Wednesday, November 9, 2016

E agora?

Donald Trump venceu as eleições americanas contra as notícias que vinham chegando por via das sondagens feitas um pouco por toda a América.

Os europeus estavam descansados; os mercados estavam descansados; o resto do mundo estava descansado.

Os americanos não o quiseram e passaram uma mensagem que alguns já tinham percebido, mas que a maioria não quis entender. Os americanos não acreditam neste sistema político, estão farto dele e querem algo diferente.

Donald Trump percebeu isso, apelou ao sentimento - mesmo que mais primário das pessoas - e foi galgando degraus. Para os americanos, Donald Trump é a personificação do "American Dream". Um homem que ficou rico (o pai ajudou com um milhão de dólares), perdeu tudo e reergueu-se até ser o multimilionário que hoje é.

Com Trump muita coisa vai ser diferente mas não tanto quanto ele apregoou na campanha. O Partido Republicano não vai em loucuras vãs.

Analisaremos, portanto, o que pode mudar na política interna…

Proteccionismo
Esta é uma das palavras que tem de entrar no léxico dos europeus e vão percebê-lo da pior forma. Os EUA vão virar-se para dentro. Trump quer recuperar capital americano investido fora do país, quer o pleno emprego e quer crescimento económico. Para isso acredita que não precisa da Europa. Em boa verdade, não precisa assim tanto. Com Trump vão ser primeiros os americanos, depois os outros.

Obama Care
Barack Obama ficará na história ao providenciar cuidados básicos de saúde a toda a população. Donald Trump não quer saber e os números divulgados ajudam-no. Manter o Obama Care é uma loucura em termos financeiros. Problema? Estamos a falar de pessoas e de saúde pública. Para o republicano é mais: "i don't care. Money talks". Isto é um retrocesso muito perigoso. Veremos o que acontece.

Tensão racial
Trump, só por aparecer, cria essa tensão racial e isso deve-se ao que instigou ao longo da campanha eleitoral. Não acredito que se volte à segregação, mas a tensão vai crescer e pode tornar-se insustentável. Trump tem de ser mais moderado nesta matéria, pois nem ele quer ser apanhado no meio de um problema criado pela sua própria demagogia.



Apesar de se querer virar mais para si mesmo, os EUA não vão (nem querem) isolar-se do mundo. Eis o que pode mudar em termos externos…

NATO
Donald Trump despreza a NATO, o que ela representa e não vê nela qualquer utilidade. Para o novo Presidente americano, a NATO tem sido um sorvedouro de vários países de dinheiros dados pelos EUA. Esta é uma visão bastante retrograda do que representa a NATO desde a sua criação, em 1947, no pós-Segunda Guerra Mundial.  
Donald Trump deve debruçar-se sobre os dossiês da NATO para perceber melhor que os acordos, apesar de beneficiarem a Europa, vão de acordo, essencialmente, às pretensões americanas. Desvalorizar a NATO e trabalhar num “mundo” paralelo é destruir o que foi feito ao longo de anos, destruir a Ordem Mundial e criar uma nova que não se sabe no que pode dar.

Líderes controversos
Donald Trump já admitiu apreciar Vladimir Putin e Bashar al-Assad, respetivamente líderes da Rússia e da Síria. Esta ligação estranha, no mínimo, à Rússia é mais uma prova da pretensão de Trump em querer distanciar-se da NATO. Mas o que é verdadeiramente Putin? A Rússia é tudo menos o comunismo como o conhecemos. O homem está longe de ser um Estaline, mas não deixa de ser uma figura controversa. De facto, Putin é um nacionalista russo, um ex-KGB, cuja escola obedece e faz obedecer a um rigor de que o Presidente russo não abdica. Todavia, a Rússia é hoje mais ocidental do que alguma vez fora. O capitalismo é uma realidade e neste país vê-se mais ostentação do que predominância da classe operária tão familiarizada com o partido da foice e martelo.
Hoje, a Rússia não é uma nação capaz de ser uma ameaça mundial. É-o à Ucrânia e isso não é de somenos. Em comum, o facto de estarmos a falar de dois narcisistas convictos.
Estar perto de Bashar al-Assad é bem mais perigoso. O homem tem laivos de ditador e teve atitudes para com a população que o deveriam obrigar a ser julgado pelo Tribunal dos Direitos do Homem, em Haia. Esta proximidade, a mim, parece-me que terá mais que ver com o ISIS do que com qualquer outra situação.

