As tentativas de privatização da TAP já vêm do tempo em que
António Guterres era Primeiro-Ministro de Portugal, mas os problemas da
companhia aérea são bem anteriores a isso. Pelo menos vêm de 1975, altura em
que nem ordenados conseguiu pagar aos funcionários.
À época, o negócio que António Guterres e João Cravinho
tentaram fazer com a Swissair não deixou de ser isso mesmo: uma tentativa. A
privatização esteve em banho-maria todos estes anos até ao Governo liderado por
José Sócrates tentar – em vão, diga-se – privatizar a TAP.
Agora é a Coligação liderada por Passos Coelho. Tentou, numa
primeira instância, fazê-lo com Efromovich, mas faltaram garantias ao
empresário; agora o tema volta à baila, mas não se perspectiva fácil
concretizar a famigerada privatização.
A TAP tem vários problemas e as greves é um deles e um dos
mais graves. Mas há outros…
A companhia aérea lusa tem uma dívida astronómica superior a
mil milhões de euros, soma défice de tesouraria, perde mercado por força das
low-cost (tem a desculpa de esse ser um mau de mercado que afecta todas as
companhias semelhantes à TAP), greves constantes, qualidade de serviço a descer
(consequência das greves).
Assim, de repente, este é o cenário que qualquer empresário que
queira comprar a TAP tem nas mãos. Não é aliciante! Quem comprar a TAP, durante
dois ou três anos não pode fazer reestruturações e tem de manter as rotas
estratégicas (Brasil e África) e o HUB em Portugal. A isto junta-se o facto de
ter de arcar com a dívida. Não é fácil convencer, mas os sucessivos Governos
(este incluído) já o tinham conseguido fazer em determinado momento e esse mérito
dever-lhes-ia ser assacado.
Quer os portugueses queiram, quer não, a privatização da TAP
– e ainda por cima nestas condições – é um excelente negócio para Portugal e
para os portugueses. Porém, pessoas como Lino da Silva, o grande mentor desta
greve e que agora se descobriu já ter recebido mais de um milhão de euros do
SPAC (Sindicato dos Pilotos), tornam a companhia aérea mais pequena “umaTAPzinha” como disse Pedro Passos Coelho, logo menos
apetecível.
Em paralelo a Lino da Silva está António Costa. O
Secretário-Geral do PS vem dizer que nenhum investidor da TAP vai ter 50 por
cento ou mais da companhia aérea com ele como Primeiro-Ministro. Duas questões:
Como vão reagir os mercados a esta afirmação? Quem é que António Costa vai
convencer a colocar dinheiro na TAP para não mandar em nada ou pelo menos mandar
em pouco?
Entre as várias vantagens da privatização que mencionei
acima, há outra que se junta ao leque e que me parece clara: as greves acabam
de uma vez por todas. Ou pelo menos diminuem de forma drástica.
