Desde meados dos anos 80 que não se conheciam casos de
Sarampo em Portugal, doença entretanto dada como extinta já no Século XXI. Uma “nova
moda” fez regressar uma doença que pode trazer efeitos nefastos junto da
sociedade portuguesa, nomeadamente entre os mais jovens.
A tal “nova moda” passa por não vacinar as crianças. Vários
pais optam por esta via como alternativa à utilização de vacinas consideradas
perigosas para a saúde da criança – houve, inclusive, associação ao autismo.
Mas de quem é a culpa desta “nova moda”? Dos pais? Sim, mas a mim parece-me que
não são os únicos com responsabilidade no aparecimento da epidemia.
De facto há uma série de profissionais na área da saúde que
passam a ideia de que vacinar as crianças lhes causará, futuramente, algum mal.
Esta postura é recorrente nos Estados Unidos da América, país que tem pelo
menos sete surtos distintos de Sarampo em diversos estados, segundo a
Organização Mundial de Saúde. Esta desinformação propagada por vários
profissionais ao longo dos anos é a nossa pior epidemia e deverá ser erradicada
– tal como a doença – o quanto antes. Uma das formas de a combater passa pela
postura proactiva dos pais na busca de informação sobre os efeitos da vacinação
e da não-vacinação, largando, de uma vez por todas, teorias da conspiração e
muita desinformação reinante.
Voltemos a Portugal. O Sarampo era uma doença erradicada,
como dissera acima, mas atitudes negligentes têm-na feito regressar sob a forma
de epidemia. Há já 21 casos registados, uma morte a lamentar de uma jovem de 17
anos que, sabe-se agora, a mãe era contra a vacinação, e suspeita-se que haja mais
de 95 mil crianças sem vacina contra o Sarampo.
Quando era mais novo fui vacinado contra o Sarampo e ainda
por aqui ando. Apanhei Papeira e Tosse Convulsa, fiquei imune e ainda por aqui
ando. Já agora, e devido à geração a que pertenço, também brinquei na rua; mexi
na terra; joguei à bola; andei de bicicleta; esfolei-me magoei-me; cortei-me;
fui picado por abelhas; engoli umas quantas pastilhas elásticas… e, guess what,
não morri… ainda!
Mais do que uma opinião, neste momento é importante um
conselho: Por favor, vacinem os vossos filhos. Pela saúde deles, pela nossa
saúde.
