E no fim veio apenas uma medalha de Bronze (abençoada
Telma!). De facto é muito pouco, pior do que em Londres’2012, mas convém
atentar na conjuntura…
Desportivamente, ao falarmos de Portugal, falamos de um País
sem qualquer cultura desportiva, mas futeboleira; há desinvestimento no
Desporto Escolar; poucas infra-estruturas para a prática de desporto em idades
mais jovens, mormente pistas de Atletismo, rinques de patinagem, espaços
públicos para modalidades como Andebol e Basquetebol. Porém, e se houvesse? Era
diferente? Talvez não! Talvez porque temos de fazer um trabalho de fundo que
demora anos e ultrapassa gerações. Talvez porque é necessário mudar
mentalidades, incitar à prática do desporto desde muito jovem fazendo ver aos
jovens portugueses – os de hoje e os vindouros – que nem todos serão Cristianos
Ronaldos e que nem todos darão, sequer, para o Futebol. Apresentar outras
soluções é uma parte do caminho.
Uma vez enveredado pela prática do desporto é preciso que o
ciclo escolar valorize esse facto e não se sobreponha. Haver horários escolares
absurdos, até altas horas da tarde, completados com trabalhos de casa e testes
a toda a hora deixa pouco tempo para os jovens pensarem em desporto
com afinco e com o foco necessário para não desistirem.
As actuais condições com que alguns dos atletas presentes
trabalham são deploráveis e mesmo não conseguindo medalhas tiveram campanhas
positivas. Exemplo disso foram o Futebol Sub-23 (apesar da goleada com a Alemanha), Nelson
Évora, Patrícia Mamona, Ana Cabecinha, Nélson Oliveira e Luciana Diniz. Outros,
porém, ficaram aquém. Na Canoagem, as algas não deixaram ganhar medalhas; na
Vela (onde já demos cartas) nem fomos às regatas das medalhas; na Maratona
feminina houve duas desistências; no Triatlo, João Silva fez pior do que
Londres, no Lançamento do Peso não fomos à final e no Judo houve portugueses eliminados de forma “estranha”.
Se queremos mais medalhas e menos diplomas, o Estado
Português tem de trabalhar na base de forma a que não se gastem 17 milhões de
euros nuns Jogos Olímpicos para… uma medalha de Bronze. Ao fim e ao cabo este
foi o maior investimento de sempre do País no certame, mas os resultados
ficaram aquém.
Ora, se o problema não foi dinheiro, nem são os Centros de
Alto Rendimento (há 12 em Portugal), qual foi, afinal, o problema? Mentalidade
e ego! Quando dizemos que as medalhas não são a prioridade; quando dizemos que
o que interessa é participar; quando a culpa é das algas; quando o problema é o
horário das provas não podemos vencer medalhas. Mas há mais! Quando temos uma
atleta lesionada que “não deixa” que outra com melhor marca a substitua,
isso é ter um ego maior do que Portugal. Sara Moreira e Jéssica Augusto
desistiram, não deram espaço a Filomena Costa de participar, isto semanas
depois de terem sido agraciadas com a Ordem de Mérito pelo Presidente da
República. Bonito não haja dúvidas.
Se queremos ter melhores resultados temos de investir, não
17 milhões numa viagem ao Rio de Janeiro, mas sim nas bases com que se criam
atletas de alta competição: condições ao nível das infra-estruturas; aposta no
Desporto Escolar; protocolo com os melhores clubes em cada modalidade para que os jovens continuem o seu processo formativo; recrutamento dos melhores treinadores
portugueses e estrangeiros; aposta numa mentalidade competitiva assente na
vitória.
Só assim poderemos estar preparados para repetir Carlos
Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora.

