Começou o Mundial para Portugal. Começou mal para nós e para Milorad Mazic, o árbitro sérvio que deixou muito a desejar - tal como alguns dos seus pares - ao assinalar mal uma grande penalidade a favor da Alemanha e ao não assinalar uma nítida a favor de Portugal.
Isto não desculpa tudo (ou nada), mas ajuda a perceber os 4-0 com que fomos brindados no arranque do certame-rei de selecções. Este cenário leva-me a outra análise. Não é por este jogo, apesar de não concordar totalmente com a convocatória de Paulo Bento (as lesões comprovaram o desequilíbrio existente), mas já não há nada a fazer em relação a esse facto. Tem de se olhar para o futuro.
Somos uma das selecções mais velhas das 32 que estão no Brasil e ficou claro que a seguir à competição será necessária uma "mini" revolução na Selecção Nacional. Há jogadores que já não dão mais do que este Mundial e teremos de começar a preparar, o quanto antes, a mudança. Esta obriga, por certo, a mudar o paradigma com que se pensa o Futebol português e a não-aposta no jogador nacional com maior regularidade. Há jovens a despontar e os clubes têm a responsabilidade de os deixar explanar o talento na relva com as consequências que isso acarreta. A vida é feita de riscos.
A seguir ao Mundial, o seleccionador - seja ele qual for - terá de observar e analisar vários jovens que vão dando cartas e chamá-los aos compromissos da equipa AA. Nomes como André Gomes, Adrien Silva, Cédric Soares, João Cancelo, Ivan Cavaleiro, Rafa, Pizzi, Nélson Oliveira, Neto, Éder, João Mário, Pedro Tiba, Bruma, Carlos Mané, William Carvalho ou Ricardo Horta terão de ser vistos, a breve trecho, como as soluções de futuro de Portugal. Dadas as reais oportunidades, o ónus de serem bem-sucedidos é transferido para os futebolistas.
Assim poderemos continuar a ostentar "brilharetes" em Mundiais e em Europeus, e a cimentar um lugar nas posições cimeiras do Ranking da FIFA.
No Brasil é fazer a melhor figura possível.