O frente a frente está lançado e com ele a polémica. O
Governo da Coligação (PSD-PP) celebrou durante o mandato uma série de contratos
de associação com alguns colégios e escolas privadas que serviriam de solução
para alunos localizados em zonas cuja escola pública era inexistente ou cuja
existência não seria financeiramente interessante para o Estado português.
O actual Governo do PS não os vê com bons olhos e está a
pô-los em causa e pôr os cabelos em pé aos pais das crianças que usufruem desta
solução e que concordam com ela desde o primeiro minuto.
Convém, então, recordar que os contratos de associação foram
feitos com entidades – maioritariamente – sem fins lucrativos e cujas condições
são bastante vantajosas para o Estado, pois permitiu (está provado) poupanças
na ordem de vários milhões; para os alunos pois esta solução permitiu oferecer
educação de qualidade em zonas do país em que o Estado não o conseguiria fazer
sozinho, pois teria de amontoar alunos em salas.
Remetendo para o particular, dou o meu caso como exemplo… Estudei
em ensino privado e numa escola pública. Aprendi muito no privado, naquele
tempo a escola estava melhor organizada, a educação estava melhor estruturada,
saíamos melhor preparados para o nível seguinte. Todavia, na escola estatal
bati de frente com a vida real e cresci como pessoa. Na escola do Estado dás-te
– obrigatoriamente – com ricos, pobres, classe média, com alunos provenientes
de uma estrutura familiar estável, instável, assim-assim. Numa altura em que
iniciava definição dos meus valores morais e a minha personalidade, a escola
pública foi muito importante.
Ao fim e ao cabo, o fim é o mesmo: proporcionar a melhor
educação ao nosso futuro. Se todos ficam a ganhar por ser no privado em
circunstâncias muito concretas, que seja. Não me choca desde que haja SEMPRE a
opção estatal nesta temática.

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