O que se passa actualmente no Bloco de Esquerda é uma lufada
de ar fresco na política portuguesa.
Desde Maria de Lurdes Pintassilgo que não se via uma mulher
com tanto protagonismo em Portugal. O Bloco Esquerda teve o mérito de colocar
logo três nos píncaros.
Antes de exaltar a presença da força feminina na política
portuguesa, convém contextualizar o curto caminho do partido de esquerda.
Formado em 1999, o BE surge com elevada pujança nas Eleições Europeias desse
mesmo ano. Na altura, Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas eram as
figuras do partido.
Nos anos seguintes, o BE continuou a ombrear nas Eleições
com o PCP, roubava eleitorado ao PS dividindo a esquerda. Nada disso, todavia,
impediu a primeira maioria absoluta do PS através de José Sócrates.
Anos mais tarde, após a sua fundação, o partido passou por
um certo marasmo, perdeu eleitorado mais jovem – a sua grande força – viu o PCP
distanciar-se, viu Francisco Louçã abandonar, criou a inédita liderança bicéfala.
O BE parecia perdido.
Catarina Martins era a mulher da liderança bicéfala
(juntamente com João Semedo). Pouco a pouco aproximou-se das pessoas, criou
empatia fruto do seu carisma e, por vezes, do discurso inflamado e fez “nascer”
outros nomes no feminino que germinaram no partido: Mariana Mortágua e Marisa
Matias.
A última era, por ora, deputada no Parlamento Europeu;
Mariana Mortágua notabilizara-se na Comissão de Inquérito ao BES.
As três, juntas, cresceram e com elas o Bloco Esquerda
começou a ser olhado de outra forma. Os resultados estão à vista: melhor
registo de sempre numas Eleições Legislativas e numas Presidenciais, e o BE
acabou por ter um papel providencial na viabilização do actual Governo PS.
Independentemente da forma como foi feito o acordo – o qual
não concordo e já o disse – as três mulheres fortes do Bloco Esquerda criam
urticária no PCP e mudaram a forma como a política portuguesa vê a presença do
género no Parlamento.

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