Wednesday, February 17, 2016

Mulheres no poder

O que se passa actualmente no Bloco de Esquerda é uma lufada de ar fresco na política portuguesa.

Desde Maria de Lurdes Pintassilgo que não se via uma mulher com tanto protagonismo em Portugal. O Bloco Esquerda teve o mérito de colocar logo três nos píncaros.


Antes de exaltar a presença da força feminina na política portuguesa, convém contextualizar o curto caminho do partido de esquerda. Formado em 1999, o BE surge com elevada pujança nas Eleições Europeias desse mesmo ano. Na altura, Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas eram as figuras do partido.

Nos anos seguintes, o BE continuou a ombrear nas Eleições com o PCP, roubava eleitorado ao PS dividindo a esquerda. Nada disso, todavia, impediu a primeira maioria absoluta do PS através de José Sócrates.

Anos mais tarde, após a sua fundação, o partido passou por um certo marasmo, perdeu eleitorado mais jovem – a sua grande força – viu o PCP distanciar-se, viu Francisco Louçã abandonar, criou a inédita liderança bicéfala. O BE parecia perdido.

Catarina Martins era a mulher da liderança bicéfala (juntamente com João Semedo). Pouco a pouco aproximou-se das pessoas, criou empatia fruto do seu carisma e, por vezes, do discurso inflamado e fez “nascer” outros nomes no feminino que germinaram no partido: Mariana Mortágua e Marisa Matias.

A última era, por ora, deputada no Parlamento Europeu; Mariana Mortágua notabilizara-se na Comissão de Inquérito ao BES.

As três, juntas, cresceram e com elas o Bloco Esquerda começou a ser olhado de outra forma. Os resultados estão à vista: melhor registo de sempre numas Eleições Legislativas e numas Presidenciais, e o BE acabou por ter um papel providencial na viabilização do actual Governo PS.


Independentemente da forma como foi feito o acordo – o qual não concordo e já o disse – as três mulheres fortes do Bloco Esquerda criam urticária no PCP e mudaram a forma como a política portuguesa vê a presença do género no Parlamento. 

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