Saturday, February 27, 2016

PSD, o partido da abstenção

Na oposição, o Partido Social Democrata tem optado por se abster em quase todas as matérias. Depois do BANIF, o PSD volta a tomar a mesma decisão em relação ao Orçamento de Estado, seja na generalidade, seja na especialidade. 

Esta opção está longe de se configurar como a melhor no que concerne à estratégia política. Percebe-se a razão para tal papel; ainda está fresca na memória a "facada" política dada pela esquerda ao PSD. 

Porém, demonstrar algum mau perder com estas abstenções consecutivas só desgasta Passos Coelho. É verdade que na especialidade o PS vai precisar do PSD para fazer passar matérias que não convencirão o Bloco Esquerda e o Partido Comunista Português, mas utilizar essa dependência para "tirar o tapete" a António Costa parece-me má jogada. 

O "casamento" da geringonça ainda está num mar de rosas e Passos Coelho só precisaria de esperar pelo momento certo para atacar, pois motivos de fricção entre PS, BE e PCP não vão faltar. Assim só se desgasta a ele, ao partido e demonstra pouca responsabilidade política. 

Thursday, February 18, 2016

Porquê a eutanásia?


de repente a eutanásia surge como tema em discussão em Portugal. 

Sem que estivesse em agenda política, ultrapassando pela direita outros temas prementes, mormente o Orçamento de Estado que agora parece de su-menos.

Na verdade não compreendo esta atitude sôfrega sobre a necessidade imediata de se discutir a eutanásia, e logo com referendo.

Estamos a falar de um tema que remete para a consciência e valores de cada um, ou seja, é fundamental que o mesmo não seja atirado com esta ligeireza para a discussão pública; é necessário criar condições com maior substância para que o tema seja devidamente discutido. Assim, até se tomar uma decisão ou partir para um referendo, há um caminho fulcral a fazer. 

Eu, por exemplo, não tenho uma opinião formada sobre a eutanásia e não quero ser obrigado a fazê-lo com "deadline" diante de um papel com uma questão e duas opções de resposta.


Já agora. Porquê a eutanásia agora quando não se conhece um único caso em que o doente terminal tenha solicitado a mesma como solução última? 

Aliás, termino recordando que só há um caso conhecido na Europa desde sempre, o que permite tirar conclusões sobre a prioridade desta temática.  

Wednesday, February 17, 2016

Mulheres no poder

O que se passa actualmente no Bloco de Esquerda é uma lufada de ar fresco na política portuguesa.

Desde Maria de Lurdes Pintassilgo que não se via uma mulher com tanto protagonismo em Portugal. O Bloco Esquerda teve o mérito de colocar logo três nos píncaros.


Antes de exaltar a presença da força feminina na política portuguesa, convém contextualizar o curto caminho do partido de esquerda. Formado em 1999, o BE surge com elevada pujança nas Eleições Europeias desse mesmo ano. Na altura, Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas eram as figuras do partido.

Nos anos seguintes, o BE continuou a ombrear nas Eleições com o PCP, roubava eleitorado ao PS dividindo a esquerda. Nada disso, todavia, impediu a primeira maioria absoluta do PS através de José Sócrates.

Anos mais tarde, após a sua fundação, o partido passou por um certo marasmo, perdeu eleitorado mais jovem – a sua grande força – viu o PCP distanciar-se, viu Francisco Louçã abandonar, criou a inédita liderança bicéfala. O BE parecia perdido.

Catarina Martins era a mulher da liderança bicéfala (juntamente com João Semedo). Pouco a pouco aproximou-se das pessoas, criou empatia fruto do seu carisma e, por vezes, do discurso inflamado e fez “nascer” outros nomes no feminino que germinaram no partido: Mariana Mortágua e Marisa Matias.

A última era, por ora, deputada no Parlamento Europeu; Mariana Mortágua notabilizara-se na Comissão de Inquérito ao BES.

As três, juntas, cresceram e com elas o Bloco Esquerda começou a ser olhado de outra forma. Os resultados estão à vista: melhor registo de sempre numas Eleições Legislativas e numas Presidenciais, e o BE acabou por ter um papel providencial na viabilização do actual Governo PS.


Independentemente da forma como foi feito o acordo – o qual não concordo e já o disse – as três mulheres fortes do Bloco Esquerda criam urticária no PCP e mudaram a forma como a política portuguesa vê a presença do género no Parlamento.