O filme "Lobo de Wall Street" é uma história que não traz nada de novo a Hollywood. Quem não se lembra dos filmes "Wall Street" em que o protagonista é um tal Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas?
Porém, qual toque de midas, Martin Scorsese consegue sempre fazer diferente. Com ele, toda a história ganha outro élan, outra amplitude que não tem com outros. Não é o meu realizador preferido, mas está entre eles.
O toque de midas de que falo não é só para a trama em si, mas, principalmente, para Leonardo DiCaprio. De um actor com potencial, mas que corria a passos largos para ser só mais uma cara bonita que Hollywood produzira, tornou-se, sob a égide de Scorsese, um dos mais completos, versáteis e aclamados actores do panorama cinematográfico mundial.
O que é que o "Lobo de Wall Street" tem que os outros não têm? Primeiro do que tudo tem a comédia, estilo pouco ou nada utilizado nos Estados Unidos quando se fala de um assunto tão sensível como a especulação financeira; tem a acção inerente ao argumento e o deboche típico de um "novo-rico" que quer ser excêntrico e que necessita de ser notado para se afirmar num mundo cão como o da alta finança norte-americana.
Com Scorsese no comando, o deboche é, quase sempre, a alavanca do filme, dando-lhe outra veracidade, autenticidade. Aquela mescla de acontecimentos desprovidos de nexo é a realidade crua da sociedade norte-americana, cujo peso material é desmesuradamente maior do que qualquer outro valor moral.
Experiente no cinema como na vida, o realizador trouxe à tona tudo aquilo que é verdade, mas que, aqui ou ali, tenta ser negado ou escondido. Quantos "Jordan Belfort´s" não existem ou existiram outrora em Wall Street ou em qualquer outra bolsa da Europa ou do Mundo? Contado na primeira pessoa por Jordan Belfort, Scorsese montou um filme que é um forte candidato ao Oscar de melhor filme. Com várias nomeações, o "Lobo de Wall Street" pode ser um dos grandes vencedores ou dos grandes perdedores.
Todavia, numa coisa Martin Scorsese já ganhou! Ninguém fica indiferente ao filme, ao seu argumento mas, sobretudo, ao papel desempenhado por Leonardo DiCaprio. Ou se gosta ou não e isso é já, por si, uma grande vitória!
Thursday, January 23, 2014
Tuesday, January 21, 2014
Co-adoptemos conflitos
E de repente, sem se perceber muito bem como e porquê, discutiu-se na Assembleia da República um possível referendo à co-adopção entre membros do mesmo sexo.
A importância do assunto não está em causa, mas, como em quase tudo, a mesma é relativa e, neste momento, há assuntos muito mais preementes do País do que a co-adopção que pareceu muito mais um aproveitamento político da JSD e que (mal) teve a conivência do Governo liderado pelo PSD - o CDS absteve-se na votação.
Neste particular, pareceu-me que o PSD através da sua "jota" quer co-adoptar conflitos e juntá-los aos muitos que vai somando no primeiro mandato de governação. O timing é péssimo e talvez só sirva mesmo para despistar as pessoas dos verdadeiros problemas do País.
Sobre a co-adopção era, a princípio, uma pessoa conservadora nesta matéria. Considerava (e considero) que a sociedade tem de se preparar para uma nova realidade, um novo desafio social. Com o reconhecimento, em Portugal, do casamento entre membros sexo, a sociedade lusa de uma forma generalizada foi-se preparando para as realidades adjacentes onde se incluem a co-adopção entre pessoas do mesmo sexo.
Hoje, considero que passou o tempo minimamente suficiente para a co-adopção ser uma realidade em Portugal, mas o timing de escolha para a discussão desta matéria não é a mais acertada.
Finalizar dizendo que é melhor para uma criança ser amada por duas mulheres ou dois homens do que não sê-lo de forma alguma.
A importância do assunto não está em causa, mas, como em quase tudo, a mesma é relativa e, neste momento, há assuntos muito mais preementes do País do que a co-adopção que pareceu muito mais um aproveitamento político da JSD e que (mal) teve a conivência do Governo liderado pelo PSD - o CDS absteve-se na votação.
Neste particular, pareceu-me que o PSD através da sua "jota" quer co-adoptar conflitos e juntá-los aos muitos que vai somando no primeiro mandato de governação. O timing é péssimo e talvez só sirva mesmo para despistar as pessoas dos verdadeiros problemas do País.
Sobre a co-adopção era, a princípio, uma pessoa conservadora nesta matéria. Considerava (e considero) que a sociedade tem de se preparar para uma nova realidade, um novo desafio social. Com o reconhecimento, em Portugal, do casamento entre membros sexo, a sociedade lusa de uma forma generalizada foi-se preparando para as realidades adjacentes onde se incluem a co-adopção entre pessoas do mesmo sexo.