Médio Oriente
Com o Partido Republicano no poder é quase certo que os EUA entram em guerra. O lobby das armas é fortíssimo e isso vê-se no Senado e na Câmara dos Representantes em que a Lei que visa proibir a venda de armas não tem passado.  

Donald Trump, em várias intervenções, disse querer acabar com o Estado Islâmico e por certo vai avançar. O Médio Oriente é estratégico em termos políticos e económicos, como demonstraram antes Bush pai e Bush filho. Trump não deve ter uma atitude menos belicista do que os antecessores. Depois da retirada das tropas do Afeganistão por parte de Obama, eis que regressam ao terreno inimigo, agora, muito provavelmente, a mando de Trump. 

Thursday, September 22, 2016

As ideias da Mariana

Já passaram uns dias sobre as polémicas declarações de Mariana Mortágua, que praticamente dizimaram o seu estado de graça.

Dois pontos que servem de opinião ao que disse Mariana Mortágua: 

Primeiro: não sou contra o tal imposto sobre bens acima de um milhão de euros. Não tenho bens dessa ordem de grandeza, mas considero que esse imposto terá um efeito inócuo na receita/abaixamento da despesa. A própria Mariana Mortágua falou em oito mil portugueses com bens desse valor, dos quais (todos sabemos) só cinco ou seis mil pagarão mesmo o imposto, porque dois a três mil vai arranjar forma de não o pagar. Ora, um por cento sobre um milhão de euros são 100 mil, mas coloquemos o valor em 200 mil... Se multiplicarmos por seis mil pessoas, a soma não dá para pagar cinco por cento da despesa total da segurança social. Ou seja, este imposto parece-me demagogia pois não resolverá problema algum e poderá até ser prejudicial à nossa economia se todos esses oito mil se lembrarem de tirar de cá o dinheiro. 



Segundo: o problema é que Mariana Mortágua disse bem mais do que isso. Disse que não "podíamos ter vergonha de ir buscar a quem acumula".  Isto é, todas as poupanças que os portugueses têm são passíveis de tributação, bens que tenhamos, mesmo que herdados, farão de nós ricos, logo passíveis de tributação. E por aí adiante... Este discurso leninista é que é perigoso e que eu pensava não existir fora de Cuba e da Coreia do Norte. Pior é pensar que o PS embarca nisso. 

Conclusão: acho que quem mais tem, mais deve pagar sem que se faça uma perseguição aos ricos. Devemos, isso sim, criar motivações na classe para que invistam. Parafraseando Olof Palme: "não queremos acabar com os ricos, queremos é acabar com os pobres".

Monday, August 22, 2016

Rescaldo do Rio’2016

E no fim veio apenas uma medalha de Bronze (abençoada Telma!). De facto é muito pouco, pior do que em Londres’2012, mas convém atentar na conjuntura…

Desportivamente, ao falarmos de Portugal, falamos de um País sem qualquer cultura desportiva, mas futeboleira; há desinvestimento no Desporto Escolar; poucas infra-estruturas para a prática de desporto em idades mais jovens, mormente pistas de Atletismo, rinques de patinagem, espaços públicos para modalidades como Andebol e Basquetebol. Porém, e se houvesse? Era diferente? Talvez não! Talvez porque temos de fazer um trabalho de fundo que demora anos e ultrapassa gerações. Talvez porque é necessário mudar mentalidades, incitar à prática do desporto desde muito jovem fazendo ver aos jovens portugueses – os de hoje e os vindouros – que nem todos serão Cristianos Ronaldos e que nem todos darão, sequer, para o Futebol. Apresentar outras soluções é uma parte do caminho.

