Friday, February 27, 2015

Uma boa medida que se torna demagógica

O princípio está logo mal! Ser necessário criar mecanismos de motivação para que as pessoas não prevariquem já não é muito positivo, mas eu até entendo tendo em conta que nos tratamos de um povo latino, com todos as virtudes e defeitos que daí acarretam, e só assim, olhando para o nosso umbigo, e percebendo que podemos ganhar algo é que fazemos o correcto. 

Foi assim com as facturas e será assim, ao que tudo indica, com o tabaco. Se em relação às facturas eu concordo com a medida, em relação ao tabaco e em "premiar" quem deixa de fumar parece-me demagogia num momento em que o país apresenta problemas mais complicados e prementes de resolver. 
 

Voltando atrás, às facturas, o resultado está à vista. A recuperação fiscal apresenta números que nunca apresentara, o equilíbrio das contas é hoje mais real do que ontem e todos (população, país, infra-estruturas...) saímos a ganhar. Os Audis são um mal necessário e não me causam qualquer celeuma. 


Agora, dar uma compensação financeira a quem deixa de fumar só porque o Estado está preocupado com com a saúde pública, não me parece nada bem. Assim, canalizem o dinheiro para melhorar as condições no SNS, nos hospitais, clínicas; contratem mais médicos e enfermeiros e, talvez, menos estagiários (e eu até tenho boa impressão do ministro Paulo Macedo...) e a "coisa" possivelmente vai-se endireitando.  

Uma interrogação: como vamos chegar à conclusão de quem deixou ou não de fumar?  

Outra: se eu fumar um maço hoje e nunca mais fumar, conta? 

Friday, February 6, 2015

O "lobby" da farmacêutica ou a falta de comunicação do Governo ou ambas?

No caso do medicamento para a Hepatite C quem está mal neste jogo? Na minha opinião, ambos!

O Governo tem estado mal, pois, tal como é sina nesta legislatura, não sabe comunicar com os portugueses. Poderia (ou até deveria) optar por um discurso de "vitimização" face à chantagem da farmacêutica mas, por opção ou porque não quer, seguiu por um discurso áspero para com a sociedade e saiu a perder (ou tem saído até ao momento); a farmacêutica aproveitou o momento frágil do Governo e dos doentes nesta problemática e "jogou" com os preços do medicamento percebendo, desde logo, que teria muito a ganhar financeiramente com o caso. Prática sem escrúpulos.


O Governo, nas pessoas de Pedro Passos Coelho e Paulo Macedo (ministro da saúde), ficou entre a espada e a parede e com culpa própria. Passar para os portugueses a mensagem de que uma determinada farmacêutica estaria a chantagear o Governo português fazendo um aproveitamento financeiro de uma doença seria uma bomba nesta empresa e causaria, por certo, revolta nos portugueses e até, pasme-se!, eventual solidariedade para com o Governo. Ao dizer que se deve fazer tudo o que estiver ao alcance para ajudar a saúde dos portugueses, mas não "custe o que custar" depois de ter dito, aquando da entrada da Troika, que teríamos de pagar a dívida "custe o que custar", Pedro Passos Coelho pôs-se ajeito (expressão tão em voga desde o Charlie Hebdo) para ter o povo contra si.

Porém, não deixa de ser verdade que o Orçamento de Estado está financeiramente estipulado, que não tem recursos ilimitados e que não se pode gastar tudo e derrapar o Orçamento com uma só doença, mas convém não esquecer que para a saúde o investimento no OE é de 9 mil milhões de euros, o que não é coisa pouca. Coloco a seguinte questão: Se gastássemos tudo ou mais do que deveríamos no medicamento para curar a Hepatite C, o que seria dos outros doentes e doenças?

Outra questão: É justo gastar todos os recursos num só medicamento e ficarmos sem recursos para os demais?

A problemática que hoje se vive em Portugal, com o "lobby" da farmacêutica é prática comum das mesmas aos longo dos anos - basta ver o filme "Fiel Jardineiro". Situações como esta há em todos os países e em vários hospitais do Mundo. Agora, quando nos toca a nós...

O nosso SNS é dos mais conceituados que existe. Dá respostas, tratamentos e "destila" conhecimento como poucos. Já o disse antes e repito: Não me ouvirão falar mal do SNS depois de tudo o que foi feito pelo meu pai na cura para o cancro do estômago que infelizmente o vitimou. Todavia, o SNS não tem a solução para todos os milagres e também aqui há contas correntes com limites. Os bolsos do SNS, do ministério da saúde e do Governo têm fundo e é assim que tem de ser.