Hoje, considero que passou o tempo minimamente suficiente para a co-adopção ser uma realidade em Portugal, mas o timing de escolha para a discussão desta matéria não é a mais acertada.
Finalizar dizendo que é melhor para uma criança ser amada por duas mulheres ou dois homens do que não sê-lo de forma alguma.
O nosso Rei, Eusébio!
É verdade que já passaram alguns dias sobre o falecimento de Eusébio da Silva Ferreira, mas quando se fala de alguém que é eterno - pelo menos para os benfiquistas e para (alguns) portugueses - o tempo é somente uma questão temporal de somenos importância.
No momento em que escrevo distam quatro dias da data em que Eusébio celebraria, se ainda estivesse entre nós, 72 anos. Tenho 33 anos e, como tal, de Eusébio e do "seu" Benfica não recordo os golos, as arrancadas, as fintas em velocidade, os festejos, os... choros. Vi algumas dessas imagens na televisão. Já as tinha visto há uns anos quando, ainda na escola secundária, fiz um trabalho sobre ele e a importância que teve na construção do Benfica dos anos 60 numa máquina de Futebol ofensivo, e vi muitas mais agora, neste momento de dor.
Porém, há um momento que não esqueço. Um dia, no Estádio da Luz, entrei no elevador e enquanto esperava que as portas do mesmo se fechassem, eis que entra uma pessoa que me deixou enregelado. Essa pessoa era Eusébio da Silva Ferreira! Naquele momento de breves segundos (mas que pareceram minutos, horas...) ocorreram-me dizer mil e uma coisas que seriam, por certo, mil e uma barbaridades, mas fiquei parado, paralisado e apenas disse boa tarde, cumprimento ao qual, amavelmente, recebi retorno.
Aquela "viagem" fica marcada como um dos momentos da minha vida, o momento em que pude dividir o espaço físico com um monstro do Futebol Mundial. Naquela "viagem" senti-me tão pequeno perante tal figura, que era um misto de imponência e de simplicidade, e nada disse para além do supra-citado "boa tarde". Eu, que até me considero uma pessoa extrovertida, fiquei estarrecido perante tal presença e não tive coragem de dizer as mil e uma barbaridades que me passaram pela cabeça naqueles breves segundos que tanto marcaram a minha existência e, certamente, vão continuar a marcar.
Por muito insignificante que possa parecer, aquele é o meu momento com Eusébio da Silva Ferreira. Permitam-me ser egoista, mas este momento é o "meu" momento, é o "nosso" momento, mesmo que para o "Pantera Negra" nada tenha significado.
Eusébio é de todos os benfiquistas, de todos os portugueses, do Mundo! Mas este "nosso" momento é algo que vou guardar para sempre como... meu!
No momento em que escrevo distam quatro dias da data em que Eusébio celebraria, se ainda estivesse entre nós, 72 anos. Tenho 33 anos e, como tal, de Eusébio e do "seu" Benfica não recordo os golos, as arrancadas, as fintas em velocidade, os festejos, os... choros. Vi algumas dessas imagens na televisão. Já as tinha visto há uns anos quando, ainda na escola secundária, fiz um trabalho sobre ele e a importância que teve na construção do Benfica dos anos 60 numa máquina de Futebol ofensivo, e vi muitas mais agora, neste momento de dor.
Porém, há um momento que não esqueço. Um dia, no Estádio da Luz, entrei no elevador e enquanto esperava que as portas do mesmo se fechassem, eis que entra uma pessoa que me deixou enregelado. Essa pessoa era Eusébio da Silva Ferreira! Naquele momento de breves segundos (mas que pareceram minutos, horas...) ocorreram-me dizer mil e uma coisas que seriam, por certo, mil e uma barbaridades, mas fiquei parado, paralisado e apenas disse boa tarde, cumprimento ao qual, amavelmente, recebi retorno.
Aquela "viagem" fica marcada como um dos momentos da minha vida, o momento em que pude dividir o espaço físico com um monstro do Futebol Mundial. Naquela "viagem" senti-me tão pequeno perante tal figura, que era um misto de imponência e de simplicidade, e nada disse para além do supra-citado "boa tarde". Eu, que até me considero uma pessoa extrovertida, fiquei estarrecido perante tal presença e não tive coragem de dizer as mil e uma barbaridades que me passaram pela cabeça naqueles breves segundos que tanto marcaram a minha existência e, certamente, vão continuar a marcar.
Por muito insignificante que possa parecer, aquele é o meu momento com Eusébio da Silva Ferreira. Permitam-me ser egoista, mas este momento é o "meu" momento, é o "nosso" momento, mesmo que para o "Pantera Negra" nada tenha significado.
Eusébio é de todos os benfiquistas, de todos os portugueses, do Mundo! Mas este "nosso" momento é algo que vou guardar para sempre como... meu!
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