Monday, August 22, 2016

Rescaldo do Rio’2016

E no fim veio apenas uma medalha de Bronze (abençoada Telma!). De facto é muito pouco, pior do que em Londres’2012, mas convém atentar na conjuntura…

Desportivamente, ao falarmos de Portugal, falamos de um País sem qualquer cultura desportiva, mas futeboleira; há desinvestimento no Desporto Escolar; poucas infra-estruturas para a prática de desporto em idades mais jovens, mormente pistas de Atletismo, rinques de patinagem, espaços públicos para modalidades como Andebol e Basquetebol. Porém, e se houvesse? Era diferente? Talvez não! Talvez porque temos de fazer um trabalho de fundo que demora anos e ultrapassa gerações. Talvez porque é necessário mudar mentalidades, incitar à prática do desporto desde muito jovem fazendo ver aos jovens portugueses – os de hoje e os vindouros – que nem todos serão Cristianos Ronaldos e que nem todos darão, sequer, para o Futebol. Apresentar outras soluções é uma parte do caminho.

Uma vez enveredado pela prática do desporto é preciso que o ciclo escolar valorize esse facto e não se sobreponha. Haver horários escolares absurdos, até altas horas da tarde, completados com trabalhos de casa e testes a toda a hora deixa pouco tempo para os jovens pensarem em desporto com afinco e com o foco necessário para não desistirem.

As actuais condições com que alguns dos atletas presentes trabalham são deploráveis e mesmo não conseguindo medalhas tiveram campanhas positivas. Exemplo disso foram o Futebol Sub-23 (apesar da goleada com a Alemanha), Nelson Évora, Patrícia Mamona, Ana Cabecinha, Nélson Oliveira e Luciana Diniz. Outros, porém, ficaram aquém. Na Canoagem, as algas não deixaram ganhar medalhas; na Vela (onde já demos cartas) nem fomos às regatas das medalhas; na Maratona feminina houve duas desistências; no Triatlo, João Silva fez pior do que Londres, no Lançamento do Peso não fomos à final e no Judo houve portugueses eliminados de forma “estranha”.

Se queremos mais medalhas e menos diplomas, o Estado Português tem de trabalhar na base de forma a que não se gastem 17 milhões de euros nuns Jogos Olímpicos para… uma medalha de Bronze. Ao fim e ao cabo este foi o maior investimento de sempre do País no certame, mas os resultados ficaram aquém.

Ora, se o problema não foi dinheiro, nem são os Centros de Alto Rendimento (há 12 em Portugal), qual foi, afinal, o problema? Mentalidade e ego! Quando dizemos que as medalhas não são a prioridade; quando dizemos que o que interessa é participar; quando a culpa é das algas; quando o problema é o horário das provas não podemos vencer medalhas. Mas há mais! Quando temos uma atleta lesionada que “não deixa” que outra com melhor marca a substitua, isso é ter um ego maior do que Portugal. Sara Moreira e Jéssica Augusto desistiram, não deram espaço a Filomena Costa de participar, isto semanas depois de terem sido agraciadas com a Ordem de Mérito pelo Presidente da República. Bonito não haja dúvidas.

Se queremos ter melhores resultados temos de investir, não 17 milhões numa viagem ao Rio de Janeiro, mas sim nas bases com que se criam atletas de alta competição: condições ao nível das infra-estruturas; aposta no Desporto Escolar; protocolo com os melhores clubes em cada modalidade para que os jovens continuem o seu processo formativo; recrutamento dos melhores treinadores portugueses e estrangeiros; aposta numa mentalidade competitiva assente na vitória.


Só assim poderemos estar preparados para repetir Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora. 

Tuesday, August 9, 2016

“Canção de Lisboa” fecha trilogia light

Como ponto prévio, tenho de dizer que não vi – propositadamente – o “Leão da Estrela”. Ao ver a trailer deparei-me com um espectáculo muito fraco, o que, só por si, me dissuadiu de ir ao cinema ver o filme completo.

Todavia vi o “Pátio das Cantigas” e o “Canção de Lisboa”, filme que encerra a trilogia light de remake de filmes históricos do cinema português. É deste último que falarei daqui em diante…


Mais fraco do que o “Pátio das Cantigas” (para mim o melhor dos três), o “Canção de Lisboa” é uma comédia que se vê bem, que nos permite esquecer os problemas do dia-a-dia durante cerca de duas horas e ainda nos mostra alguns locais interessantes da cidade de Lisboa. O argumento, não sendo riquíssimo, não complica e, dentro da superficialidade, faz sentido e não foge totalmente do original, embora faça adaptações como se fizeram no “Pátio das Cantigas”.

A história de um playboy que se arrasta eternamente pela faculdade de medicina, mais preocupado em aulas de anatomia fora da sala de aulas do que dentro dela arranca risos fáceis. O estilo engraçado, desprendido e até algo destrambelhado de Vasco Leitão, interpretado por César Mourão, arranca uma gargalhada fácil a quem vê o filme.

Porém, por detrás deste desapego pelas mulheres que lhe vão passando pela cama numa base quase diária esconde o medo de se apaixonar por alguém que lhe machuque o coração, um dos poucos órgãos do corpo humano que Vasco Leitão aprendeu ser um músculo no curso de medicina que teima em não terminar. Quem o vai fintar nesses intentos é Alice (Luana Martau). A actriz brasileira interpreta a filha de José Cardoso (Miguel Guilherme) que foi para o Brasil com a mãe e que mantém uma relação quase nula com o pai. Por hora da campanha eleitoral para Primeiro-Ministro, Alice regressa a Portugal para ajudar o pai a troco de uma compensação financeira e acaba por se apaixonar e deixar apaixonado Vasco Leitão.

A partir desse reencontro a história do filme vai-se desenrolando com o foco a ser o amor e desamor deste casal. Em jeito de comédia romântica “meio sem jeito” como se diz na terra de Luana Martau, tudo acaba em bem.