Tuesday, August 4, 2015

"Pátio das Cantigas", para ver com baixas expectativas

O filme "Pátio das Cantigas" regressa aos cinemas portugueses, segundo o realizador, Leonel Vieira, em forma de homenagem e não de remake. Não podia ser de outra forma por vários motivos...

A ideia de homenagem é interessante, mas fica aquém. O primeiro "Pátio das Cantigas" merecia uma homenagem mais digna. Porém, nem tudo é mau no filme. Se se o for ver com baixas expectativas, consegue render-se ao riso fácil provocado por uma série de piropos e linguagem mais popular que fazem parte do argumento.

Se for vê-lo numa perspectiva mais intelectual, vai ficar desiludido. O filme tem demasiadas pontas soltas num argumento que teima em ser deficitário num fim condutor que, obrigatoriamente, deveria ter. Há cenas neste novo "Pátio das Cantigas" que não se percebem. E não se percebem porque não são explicadas (e quando o são, são-no mal) pelo realizador.


A mais gritante - entre outras - é os assaltos às lojas do bairro. O primeiro não se percebe como surge e porquê. Até na forma é mau, pois cai ali de pára-quedas; o segundo é ainda pior, pois a meio do acto vê-se os assaltantes a irem embora e não é explicado porquê.

O que se vê é uma adaptação aos tempos modernos, sem se perder a cultura de um bairro típico ainda hoje existente em Lisboa e que faz da capital portuguesa uma cidade tão pitoresca e tão... na moda! Aliás, o "novo" turismo em hostels ou quartos cruza-se com habitantes vestidos com camisolas à manga-cava, que bebem "mines" quase todo o dia. Neste "Pátio das Cantigas" o comércio local e tradicional é quem mais ordena e há tradições que ainda são o que eram! Todos os vizinhos se conhecem, os Santos Populares "alimentam-se" à sardinhada e com música pimba e até as desavenças são resolvidas numa luta mano-a-mano já tão em desuso.

Infelizmente há mais coisas más do que boas no filme, mas conseguimos relativizar quando as expectativas já são baixas e quando nos percebemos, ao ver a trailer, que o novo "Leão da Estrela", que estreia pelo Natal, parece ser pior.

Este filme já é o português mais visto em 2015 e isso justifica-se com uma acção de marketing promocional feito pela RTP (co-produz estas "homenagens") e pela curiosidade dos mais velhos e dos mais novos em torno de uma atitude saudosista e de uma curiosidade histórica criada, respectivamente.


5 comments:

  1. Esse filme (que não vi e conto ver quando for transmitido na TV) provoca-me duas sensações distintas (nenhuma relacionada directamente com o filme):

    1. Quando era miúdo não havia carros estacionados (a Vila Berta (VB) onde o filme foi realizado não tinha nenhum. Havia um Alfa Romeu Julieta lindo de morrer mas tinha direito a garagem dos proprietários da VB, os herdeiros do senhor engenheiro Tojal). Como não havia carros jogava-se futebol à vontade. Na "minha rua" travessa da Pereira havia dois carros e os donos por vezes tinham de os pôr na parte plana da travessa para nos aborrecer. Levavam com cada bolada naqueles vidros! Regressando aos anos 60/início de 70 cada rua, vila ou travessa (menos as avenidas e os becos) tinha uma equipa de quatro ou cinco que fazia o Inter-ruas. Os "Bertas" eram tão queques que perdiam os jogos mesmo jogados em casa, ou seja na Vila Berta. Então quando jogavam fora eram goleados (os jogos mudavam aos cinco e acabavam aos dez). Na VB levavam 10-6/10-7 dos "Pereiras". Quando vinham ao nosso campo (20 metros mais à frente ou atrás) levavam 10-2/10-3. Era um fartote. Como eu gostava de jogar pelos "Pereiras" frente aos "Bertas" mesmo na VB. Sempre gostei da VB. Acho que esses jogos tiveram muita influência;

    2. Há um ano ou ano e meio fiquei a detestar a Vila Berta. Desde que a minha mãe enviuvou vou (cacofonia portuguesa) duas vezes por semana jantar com ela. Pois durante um mês (um mês para fazer 30 minutos de filme) não tinha lugar para estacionar na travessa da Pereira. Mais de 15 metros de rua ou travessa /com estacionamento lateral dos dois lados, ou seja 30 metros) ficaram inutilizados com fitas da polícia para carros de exteriores, maquilhagens e tretas. Uma fauna do pior. Fiquei a detestar a VB. Tinha de estacionar na quinta do Ferro a mais de 100 metros.Nesses dias recordava-me dos "Pereiras" frente aos "Bertas". Com tanto carro iam levar tantas boladas naquelas fuças!

    Alberto Miguéns

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  2. Esqueci-me de escrever que se os "Bertas" jogavam pouco já as miúdas da Vila Berta eram umas flausinas do melhor. Muito melhores que as "Pereiras". As "Bertas" compensavam a mediocridade dos machos. Posso até escrever que havia uma "especial" que era boa a Berta. Passados 40 anos deve estar gorda que nem uma lontra. Como eu!

    AM

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    1. Gostei de ler sobre as estórias colaterais ao filme e que influenciaram a sua mocidade.

      Quando vir o filme diga-me com que opinião ficou e se concorda com a minha.

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    2. Vai levar um bom tempinho...

      Já não lia "mocidade" desde o tempo da Outra Senhora... Mocidade Portuguesa!

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