Thursday, September 22, 2016

As ideias da Mariana

Já passaram uns dias sobre as polémicas declarações de Mariana Mortágua, que praticamente dizimaram o seu estado de graça.

Dois pontos que servem de opinião ao que disse Mariana Mortágua: 

Primeiro: não sou contra o tal imposto sobre bens acima de um milhão de euros. Não tenho bens dessa ordem de grandeza, mas considero que esse imposto terá um efeito inócuo na receita/abaixamento da despesa. A própria Mariana Mortágua falou em oito mil portugueses com bens desse valor, dos quais (todos sabemos) só cinco ou seis mil pagarão mesmo o imposto, porque dois a três mil vai arranjar forma de não o pagar. Ora, um por cento sobre um milhão de euros são 100 mil, mas coloquemos o valor em 200 mil... Se multiplicarmos por seis mil pessoas, a soma não dá para pagar cinco por cento da despesa total da segurança social. Ou seja, este imposto parece-me demagogia pois não resolverá problema algum e poderá até ser prejudicial à nossa economia se todos esses oito mil se lembrarem de tirar de cá o dinheiro. 



Segundo: o problema é que Mariana Mortágua disse bem mais do que isso. Disse que não "podíamos ter vergonha de ir buscar a quem acumula".  Isto é, todas as poupanças que os portugueses têm são passíveis de tributação, bens que tenhamos, mesmo que herdados, farão de nós ricos, logo passíveis de tributação. E por aí adiante... Este discurso leninista é que é perigoso e que eu pensava não existir fora de Cuba e da Coreia do Norte. Pior é pensar que o PS embarca nisso. 

Conclusão: acho que quem mais tem, mais deve pagar sem que se faça uma perseguição aos ricos. Devemos, isso sim, criar motivações na classe para que invistam. Parafraseando Olof Palme: "não queremos acabar com os ricos, queremos é acabar com os pobres".