É verdade que já passaram alguns dias sobre o falecimento de Eusébio da Silva Ferreira, mas quando se fala de alguém que é eterno - pelo menos para os benfiquistas e para (alguns) portugueses - o tempo é somente uma questão temporal de somenos importância.
No momento em que escrevo distam quatro dias da data em que Eusébio celebraria, se ainda estivesse entre nós, 72 anos. Tenho 33 anos e, como tal, de Eusébio e do "seu" Benfica não recordo os golos, as arrancadas, as fintas em velocidade, os festejos, os... choros. Vi algumas dessas imagens na televisão. Já as tinha visto há uns anos quando, ainda na escola secundária, fiz um trabalho sobre ele e a importância que teve na construção do Benfica dos anos 60 numa máquina de Futebol ofensivo, e vi muitas mais agora, neste momento de dor.
Porém, há um momento que não esqueço. Um dia, no Estádio da Luz, entrei no elevador e enquanto esperava que as portas do mesmo se fechassem, eis que entra uma pessoa que me deixou enregelado. Essa pessoa era Eusébio da Silva Ferreira! Naquele momento de breves segundos (mas que pareceram minutos, horas...) ocorreram-me dizer mil e uma coisas que seriam, por certo, mil e uma barbaridades, mas fiquei parado, paralisado e apenas disse boa tarde, cumprimento ao qual, amavelmente, recebi retorno.
Aquela "viagem" fica marcada como um dos momentos da minha vida, o momento em que pude dividir o espaço físico com um monstro do Futebol Mundial. Naquela "viagem" senti-me tão pequeno perante tal figura, que era um misto de imponência e de simplicidade, e nada disse para além do supra-citado "boa tarde". Eu, que até me considero uma pessoa extrovertida, fiquei estarrecido perante tal presença e não tive coragem de dizer as mil e uma barbaridades que me passaram pela cabeça naqueles breves segundos que tanto marcaram a minha existência e, certamente, vão continuar a marcar.
Por muito insignificante que possa parecer, aquele é o meu momento com Eusébio da Silva Ferreira. Permitam-me ser egoista, mas este momento é o "meu" momento, é o "nosso" momento, mesmo que para o "Pantera Negra" nada tenha significado.
Eusébio é de todos os benfiquistas, de todos os portugueses, do Mundo! Mas este "nosso" momento é algo que vou guardar para sempre como... meu!

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