A TVI precipitara-se, há umas semanas, com uma notícia irresponsável. Disse que o BANIF ia fechar. Essa "bomba" desencadeou uma peregrinação dos clientes ao banco, criando um deficit nos depósitos. Era o princípio do fim para o BANIF.
Apesar do "mea-culpa" por parte da direcção da TVI, a notícia já tinha gerado uma onda de choque e só antecipara o que se passaria dias depois. O banco deixava a nu problemas financeiros e de solvência graves, mas não eram só estes problemas que estariam a nu...
No passado domingo, dia 20, António Costa comunicou ao País a venda do BANIF ao Santander e consequências para os contribuintes na ordem dos três mil milhões de euros. À decisão tomada pelo actual primeiro-ministro ponho em causa duas situações:
- O "timing" tinha mesmo de ser este?
- Não poderia António Costa, com um pouco mais de tempo, colocar todos os cenários possíveis em cima da mesa e assim decidir - melhor - com outras opções?
A decisão de António Costa trazia acoplada outras nada famosas para Pedro Passos Coelho e para Maria Luís Albuquerque, à hora primeiro-ministro e ministra das finanças, respectivamente.
Passaram-se oito planos de reestruturação, todos chumbados, e fica a ideia de que Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, com a conivência de Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, (a esse já lá vamos...) foram "empurrando com a barriga" o problema que assolava o BANIF protelando a sua resolução para mais tarde. Tudo isto por puro interesse político.
A não-resolução do caso BANIF traz consequências nefastas para a economia portuguesa e deverá trazer consequências para quem tomou a decisão de nada fazer quanto ao banco e para quem autorizou esta postura.
Pedro Passos Coelho já disse que António Costa e o PS sabiam do problema do banco. Muito bem! Até podiam saber, mas a questão que se coloca é: Se se sabia da existência de um problema por que razão o mesmo não foi resolvido atempadamente?
O agora deputado do PSD e Maria Luís Albuquerque marcarão presença na Comissão de Inquérito ao BANIF e daí poderão saltar muitas (ou algumas) conclusões.
O Governador do Banco de Portugal tem responsabilidades no que se passou. Aquando da injecção de capital no BANIF por parte do Estado, Carlos Costa prometera um rendimento de 10 por cento no investimento e nenhuma consequência para os contribuintes. Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque foram, no mínimo, ingénuos, mas Carlos Costa não pode, nunca, mentir com tanto descaramento como já o fizera em relação ao BES.
Parece-me claro, então, que Carlos Costa tem poucas condições para continuar a ser Governador do Banco de Portugal e, conforme o que se descobrir doravante sobre o papel do antigo Governo neste caso, podem Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não ter condições morais para exercerem qualquer cargo político.