Uma vez enveredado pela prática do desporto é preciso que o ciclo escolar valorize esse facto e não se sobreponha. Haver horários escolares absurdos, até altas horas da tarde, completados com trabalhos de casa e testes a toda a hora deixa pouco tempo para os jovens pensarem em desporto com afinco e com o foco necessário para não desistirem.

As actuais condições com que alguns dos atletas presentes trabalham são deploráveis e mesmo não conseguindo medalhas tiveram campanhas positivas. Exemplo disso foram o Futebol Sub-23 (apesar da goleada com a Alemanha), Nelson Évora, Patrícia Mamona, Ana Cabecinha, Nélson Oliveira e Luciana Diniz. Outros, porém, ficaram aquém. Na Canoagem, as algas não deixaram ganhar medalhas; na Vela (onde já demos cartas) nem fomos às regatas das medalhas; na Maratona feminina houve duas desistências; no Triatlo, João Silva fez pior do que Londres, no Lançamento do Peso não fomos à final e no Judo houve portugueses eliminados de forma “estranha”.

Se queremos mais medalhas e menos diplomas, o Estado Português tem de trabalhar na base de forma a que não se gastem 17 milhões de euros nuns Jogos Olímpicos para… uma medalha de Bronze. Ao fim e ao cabo este foi o maior investimento de sempre do País no certame, mas os resultados ficaram aquém.

Ora, se o problema não foi dinheiro, nem são os Centros de Alto Rendimento (há 12 em Portugal), qual foi, afinal, o problema? Mentalidade e ego! Quando dizemos que as medalhas não são a prioridade; quando dizemos que o que interessa é participar; quando a culpa é das algas; quando o problema é o horário das provas não podemos vencer medalhas. Mas há mais! Quando temos uma atleta lesionada que “não deixa” que outra com melhor marca a substitua, isso é ter um ego maior do que Portugal. Sara Moreira e Jéssica Augusto desistiram, não deram espaço a Filomena Costa de participar, isto semanas depois de terem sido agraciadas com a Ordem de Mérito pelo Presidente da República. Bonito não haja dúvidas.

Se queremos ter melhores resultados temos de investir, não 17 milhões numa viagem ao Rio de Janeiro, mas sim nas bases com que se criam atletas de alta competição: condições ao nível das infra-estruturas; aposta no Desporto Escolar; protocolo com os melhores clubes em cada modalidade para que os jovens continuem o seu processo formativo; recrutamento dos melhores treinadores portugueses e estrangeiros; aposta numa mentalidade competitiva assente na vitória.


Só assim poderemos estar preparados para repetir Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora. 

Tuesday, August 9, 2016

“Canção de Lisboa” fecha trilogia light

Como ponto prévio, tenho de dizer que não vi – propositadamente – o “Leão da Estrela”. Ao ver a trailer deparei-me com um espectáculo muito fraco, o que, só por si, me dissuadiu de ir ao cinema ver o filme completo.

Todavia vi o “Pátio das Cantigas” e o “Canção de Lisboa”, filme que encerra a trilogia light de remake de filmes históricos do cinema português. É deste último que falarei daqui em diante…


Mais fraco do que o “Pátio das Cantigas” (para mim o melhor dos três), o “Canção de Lisboa” é uma comédia que se vê bem, que nos permite esquecer os problemas do dia-a-dia durante cerca de duas horas e ainda nos mostra alguns locais interessantes da cidade de Lisboa. O argumento, não sendo riquíssimo, não complica e, dentro da superficialidade, faz sentido e não foge totalmente do original, embora faça adaptações como se fizeram no “Pátio das Cantigas”.

A história de um playboy que se arrasta eternamente pela faculdade de medicina, mais preocupado em aulas de anatomia fora da sala de aulas do que dentro dela arranca risos fáceis. O estilo engraçado, desprendido e até algo destrambelhado de Vasco Leitão, interpretado por César Mourão, arranca uma gargalhada fácil a quem vê o filme.

