Monday, September 7, 2015

Portugueses sim, refugiados... nim

Os refugiados estão na ordem do dia. Vêm, na sua maioria, da Síria mas são iraquianos de religião muçulmana (fugiram do Iraque para a Síria para deixarem uma guerra para trás e agora tentam desviar-se de outra).  

Perante este cenário, vaguear milhares de quilómetros até entrarem no espaço europeu foi a solução encontrada por famílias inteiras em busca de uma vida melhor no Velho Continente.  

Esta onda migratória desencadeou uma outra onda, a da indignação. Países houve em que as recepções foram exemplos de solidariedade e compaixão (Alemanha) mas casos houve como a Hungria em que o ostracismo foi o modus-operandi. 



Em Portugal, vejo muitas pessoas contestarem o facto de países ricos e muçulmanos como a Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait ou Emirados Árabes Unidos não querem receber qualquer refugiado. Esta atitude justifica-se pela ligação estreita e estratégica a nível geo-político e financeiro com o Estado Islâmico.  

Sermos um espaço de asilo para outrém como outros países foram para os portugueses em tempos idos - convém não ter memória curta - não me choca. A problemática é outra: mais importante do que receber alguém em nossa casa, é ter condições para o receber. Pergunto: Tem Portugal condições para oferecer uma vida digna a estes refugiados? Se sim, porque não a deu a tantos e tantos portugueses que desesperam por uma vida melhor?! Se não, não estaremos a "comprar" o problema intramuros num futuro não muito longínquo?  

Não podemos ser xenófobos, racistas e preconceituosos, mas sem ser bacoco, o chauvinismo aqui terá de ser uma carta a ser deitada na mesa num baralho que parece difícil de resolver.