Monday, July 30, 2018

Era uma vez um Robles

A bomba rebentou nas mãos de Ricardo Robles, mas os estilhaços atingiram Catarina Martins, Mariana Mortágua e Francisco Louça: afinal, o maior arauto contra a especulação imobiliária, fazia-o com um prédio em Alfama, usando os mesmos métodos que criticara nos outros.

O problema não está na - legítima - tentativa de lucro de Robles e da sua irmã (a principal culpada, segundo as suas palavras). Todos os portugueses tentariam rentabilizar o mais possível o investimento feito. O problema está noutros factores. A ver:
- Ricardo Robles comprou o prédio à Segurança Social em hasta pública por um valor de 347 mil euros, quando já exercia um cargo na Assembleia Municipal, isto é, tinha acesso privilegiado a estes concursos e isso consagra um delito;

- Colocou um projeto na Câmara Municipal de Lisboa para aumentar um andar no prédio. A situação foi aceite no período de um ano, tempo recorde como se sabe. A relação promíscua vê-se no facto de se ter tornado deputado da CML pouco tempo depois;

- Robles usou os mesmos métodos de despejo que criticara noutros proprietários, o que faz cair a máscara da hipocrisia. Com esta atitude, mandou, pelo menos, 4 pessoas para o desemprego. Pior! Colocou as culpas na irmã, num acto que me escuso de qualificar;

- Não despejou um casal de idosos (devido a uma Lei criada pelo governo PSD/CDS), mas “deu-lhes a volta” ao convencê-los a aceitarem obras de melhoramento da fracção. O que isto implica? O contrato termina dentro de 8 anos e devido às obras feitas já poderão ser despejados;

- Manchou ainda mais a pouca dignidade que lhe restava ao arrastar por três dias o pedido de demissão e depois de ter dito que não o faria.

A este cenário negro, juntaram-se as paupérrimas desculpas de Mariana Mortágua, Catarina Martins e Francisco Louça. A primeira e o último, pela inteligência e capacidade de argumentação demonstraras ao longo dos anos, surpreenderam pela negativa. Foi triste vê-los a arrastar em desculpas em que eles próprios não acreditavam; Catarina Martins foi ainda mais longe e desceu mais  baixo: foi pela teoria da cabala e ainda acusou o PSD, qual José Sócrates.

Finalmente acossada, Catarina Martins mostrou o que já se vira: discurso de retórica, com poucas soluções que não sejam utópicas e com uma posição de superioridade moral de quem nunca esteve  no governo.

Pois bem, à Catarina e ao Bloco de Esquerda terminou a superioridade moral. Pelo menos aquela que achavam que tinham até estes dias.