Porém, por detrás deste desapego pelas mulheres que lhe vão passando pela cama numa base quase diária esconde o medo de se apaixonar por alguém que lhe machuque o coração, um dos poucos órgãos do corpo humano que Vasco Leitão aprendeu ser um músculo no curso de medicina que teima em não terminar. Quem o vai fintar nesses intentos é Alice (Luana Martau). A actriz brasileira interpreta a filha de José Cardoso (Miguel Guilherme) que foi para o Brasil com a mãe e que mantém uma relação quase nula com o pai. Por hora da campanha eleitoral para Primeiro-Ministro, Alice regressa a Portugal para ajudar o pai a troco de uma compensação financeira e acaba por se apaixonar e deixar apaixonado Vasco Leitão.

A partir desse reencontro a história do filme vai-se desenrolando com o foco a ser o amor e desamor deste casal. Em jeito de comédia romântica “meio sem jeito” como se diz na terra de Luana Martau, tudo acaba em bem. 

Thursday, June 16, 2016

O equívoco de António Costa

Chega-se à conclusão que é necessária uma recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e qual é a decisão de António Costa? Vamos retirar o limite de salários para os administradores do banco público!

Nada contra a medida em si, mas sim contra o "timing" e o princípio da mesma. 

Sobre o "timing" há pouco a dizer. Na minha opinião, António Costa deveria estar preocupado em pedir uma auditoria às contas e gestões da CGD para se apurar responsabilidades. O PS e restante esquerda não a veem com bons olhos e isso só poderá ter a ver com o facto de, aos poucos, se ir percebendo que a gestão mais danosa (mas não a única) é a de Armando Vara e Santos Ferreira. 



Sobre o princípio, o mesmo tem que ver com o facto de António Costa acreditar que uma pessoa é mais profissional e terá mais brio se ganhar 50 mil euros/mês do que ganhando 25 mil euros/mês. Pois bem, eu não acredito nisso. Acredito sim, que ser profissional, responsável e ter brio é algo do domínio do carácter de cada um. 

Só posso falar de mim. Cometo erros, mas deito-me todos os dias consciente que, nesse dia, fui e fiz pela minha entidade patronal o melhor possível. E seria sempre assim pagando-me ela 500, 1000, 2000 ou 10.000 euros.

Wednesday, May 18, 2016

Falta quase tudo menos o vento

Falo do novo rooftop do Amoreiras Shopping Center. Abriu há muito pouco tempo e desde sempre que fiquei com interesse em visitá-lo. 

O Amoreiras tem proporcionado aos que o visitam agradáveis surpresas ao longo da sua vida - o novo espaço de restauração é um exemplo - e o #amoreiras360panoramicview seria mais um. 


Uma vez mais, a gestão de expectativas deveria ter sido mais cuidada (tenho recebido vários avisos ao longo do tempo). Grande publicidade à abertura, caracterizado com espaço único no coração de Lisboa, visita gratuita no primeiro dia... Tudo ingredientes para que o novo rooftop estivesse no top de notícias aquando da inauguração. 

Deixei passar uns tempos e resolvi visitá-lo no dia 17 de Maio, data que coincidiu com uma ida ao Shooping Center. 

O valor é 5€. Antes de subir não me pareceu excessivo, mas logo mudei de opinião quando cheguei lá acima. À vista é esplendorosa. Verdadeiramente a 360 graus, oferta que deve ser única, mas o espaço pareceu-me algo despido. Tem uns bancos corridos para quem queira usufruir da paisagem sentado e tem legendagem sobre o que mais iconico a capital tem para oferecer. Mas falta algo... Ergonomicamente melhor estruturado e pensado e aquele rooftop poderia albergar um bar que, por certo, seria sucesso ao fim de tarde. Nunca poderia ser muito aberto tendo em conta o imenso vento que faz questão de marcar presença no 18. piso do espaço comercial, mas bem resguardado seria, repito, um sucesso. 

