O filme "Pátio das Cantigas" regressa aos cinemas portugueses, segundo o realizador, Leonel Vieira, em forma de homenagem e não de remake. Não podia ser de outra forma por vários motivos...
A ideia de homenagem é interessante, mas fica aquém. O primeiro "Pátio das Cantigas" merecia uma homenagem mais digna. Porém, nem tudo é mau no filme. Se se o for ver com baixas expectativas, consegue render-se ao riso fácil provocado por uma série de piropos e linguagem mais popular que fazem parte do argumento.
Se for vê-lo numa perspectiva mais intelectual, vai ficar desiludido. O filme tem demasiadas pontas soltas num argumento que teima em ser deficitário num fim condutor que, obrigatoriamente, deveria ter. Há cenas neste novo "Pátio das Cantigas" que não se percebem. E não se percebem porque não são explicadas (e quando o são, são-no mal) pelo realizador.
A mais gritante - entre outras - é os assaltos às lojas do bairro. O primeiro não se percebe como surge e porquê. Até na forma é mau, pois cai ali de pára-quedas; o segundo é ainda pior, pois a meio do acto vê-se os assaltantes a irem embora e não é explicado porquê.
O que se vê é uma adaptação aos tempos modernos, sem se perder a cultura de um bairro típico ainda hoje existente em Lisboa e que faz da capital portuguesa uma cidade tão pitoresca e tão... na moda! Aliás, o "novo" turismo em hostels ou quartos cruza-se com habitantes vestidos com camisolas à manga-cava, que bebem "mines" quase todo o dia. Neste "Pátio das Cantigas" o comércio local e tradicional é quem mais ordena e há tradições que ainda são o que eram! Todos os vizinhos se conhecem, os Santos Populares "alimentam-se" à sardinhada e com música pimba e até as desavenças são resolvidas numa luta mano-a-mano já tão em desuso.
Infelizmente há mais coisas más do que boas no filme, mas conseguimos relativizar quando as expectativas já são baixas e quando nos percebemos, ao ver a trailer, que o novo "Leão da Estrela", que estreia pelo Natal, parece ser pior.
Este filme já é o português mais visto em 2015 e isso justifica-se com uma acção de marketing promocional feito pela RTP (co-produz estas "homenagens") e pela curiosidade dos mais velhos e dos mais novos em torno de uma atitude saudosista e de uma curiosidade histórica criada, respectivamente.