Não concordo em absoluto com o médico Gentil Martins, mas em
parte sim. Aos 87 anos, e sem precisar, Gentil Martins regressou à agenda
mediática pelos piores motivos.
Considerar a homossexualidade como uma anomalia e criticar Cristiano Ronaldo por recorrer a barrigas de aluguer deu-lhe um protagonismo só
ultrapassado por André Ventura. Do primeiro caso nem vou prosar; porém, sobre o
segundo gostaria de o fazer.
Em primeiro lugar convém referir que em Portugal a discussão
faz pouco sentido, pois é ilegal recorrer a barrigas de aluguer. Suponhamos
agora que não era... não querendo ser egoísta, prefiro privilegiar os papéis de
mãe e pai junto de um filho (posições milenares) do que não o fazer. Todavia,
não posso esquecer o facto de a mulher ter um tempo de fertilidade bem mais
curto do que o homem. Isso faz-me moderar a minha posição mas não a muda.
Tendo a barriga de aluguer como legal no nosso País, e de
forma a não se entrar numa banalização desmedida, sou favorável a que se
recorra a esse método alternativo em situações em que o homem ou a mulher ou
ambos são férteis e quer(em) ter filhos. Desta forma também se contornava a
adopção monoparental possível mas muito complicada (e talvez de forma
compreensível) em Portugal.
Agora, recorrer a barriga de aluguer só porque sim parece-me
uma atitude muito egoísta por parte de quem pratica, privando a criança da
figura materna ou paterna sem pensar nas consequências e apenas para massajar o
ego.

