Em março irrompeu
por Portugal o novo coronavírus, deixando o País, primeiro sobreaviso e, mais
tarde, parado. Ou quase! Alguns sectores – como o Serviço Nacional de Saúde e
os hospitais privados – mantiveram a atividade.
Com tempo e
percebendo o impacto negativo que a COVID-19 tivera em países como China – de onde
é originário –, Itália, Holanda, Suíça, Bélgica e mais tarde Espanha, Portugal
jogou em antecipação. Os portugueses, antes de qualquer ordem marcial,
rapidamente entenderam o problema e atacaram-no com responsabilidade. O
teletrabalho entrou nas casas das pessoas, o confinamento começou a fazer parte
do dia a dia… Os portugueses compreenderam que a vida não seria, para já, como dantes e o abdicar (com algumas – felizmente, poucas – exceções) de datas
importantes como a Páscoa permitiu aplanar a curva mais cedo do que o mais
optimista dos cenários.
A ministra da
Saúde apontou ao hiato entre 23 e 25 de março como o pico do surto em Portugal.
Não temos a certeza, mas os indicadores são positivos e o gráfico da
Universidade Johns Hopkins não engana, a curva está a ser lentamente achatada.
A normalidade,
segundo o primeiro-ministro António Costa, vai ser obtida de forma gradual e,
espera-se, coordenada e ordenada a partir de maio. Ou seja, fica na retina a possibilidade
de não se renovar o estado de emergência, depois de ter acontecido por três vezes,
desde 19 de março.
Assim, é hora de apontar
aos mais, aos menos e aos assim-assim desta fase:
OS MAIS:
António Costa: o primeiro-ministro foi firme e
assertivo nas suas intervenções. Passou uma imagem de confiança aos portugueses
e nunca transpareceu ter perdido o norte, mesmo que tivesse acontecido. Nestes
momentos, Portugal precisa de líderes fortes. António Costa foi-o, mesmo que,
aqui e ali, tivesse cometido gaffes, como a da austeridade. Num dia, não vai
haver de certeza, seis dias depois, é uma possibilidade.
Rui Rio: um Governo é tão forte conforme a força
vinda da oposição. Chapeau a Rui Rio nesta fase. Foi estadista, soube
estar e isso trouxe-lhe elogios dentro e fora de portas. Até a bancada
reconheceu as suas palavras de responsabilidade. Ainda assim, soube criticar
quando foi preciso, como no caso da libertação dos presos. Ponto negativo? A
carta aos militantes do PSD. Desnecessário!
Marta Temido: a ministra começou aos soluços, mas lá
encontrou o trilho que a tem levado a bom porto. Da tremedura à solidificação.
Assim é o trajeto de Marta Temido. Hoje, poucos põem em causa o porquê de se ter
mantido no Governo contra todas as expectativas.
Profissionais
de saúde e forças de segurança: incansáveis desde a primeira hora, têm respondido a preceito ao surto,
sem esquecerem as demais doenças. O SNS, os hospitais privados, a PSP, a GNR e
a Proteção Civil, hoje mais do que nunca, mostraram o quão necessário são para
a manutenção da estabilidade social. A estes exigia-se quase o impossível e
responderam com… um milagre. Muito obrigado!
OS MENOS:
Ferro
Rodrigues: a insistência na
celebração do 25 de Abril com 130 pessoas na Assembleia da República, sem
consultar as autoridades de saúde, que têm norteado as decisões são só mais um
prego no caixão da vida política do Presidente da AR. A este facto, junta-se
uma postura muito pouco responsável para o cargo que ocupa. À cabeça, a
dualidade de critérios em relação às bancadas de esquerda e de direita,
permitindo desvarios a uns e sendo muito rigoroso para com outros. Mas há mais!
A tentativa de apoucar deputados de direita como aconteceu com João Almeida do
CDS não o dignificam como Presidente da casa da democracia.
Marcelo Rebelo
de Sousa: o Presidente
dos afectos foi traído pela COVID-19. A mesma não os permite e o Presidente da
República pareceu vazio de conteúdo. Pouco ou nada tem dado ao País, a não ser
o sentido de estado de ser o eco das decisões governamentais. É mau? Não! É
pouco? É pouquíssimo para um Chefe de Estado em momentos de pandemia.
Graça Freitas: a celebração do 25 de Abril nestes
moldes, sem o seu consentimento é só mais uma mancha no pano já por si bastante
sujo. A diretora-geral da Saúde começou por apontar ao milhão de infetados,
depois disse que afinal o coronavírus não ia chegar cá, depois não só não
desautorizou as visitas aos lares, como os incentivou – com os resultados que
se sabe –, não foi assertiva sobre se o ibuprofeno era ou não prejudicial, andando
a reboque de uma OMS que também pareceu perdida, e foi pouco esclarecida sobre
o uso ou não de máscaras. Os portugueses nunca puderam confiar ou contar com
Graça Freitas. Assim, não vale a pena continuar.
André Ventura: num momento em que não se devia
politizar a doença, o Chega, através de André Ventura, fê-lo, e em várias
situações. Fê-lo no Parlamento com discursos incendiados e que pouco
acrescentaram; fê-lo quando quis visitar doentes e lares, por demagogia e
propaganda, pois sabia que isso só poria em perigo uma faixa etária já de si de
risco; fê-lo ao afirmar ter entregue mantimento à igreja, com o padre a
desmenti-lo. Só não o fez quando foi terminantemente contra a celebração do 25
de Abril nos moldes em que está pensado.
OS ASSIM-ASSIM:
João Cotrim de
Figueiredo: A seu favor,
a coerência que sempre teve no discurso, nomeadamente contra os sucessivos
estados de emergência. Concorde-se ou não, tem esse mérito e explicou-o bem na
AR. Ainda a seu favor, o aproveitar de forma irrepreensível o programa moderado
pelo Ricardo Araújo Pereira: “Isto é gozar com quem trabalha”, da SIC, para
explicar o que é ser um partido liberal em Portugal. Através da audiência e do
eco nas Redes Sociais, os portugueses ficaram mais esclarecidos do que nunca
nesta temática. De resto, o deputado da IL pouco acrescentou no estado de emergência
e saiu pouco da sombra.
PCP e BE: não têm estado particularmente mal, mas
têm sido bastante anulados pelo Partido Socialista, que tem sabido navegar este
barco sem que preciso fosse ter os companheiros de Geringonça a bordo. Pouco ou
nada têm acrescentado, sendo que os comunistas poderão ficar queimados com as
iniciativas das centrais sindicais – CGTP e UGT – no 1 de maio. Veremos…