António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e agora candidato a Primeiro-Ministro, venceu as eleições Primárias no Partido Socialista (PS). O triunfo com 70% dos votos leva-nos a concluir que foi esmagadora e confirma aquilo que antes se vaticinava: António José Seguro mostrou ter pouco carisma, força e conhecimento do que são as lides da oposição. Pior! De ser líder do maior partido da oposição.
Antes de serem Primárias já as eram. Primárias começaram por ser as atitudes proteladas pelos Antónios ao longo da campanha eleitoral para novo secretário-geral do PS. Ataques pessoais nos debates e fora deles, pancadaria entre militantes dos dois candidatos, insultos entre os candidatos e militantes/simpatizantes não deixaram o partido limpar a imagem que vem suja desde a última legislatura com José Sócrates.
Curioso aparecer o nome de José Sócrates neste texto. Sem aparecer foi o grande vencedor da noite de domingo, 28 de Setembro. Ao abrir as portas da liderança a António Costa, o PS perdoou Sócrates, os seus erros e as pessoas que o rodearam. Mas já lá irei... Agora vêm os desafios para António Costa! O primeiro do rol será libertar-se da Câmara Municipal de Lisboa. Não deverá ser complicado, pois Helena Roseta já veio dizer que a lista quando foi criada já foi a pensar nesse acontecimento. Ou seja, tal como as Primárias, também António Costa antes de o ser já o era.
Sem Câmara Municipal, aproximam-se outros desafios a António Costa. Desde logo, mostrar as ideias que teimou em não apresentar para as Primárias. Os socialistas passaram-lhe um "cheque em branco". Não sei se os portugueses o farão; perceber quem será o seu opositor no outro lado. Se for Pedro Passos Coelho será uma coisa, se for Rui Rio, por exemplo, já será outra completamente diferente. Porém, mesmo desgastado, Pedro Passos Coelho venderá muito cara uma eventual derrota. Rui Rio, por seu lado, saiu bem da política activa, tem-se mantido (de forma inteligente) por perto, goza de boa publicidade no País, nomeadamente a Norte; responder, ainda, a questões como a carga fiscal. Em entrevistas, como candidato a líder do PS, já disse ser impossível aumentar os impostos, na Câmara Municipal, como seu presidente, pratica um dos maiores IMI´s de Portugal e já alertara precisar do dinheiro do IVA caso este seja aumentado no Orçamento de Estado. Em que é que ficamos, afinal?
Voltemos a José Sócrates. Com António Costa estavam - no palanque e não só - vários rostos do Socratismo. Homens que em tempos o apoiaram, que foram seus ministros ou secretários de Estado. Se este perdoa-me já me baralhava as ideias (como é possível o PS e, já agora, alguns portugueses, terem uma memória tão curta e esquecerem-se tão depressa do homem que nos obrigou pela terceira vez a requerermos ajuda internacional?), falar de renovação deixou-me mesmo perdido. Renovação, diz o dicionário que é um substantivo feminino, acto ou efeito de renovar, tornar novo, melhorar, substituir por coisa melhor. Ora, como é que isto é possível com os mesmos rostos e os mesmos nomes? Ferro Rodrigues, Ana Catarina Gomes (mulher de Paulo Pedroso), Mário Soares, Manuel Alegre, entre outros... é a tão apregoada renovação de António Costa ou serão apenas os mesmos rostos do passado?
No currículo, António Costa tem a passagem por um dos piores Governos de Portugal (levou à terceira ajuda internacional, todas elas aconteceram - 1977 e 1983 - com o PS a governar), uma gestão que deixa a desejar em Lisboa e tenta agora consertar o mau trabalho como Primeiro-Ministro o mal que tem feito enquanto político. É possível que o consiga, pois António Costa "vende", isto é, tem "boa imprensa". Se chegar ao papel de líder governativo que se prepare a ala mais à esquerda do PS, pois convergência será com quem mais jeito der e não necessariamente com o PCP, com o BE ou mesmo com o Livre. O Bloco Central com o PSD não está fora de ideia ou esquecem-se com quem foi feito o acordo para resolver o problema das contas na Câmara Municipal de Lisboa?
