Terminada a contagem dos votos (falta o círculo eleitoral fora de Portugal) já
se pode confirmar que a coligação Portugal à Frente e o Bloco Esquerda são os
grandes vencedores, seguindo o Partido Socialista no caminho inverso, como o
grande derrotado.
Nos palanques assim não pareceu. Ao fim e ao cabo, após as intervenções parece que todos ganharam, uns mais do que outros, mas todos estão felizes. E disso há ilações a tirar...
O PàF está feliz porque venceu com maioria relativa mas desceu de 50,4% para 38,6%. Perdeu a maioria no parlamento, terá de ser mais dialogante, mais aberto a outras visões para Portugal e procurar consensos nomeadamente com o PS, pois com a restante esquerda - e depois das moções de rejeição - é impossível. Os portugueses quiserem dar um voto de confiança a uma coligação que pegou no país perto da bancarrota e que o endireitou apesar de os inúmeros erros cometidos pelo caminho.
Nos palanques assim não pareceu. Ao fim e ao cabo, após as intervenções parece que todos ganharam, uns mais do que outros, mas todos estão felizes. E disso há ilações a tirar...
O PàF está feliz porque venceu com maioria relativa mas desceu de 50,4% para 38,6%. Perdeu a maioria no parlamento, terá de ser mais dialogante, mais aberto a outras visões para Portugal e procurar consensos nomeadamente com o PS, pois com a restante esquerda - e depois das moções de rejeição - é impossível. Os portugueses quiserem dar um voto de confiança a uma coligação que pegou no país perto da bancarrota e que o endireitou apesar de os inúmeros erros cometidos pelo caminho.

António Costa apareceu muito feliz no palanque. Atirou uma série de piadas entre o discurso e perguntas dos jornalistas, não se demitiu mas voltou a ter um discurso confuso. Talvez porque se tenha mesmo confundido, pois aquele parecia o discurso da vitória depois da derrota nas urnas. "Derrotar a direita" foi o mote para derrotar António José Seguro. Não venceu e agora? Possivelmente fica enquanto o PS quiser e terá de se vergar no Parlamento pelo bem-estar de Portugal e isso passa por deixar seguir o próximo OE.
O BE foi um dos vencedores da noite inegavelmente. Mais que duplicou os deputados e teve a melhor performance de sempre. Catarina Martins e o BE estão vivos e bem vivos mas começar com uma moção de rejeição não me parece muito democrático e costuma dar mau resultado em urna. Acordos com PS europeísta como o é por convicção são impossíveis. Ao fim e ao cabo, o BE não abdica da saída do euro, da saída da UE e da NATO e rejeita o tratado orçamental. Assim é liminarmente impossível haver acordo pós-eleitoral.
A CDU não cresceu nem perdeu votos. Manteve a toada alicerçada em militantes fiéis como é costume desde que há democracia em Portugal. Jerónimo de Sousa teve um discurso de "vitória" aproximado do conteúdo do BE sugerindo avançar com uma moção de rejeição.
Nota para o PAN que se intromete entre os partidos com acento parlamentar, facto que não acontecia desde 1999. Elege um deputado fruto de votações expressivas nos grandes círculos eleitorais de Lisboa e Porto.
A abstenção contrariou as previsões e subiu. Estar na ordem dos 30% seria o ideal e está cada vez mais longe desta realidade. Depois de tantas manifestações, greves e vozes contra, o comodismo assolou os 43% dos portugueses que não cumpriram o dever cívico e que ficam quatro anos sem direito a reclamar. Problema expectável: serão os primeiros a sair à rua!
O que se espera daqui para a frente é a formação de governo através da coligação, respeitando, assim, a vontade expressa pelos portugueses; ao contrário do que muito foi apregoado, muito diálogo e consensos terão de existir entre o eixo PSD-CDS-PS, pois com a restante esquerda parece impossível pela moção de rejeição; passar o Orçamento de Estado torna-se agora ainda mais vital para a estabilidade política, correndo-se o risco de haver uma crise política pela queda em bloco do governo minoritário; historicamente os governos minoritários não duram mais que dois anos (Guterres foi a excepção) mas esta coligação até pode durar só um. Veremos...; fragilizado, António Costa tem de se abrir ao diálogo com a direita deixando cair a tal "maioria negativa" de forma a se aguentar o maior tempo possível como secretário-geral do PS.
Os portugueses não são burros como muitos apregoaram nas redes sociais. Reconheceram trabalho num cenário negro, viram e sentem agora melhorias e não perceberam a mensagem de António Costa. Assim ficou muito claro: este governo estabilizou as contas do país, merece nova oportunidade com a economia a crescer, mas vai ter de mostrar muito mais abertura do que até então.
Qualquer moção de rejeição ou acordo à posteriori à esquerda que faça cair o governo e que obrigue a eleições antecipadas poderá ter o efeito contrário ao desejado. Convém não esquecer Cavaco Silva entre 1985 e 1987.