O princípio está logo mal! Ser necessário criar mecanismos de motivação para que as pessoas não prevariquem já não é muito positivo, mas eu até entendo tendo em conta que nos tratamos de um povo latino, com todos as virtudes e defeitos que daí acarretam, e só assim, olhando para o nosso umbigo, e percebendo que podemos ganhar algo é que fazemos o correcto.
Foi assim com as facturas e será assim, ao que tudo indica, com o tabaco. Se em relação às facturas eu concordo com a medida, em relação ao tabaco e em "premiar" quem deixa de fumar parece-me demagogia num momento em que o país apresenta problemas mais complicados e prementes de resolver.
Voltando atrás, às facturas, o resultado está à vista. A recuperação fiscal apresenta números que nunca apresentara, o equilíbrio das contas é hoje mais real do que ontem e todos (população, país, infra-estruturas...) saímos a ganhar. Os Audis são um mal necessário e não me causam qualquer celeuma.
Agora, dar uma compensação financeira a quem deixa de fumar só porque o Estado está preocupado com com a saúde pública, não me parece nada bem. Assim, canalizem o dinheiro para melhorar as condições no SNS, nos hospitais, clínicas; contratem mais médicos e enfermeiros e, talvez, menos estagiários (e eu até tenho boa impressão do ministro Paulo Macedo...) e a "coisa" possivelmente vai-se endireitando.
Uma interrogação: como vamos chegar à conclusão de quem deixou ou não de fumar?
Outra: se eu fumar um maço hoje e nunca mais fumar, conta?

Duas notas (não pense nessas de euros, apenas letras)
ReplyDelete1. Premiar boas práticas de saúde - hábitos saudáveis - significará poupar muitos recursos financeiros nos hospitais e centros de saúde. Mais saúde, menos tratamento de doenças. Então as relacionadas com tabaco... Gostava de saber quanto custa cada mau hábito, entre modo de vida e má alimentação;
2. Se sorteassem um Audi, até um Smartezinho - em cada eleição entre os votantes, Portugal registaria taxas de abstenção de 10 por cento!
Alberto Miguéns
Concordo em parte com o ponto 1, na medida em que se mais pessoas tivessem hábitos saudáveis menos procura havia aos hospitais, logo menos despesa. Aí de acordo, mas criar mecanismos financeiros compensatórios para que as pessoas deixem de fumar não parece premente.
ReplyDeleteSe assim fosse teríamos de criar mecanismos financeiros para quem deixa de comer gorduras, comidas com menos sal, beber álcool e afins...
E por que não?
DeleteEducação para a saúde do ponto de vista da sociedade. Hábitos saudáveis, para além do interesse pessoal, têm (menos) custos para a sociedade, ou no economês, para os contribuintes.
Quanto mais pesarem os impostos nos encargos dos contribuintes para sustentar o SNS mais faz sentido dar incentivos a "montante" para reduzir custos a "jusante".
Do ponto de vista económico, há que fazer contas. Compensa ou não. até porque na perspectiva ética conta sempre. É obrigar os cidadãos a ter saúde ou mais saúde. Aliás a vacinação obrigatória começou por ter como principal objectivo reduzir custos com doentes crónicos que custavam muito dinheiro aos países europeus e EUA.
Alberto Miguéns