Assim, os 5€ pareceram-me excessivos tendo em conta a oferta, mas a vista, recordo, é deslumbrante. 

Tuesday, May 10, 2016

Escola Pública versus Ensino Privado

O frente a frente está lançado e com ele a polémica. O Governo da Coligação (PSD-PP) celebrou durante o mandato uma série de contratos de associação com alguns colégios e escolas privadas que serviriam de solução para alunos localizados em zonas cuja escola pública era inexistente ou cuja existência não seria financeiramente interessante para o Estado português.

O actual Governo do PS não os vê com bons olhos e está a pô-los em causa e pôr os cabelos em pé aos pais das crianças que usufruem desta solução e que concordam com ela desde o primeiro minuto.

Convém, então, recordar que os contratos de associação foram feitos com entidades – maioritariamente – sem fins lucrativos e cujas condições são bastante vantajosas para o Estado, pois permitiu (está provado) poupanças na ordem de vários milhões; para os alunos pois esta solução permitiu oferecer educação de qualidade em zonas do país em que o Estado não o conseguiria fazer sozinho, pois teria de amontoar alunos em salas.



Remetendo para o particular, dou o meu caso como exemplo… Estudei em ensino privado e numa escola pública. Aprendi muito no privado, naquele tempo a escola estava melhor organizada, a educação estava melhor estruturada, saíamos melhor preparados para o nível seguinte. Todavia, na escola estatal bati de frente com a vida real e cresci como pessoa. Na escola do Estado dás-te – obrigatoriamente – com ricos, pobres, classe média, com alunos provenientes de uma estrutura familiar estável, instável, assim-assim. Numa altura em que iniciava definição dos meus valores morais e a minha personalidade, a escola pública foi muito importante.

Ao fim e ao cabo, o fim é o mesmo: proporcionar a melhor educação ao nosso futuro. Se todos ficam a ganhar por ser no privado em circunstâncias muito concretas, que seja. Não me choca desde que haja SEMPRE a opção estatal nesta temática.

Tuesday, March 22, 2016

Bruxelas, a sequela

Depois de Paris, eis que surgem novos ataques terroristas, desta feita em Bruxelas, capital da Bélgica. Para muitos poderá ser uma retaliação às mais recentes detenções, nomeadamente a de Salah Abdeslam, situação que não creio.

Por que razão haveria tal "onda de solidariedade" perante um terrorista que não se conseguira fazer-se explodir junto ao estádio de França? Estamos perante uma traição aos olhos da Jihad, logo não vejo razão para tal retaliação sob a forma de solidariedade. Acho que os ataques vão muito para além disso...

Hoje estamos perante uma nova realidade e outros desafios bem diferentes do que se passara aquando da Al Qaeda. Ainda não se sabe quem perpetrou o ataque terrorista de Bruxelas mas se virmos o que se passou em Paris, percebemos que são pessoas nascidas em Paris ou Bruxelas, descendentes de pessoas, essas sim, nascidas noutros países (maior parte deles do Médio Oriente) e que emigraram para França. 

O problema em Paris surge pela discriminação existente em termos sociais. Estamos a falar de pessoas marginalizadas, que não têm emprego, que têm poucas oportunidades, mas que também não fizeram um grande esforço para se integrarem. 

A necessidade de se agarrar algo (fé) e a crença feita em forma de lavagem cerebral de que vão mudar o mundo em nome de um ser maior (neste caso Alá) é um perigo a que estamos sujeitos quando a religião é mal interpretada.


Em Bruxelas, a discriminação, por certo, é semelhante. Assim estão reunidas condições para organizações como a Al Qaeda (funcionava como um todo e era dali que tudo saía para espalhar o terror no mundo) ou o Estado Islâmico (organização mais sofisticada, que funciona com células espalhadas pelo mundo, que respeitam indicações e recebem condições, mas que mais parecem franshinsings) fazerem o recrutamento com maior facilidade, pois diante delas estão pessoas que sentem que nada têm a perder. 

