Wednesday, October 4, 2017

O futuro do PSD

As eleições autárquicas só vieram confirmar o que há muito se percebia. O PSD - e o seu líder, em consequência - está muito fragilizado e incapaz, para já, de lutar de igual para igual com uma esquerda que se solidificou numas eleições que não lhes são predominantemente favoráveis (curiosamente costumam sê-lo ao PCP e não o foram). 

Pedro Passos Coelho fez uma leitura aos resultados e chegou à conclusão de não se recandidatar à liderança do partido. 



Quem se seguirá? Vários nomes se perfilam, mas Rui Rio parece estar na "pole-position" e até já se reuniu com alguns dos senadores laranjas em Azeitão. 

De facto, o PSD tem de fazer mudanças que vão para além das estruturais. É necessário rever estratégias e ideais a seguir. Nos últimos momentos de Passos Coelho, o PSD pareceu perdido, tentando abarcar eleitorado no centro-esquerda e no centro-direita, ora privilegiando o estado social, ora apelando ao empreendedorismo privado. Isso deixou o partido e os portugueses baralhados, e viu-se na recente ida às urnas. 

O neo-liberalismo não funciona, já se viu. Ainda assim há espaço na direita e centro-direita para trilhar um caminho. O PSD tem de ser alternativa à geringonça, nomeadamente ao PS e, como tal, não deverá ter medo de assumir ideais de direita. Optar por menos Estado, mas melhor Estado; retirar carga fiscal às empresas, captando mais investimento directo estrangeiro também a reboque do turismo; simplificar a Justiça para as empresas e particulares; dinamizar a economia com base privada e criar mecanismos para maior endividamento a baixo custo para as empresas, mormente em sectores estratégicos; ter uma posição bem definida em relação à imigração sem resvalar para a xenofobia; fortalecer a actuação do Estado são algumas das medidas que ajudariam - entre outras - a ter o Partido Social Democrata como uma alternativa ao Socialismo de António Costa. 

Um passo de cada vez. O PSD antes de ganhar tem de construir um espaço como alternativa credível à direita, sem medo das repercussões iniciais de tais medidas. 

Mesmo conservador, mais até do que Passos Coelho em algumas matérias, Rui Rio parece ser o homem talhado para este género de PSD, mas veremos quem mais aparecerá nos próximos dias.