...Lisboa.

A um Mercado pequeno - tendo outros da cidade por comparação - e com a vida em proporção com o seu tamanho, criou-se um "novo" Mercado com duas dezenas de tasquinhas que dão um ar típico ao lugar. A estes locais, as pessoas associam automaticamente bancas de peixe, frutos e leguminosas, e muita gritaria a apregoar o seu produto.

Pois bem! Isso sempre existiu e vai continuar a existir, mas a estas bancas juntam-se as tasquinhas com vários tipos de petiscos, do marisco à carne passando pelo Sushi. A renovação inspirada em mercados históricos em cidades como Madrid e Barcelona foi o mote para o "novo" Mercado de Campo de Ourique. Talvez o mais conhecido seja mesmo o Mercado de San Miguel na capital espanhola, mas na Catalunha há o Boqueria.

Dos dois, talvez o Boqueria seja mesmo do qual o Mercado lisboeta mais se aproxima pois conjuga, numa simbiose quase perfeita, as bancas tradicionais com as tasquinhas de "comes e bebes". Por outro lado, o Mercado de San Miguel é, quase na íntegra, um local só virado para petiscos, tapas e especiarias do País Vizinho.

Campo de Ourique, um bairro típico de Lisboa, com uma vida muito própria e dinâmica e muito apreciado por quem lá vive e por quem lá vai de passagem, tem agora um espaço distinto na cidade, catapultando os portugueses para uma experiência nova, mas sem que percam as suas raízes. Para além dos espanhóis, que outro povo poderia dar valor idêntico a um espaço como este? Os portugueses, pois claro!

Conhecidos pelo convívio, pela veia petisqueira, os portugueses, e os lisboetas em particular, têm no "novo" Mercado a possibilidade de apreciarem diariamente e até bem tarde as iguarias que por lá andam.

Num espaço que se espera "viral" na cidade, apenas um ou outro senão a apontar: O número de tasquinhas poderá, a breve trecho, tornar-se diminuto e o facto de não haver nenhuma banca com petiscos (gourmet ou não) de peixe, tratando-se o espaço do Mercado de Campo de Ourique.