Monday, August 31, 2015

O declínio da Sardinha

Alguns estudos já o tinham indicado, mas se dúvidas houvera estas são dissipadas pelo que o mercado nos tem dito. Na lei da oferta e da procura, a Sardinha está, há uns anos a esta parte, mais cara, sinal de que há mais pessoas a querer a iguaria tão tipicamente portuguesa, do que esta para satisfazer o apetite da população.  

Estudos, uns pedidos pelo Governo outros nem tanto, comprovam uma pesca desenfreada da Sardinha nos últimos anos - com muito desperdício, por certo, à mistura - e uma diminuição do stock da mesma. Agora, a ministra Assunção Cristas tem aqui um problema bicudo para resolver. Não pode ignorar a redução de Sardinha na costa portuguesa, salvaguardando a existência desta nos anos vindouros. Mas não pode condicionar o trabalho das frotas pesqueiras, que já tantas dificuldades passam e que podem diminuir perigosamente. 




Para já, a solução encontrada por Assunção Cristas foi a distribuição de valores pecuniários aos pescadores. Até quando? 

Tuesday, August 4, 2015

"Pátio das Cantigas", para ver com baixas expectativas

O filme "Pátio das Cantigas" regressa aos cinemas portugueses, segundo o realizador, Leonel Vieira, em forma de homenagem e não de remake. Não podia ser de outra forma por vários motivos...

A ideia de homenagem é interessante, mas fica aquém. O primeiro "Pátio das Cantigas" merecia uma homenagem mais digna. Porém, nem tudo é mau no filme. Se se o for ver com baixas expectativas, consegue render-se ao riso fácil provocado por uma série de piropos e linguagem mais popular que fazem parte do argumento.

Se for vê-lo numa perspectiva mais intelectual, vai ficar desiludido. O filme tem demasiadas pontas soltas num argumento que teima em ser deficitário num fim condutor que, obrigatoriamente, deveria ter. Há cenas neste novo "Pátio das Cantigas" que não se percebem. E não se percebem porque não são explicadas (e quando o são, são-no mal) pelo realizador.


A mais gritante - entre outras - é os assaltos às lojas do bairro. O primeiro não se percebe como surge e porquê. Até na forma é mau, pois cai ali de pára-quedas; o segundo é ainda pior, pois a meio do acto vê-se os assaltantes a irem embora e não é explicado porquê.

O que se vê é uma adaptação aos tempos modernos, sem se perder a cultura de um bairro típico ainda hoje existente em Lisboa e que faz da capital portuguesa uma cidade tão pitoresca e tão... na moda! Aliás, o "novo" turismo em hostels ou quartos cruza-se com habitantes vestidos com camisolas à manga-cava, que bebem "mines" quase todo o dia. Neste "Pátio das Cantigas" o comércio local e tradicional é quem mais ordena e há tradições que ainda são o que eram! Todos os vizinhos se conhecem, os Santos Populares "alimentam-se" à sardinhada e com música pimba e até as desavenças são resolvidas numa luta mano-a-mano já tão em desuso.

Infelizmente há mais coisas más do que boas no filme, mas conseguimos relativizar quando as expectativas já são baixas e quando nos percebemos, ao ver a trailer, que o novo "Leão da Estrela", que estreia pelo Natal, parece ser pior.

Este filme já é o português mais visto em 2015 e isso justifica-se com uma acção de marketing promocional feito pela RTP (co-produz estas "homenagens") e pela curiosidade dos mais velhos e dos mais novos em torno de uma atitude saudosista e de uma curiosidade histórica criada, respectivamente.