Thursday, July 20, 2017

Gentil Martins

Não concordo em absoluto com o médico Gentil Martins, mas em parte sim. Aos 87 anos, e sem precisar, Gentil Martins regressou à agenda mediática pelos piores motivos.

Considerar a homossexualidade como uma anomalia e criticar Cristiano Ronaldo por recorrer a barrigas de aluguer deu-lhe um protagonismo só ultrapassado por André Ventura. Do primeiro caso nem vou prosar; porém, sobre o segundo gostaria de o fazer.

Em primeiro lugar convém referir que em Portugal a discussão faz pouco sentido, pois é ilegal recorrer a barrigas de aluguer. Suponhamos agora que não era... não querendo ser egoísta, prefiro privilegiar os papéis de mãe e pai junto de um filho (posições milenares) do que não o fazer. Todavia, não posso esquecer o facto de a mulher ter um tempo de fertilidade bem mais curto do que o homem. Isso faz-me moderar a minha posição mas não a muda.



Tendo a barriga de aluguer como legal no nosso País, e de forma a não se entrar numa banalização desmedida, sou favorável a que se recorra a esse método alternativo em situações em que o homem ou a mulher ou ambos são férteis e quer(em) ter filhos. Desta forma também se contornava a adopção monoparental possível mas muito complicada (e talvez de forma compreensível) em Portugal.


Agora, recorrer a barriga de aluguer só porque sim parece-me uma atitude muito egoísta por parte de quem pratica, privando a criança da figura materna ou paterna sem pensar nas consequências e apenas para massajar o ego.

Tuesday, July 4, 2017

Cá por casa tudo bem

Em pouco tempo ocorreram três episódios que ilustram muito bem o estado calamitoso em que se encontra o nosso País, o Estado e os políticos que o (des)governam.

Em Pedrógão Grande, um incêndio de dimensões ímpares trouxe uma tragédia como nunca se viu. 64 mortes, centenas de feridos, pessoas que perderam tudo, empresas em dificuldades financeiras.

Na capital – Lisboa – houve uma fuga de informação sem precedentes e que põe em causa os exames nacionais, nomeadamente o de português.

Em Tancos, Portugal fica no mapa como o país com maior assalto a armamento militar neste século na Europa.


Tudo isto aconteceu, mas parece que cá por casa está tudo bem. Ao fim e ao cabo, o que interessa é que o turismo prospera, a economia cresce, o desemprego baixa, a confiança está em alta. Perante, os três casos acima – bastante graves – o governo PS assobia para o lado com uma ligeireza que tem tanto de reprovável como de assinalável. Assinalável a coragem com que o faz; reprovável a forma como lida com os três casos, numa clara tentativa de limpar a imagem de António Costa levando a culpa a morrer solteira.

Até ao momento parece que nada foi, verdadeiramente, feito em relação ao que sucedeu em Pedrógão Grande. Não se apuram responsabilidades, não há certezas sobre as verdadeiras razões para o incêndio (há quem levantemão criminosa), ainda não se percebeu o que vai ser – finalmente – feito na prevenção aos incêndios e o que papel terá o eucalipto no meio disto tendo em conta que representa dois mil milhões de euros de volume de negócios, ajuda sobremaneira as exportações de Portugal e cria imenso emprego.

Dos exames nacionais já nem se fala. A fuga é uma realidade, o caso é grave, mas do ministério da educação nem uma palavra. António Costa, esse, continua a banhos em Palma de Maiorca.

E Tancos? O que dizer de Tancos? Maior assalto a armamento militar neste século na Europa; possível corrupção nas Forças Armadas e alarme de várias instituições em Portugal devido ao risco de terrorismo, mormente a embaixada dos Estados Unidos da América. Convém que os (des)governantes tenham noção, dado que o prezam tanto, que o turismo poderá ser um dos principais e primeiros afectados com este roubo colossal. Vejam-se os casos do Egipto, Tunísia e Turquia.