O facto de serem segundas gerações nascidas na Europa prejudica registos anti-terrorismo. Recordo que, no caso de Paris, a maior parte dos terroristas não tinha antecedentes terroristas ou ligações suspeitas. O puzzle montou-se depois.

Saturday, February 27, 2016

PSD, o partido da abstenção

Na oposição, o Partido Social Democrata tem optado por se abster em quase todas as matérias. Depois do BANIF, o PSD volta a tomar a mesma decisão em relação ao Orçamento de Estado, seja na generalidade, seja na especialidade. 

Esta opção está longe de se configurar como a melhor no que concerne à estratégia política. Percebe-se a razão para tal papel; ainda está fresca na memória a "facada" política dada pela esquerda ao PSD. 

Porém, demonstrar algum mau perder com estas abstenções consecutivas só desgasta Passos Coelho. É verdade que na especialidade o PS vai precisar do PSD para fazer passar matérias que não convencirão o Bloco Esquerda e o Partido Comunista Português, mas utilizar essa dependência para "tirar o tapete" a António Costa parece-me má jogada. 

O "casamento" da geringonça ainda está num mar de rosas e Passos Coelho só precisaria de esperar pelo momento certo para atacar, pois motivos de fricção entre PS, BE e PCP não vão faltar. Assim só se desgasta a ele, ao partido e demonstra pouca responsabilidade política. 

Thursday, February 18, 2016

Porquê a eutanásia?


de repente a eutanásia surge como tema em discussão em Portugal. 

Sem que estivesse em agenda política, ultrapassando pela direita outros temas prementes, mormente o Orçamento de Estado que agora parece de su-menos.

Na verdade não compreendo esta atitude sôfrega sobre a necessidade imediata de se discutir a eutanásia, e logo com referendo.

Estamos a falar de um tema que remete para a consciência e valores de cada um, ou seja, é fundamental que o mesmo não seja atirado com esta ligeireza para a discussão pública; é necessário criar condições com maior substância para que o tema seja devidamente discutido. Assim, até se tomar uma decisão ou partir para um referendo, há um caminho fulcral a fazer. 

Eu, por exemplo, não tenho uma opinião formada sobre a eutanásia e não quero ser obrigado a fazê-lo com "deadline" diante de um papel com uma questão e duas opções de resposta.


Já agora. Porquê a eutanásia agora quando não se conhece um único caso em que o doente terminal tenha solicitado a mesma como solução última? 

Aliás, termino recordando que só há um caso conhecido na Europa desde sempre, o que permite tirar conclusões sobre a prioridade desta temática.  

Wednesday, February 17, 2016

Mulheres no poder

O que se passa actualmente no Bloco de Esquerda é uma lufada de ar fresco na política portuguesa.

Desde Maria de Lurdes Pintassilgo que não se via uma mulher com tanto protagonismo em Portugal. O Bloco Esquerda teve o mérito de colocar logo três nos píncaros.


Antes de exaltar a presença da força feminina na política portuguesa, convém contextualizar o curto caminho do partido de esquerda. Formado em 1999, o BE surge com elevada pujança nas Eleições Europeias desse mesmo ano. Na altura, Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas eram as figuras do partido.

Nos anos seguintes, o BE continuou a ombrear nas Eleições com o PCP, roubava eleitorado ao PS dividindo a esquerda. Nada disso, todavia, impediu a primeira maioria absoluta do PS através de José Sócrates.

Anos mais tarde, após a sua fundação, o partido passou por um certo marasmo, perdeu eleitorado mais jovem – a sua grande força – viu o PCP distanciar-se, viu Francisco Louçã abandonar, criou a inédita liderança bicéfala. O BE parecia perdido.

Catarina Martins era a mulher da liderança bicéfala (juntamente com João Semedo). Pouco a pouco aproximou-se das pessoas, criou empatia fruto do seu carisma e, por vezes, do discurso inflamado e fez “nascer” outros nomes no feminino que germinaram no partido: Mariana Mortágua e Marisa Matias.

A última era, por ora, deputada no Parlamento Europeu; Mariana Mortágua notabilizara-se na Comissão de Inquérito ao BES.

As três, juntas, cresceram e com elas o Bloco Esquerda começou a ser olhado de outra forma. Os resultados estão à vista: melhor registo de sempre numas Eleições Legislativas e numas Presidenciais, e o BE acabou por ter um papel providencial na viabilização do actual Governo PS.


Independentemente da forma como foi feito o acordo – o qual não concordo e já o disse – as três mulheres fortes do Bloco Esquerda criam urticária no PCP e mudaram a forma como a política portuguesa vê a presença do género no Parlamento. 

Monday, January 25, 2016

Rescaldo das Presidenciais

Marcelo é o novo Presidente da República! Esse é um dado insofismável, tanto quanto os distritos que ganhou: todos!

Aliás, este é um facto inédito. Nunca um candidato a Presidente da República o tinha conseguido à 1.ª volta. Este foi o cenário que “pintou” a noite de domingo, dia 24.

Mas há mais… Primeiro, dizer que Marcelo Rebelo de Sousa foi o grande (e único) vencedor da noite eleitoral; Maria de Belém Roseira e Edgar Silva foram os grandes derrotados, mas as declarações de Jerónimo de Sousa também o colocam neste indesejado patamar. Ao dizer que o PCP “poderia ter arranjado uma candidata engraçadinha”, o líder comunista mostrou não perceber o crescimento do Bloco Esquerda e do “tridente” feminino (Marisa, Catarina e Mariana) desde as Legislativas.

Voltemos a Marcelo Rebelo de Sousa! O novo Presidente da República fez uma campanha sóbria, sem compromissos a fim de não perder votos à esquerda e à direita. Conseguiu-o, não por ter sido brilhante – não o foi – mas sim porque os restantes candidatos mostraram ser muito fracos.




No discurso disse ser o Presidente de todos os portugueses (Cavaco Silva também o disse no primeiro mandato) e da convergência, mas Marcelo vai ter de fazer aquilo que menos gosta: deixar alguém para trás.

O novo Presidente da República mostrara no comentário político gostar de agradar a “gregos e a troianos”; protelou essa postura para a campanha, mas os desafios que Portugal atravessa e os vindouros obrigarão Marcelo Rebelo de Sousa a tomar medidas, decidir. E isso obriga sempre a duas partes: a mais forte (a que vence na decisão) e a mais fraca (a que perde na decisão).

O dilema, porém, não se fica por aqui. Ao falar de convergência, Marcelo mostrou querer unir a direita, aproximá-la da esquerda e assim unir Portugal pelo bem comum. Ter sentido de Estado é importante, sobretudo em momentos de crispação, mas o desafio não se antevê fácil. Marcelo não pode negar a sua faceta conservadora, de ligação estreita com a Igreja Católica e o facto de ser um dos fundadores do PSD. Pode ter-se demarcado do apoio dos partidos da direita portuguesa, mas não pode negar o ADN político.

Ao longo da campanha eleitoral, Marcelo Rebelo de Sousa “piscou o olho” a António Costa em várias ocasiões. O Primeiro-ministro terá agradecido. E Bruxelas? Agradecerá? Veremos…

Uma palavra a Sampaio da Nóvoa. Excelente campanha eleitoral, cresceu com o tempo e com os debates e na hora da derrota foi um senhor. Discurso sóbrio, humilde e que soube reconhecer quem ganhou.

Vitorino Silva ou Tino de Rans, se preferirem, foi o vencedor dos “candidatos do povo” e esteve perto de humilhar (ainda mais) Edgar Silva. Como ele disse, fica-se pela “Liga Europa” e como a lufada de ar fresco dentro do marasmo que foi a campanha eleitoral às Presidenciais.

Dos outros… bem, dos outros não reza a história.