Saturday, December 7, 2013

Valor do Natal? Consumismo!

Propositadamente, sabendo eu, de antemão, que iria almoçar a um Centro Comercial, atrasei algumas tarefas do meu trabalho. Num dia normal do ano teria sido uma boa ideia, nesta altura, é catastrófico!

Ao entrar com o carro no parque de estacionamento, e depois de tirar o bilhete que permitiu abrir a cancela, deparei-me com o primeiro choque que foi, nada mais, nada menos do que o aquecimento para que me esperava doravante. O parque de estacionamento completamente cheio não augurava nada de bom…

Ao subir para a superfície comercial, o primeiro contacto com pessoas confirmava o que já esperava: muitas mais pessoas do que o habitual e fazer o caminho até ao meu destino seria uma luta. Razão: Compras de Natal!

Nas escadas rolantes o antagonismo daquilo que já verifiquei noutros países europeus. Nesses, todas as pessoas, ordenadamente, colocam-se à direita para que a esquerda seja de passagem, mas em Portugal, as “faixas” da direita e da esquerda têm o mesmo significado e a mim só restou esperar chegar ao topo.

Seguiram-se os corredores que cheios de pessoas, carrinhos de bebés, sacos com compras ou, somente, pessoas a olharem para montras em busca do “tesouro” próprio desta época festiva obrigaram-me a ziguezaguear para chegar onde pretendia, isto, é zona de refeições para, finalmente, almoçar.

Nesta zona o pânico apoderou-se de mim ao constatar algo que já desconfiava: gente e gente por todo o lado, restaurantes com filas intermináveis e não havia lugares para sentar. Seria um desafio e tanto, mas na vida como no trabalho não sou de rejeitar desafios. Agarrei-os com as duas mãos, enchi-me de coragem e penetrei naquele emaranhado até à minha escolha culinária. Quando antes pensara ter tido sorte, percebi que tinha tido azar… O meu pedido foi todo trocado e o serviço acabou por não corresponder às minhas expectativas. Agora só faltava um lugar para conseguir comer…

A uma volta seguiu-se outra e um lugar à minha espera. Longe de ser o melhor, mas tendo em conta as condicionantes não poderia ser muito exigente. Finalizado tal repasto chegava, obrigatoriamente, a hora do café, a hora da absorção de algo que fará sentir vivo para o restante dia e que me fará abstrair do que rodeia naquele pequeno momento. Nada mais errado! Sem espaço para me chegar sequer ao balcão tive a sorte de ser visto por uma rapariga simpática que me serviu com a rapidez possível e lá fui até à mesa que me faria “desligar” desta realidade consumista.

Não foi assim, o ruído de fundo, uma série de conversas de café que se cruzam, se encontram, se entroncam não me deixavam espaço para a desejada abstracção. Este cenário levou-me a pensar nos valores do Natal, que deveriam ser de hoje e de sempre, mas que não são. Outrora movimentado a sentimentos de generosidade, de solidariedade, de comunhão familiar e com o próximo, o Natal é hoje – infelizmente – movimentado a um consumismo extremo, quase sem limites (a Troika ainda impõe alguns) em que, desmesuradamente se procura um presente, uma lembrança como se daí o Mundo já não desabasse.  

Estes presentes têm um significado diferente em tempos de crise económico-financeira, acredito. Enchem-nos o ego, acredito. Colocam-nos um sorriso cada vez mais escasso nos lábios, acredito. Mas será que não poderíamos aproveitar esta fase para, igualmente, elevar de novo os verdadeiros valores da época natalícia, deixando o consumismo para outras núpcias?


Nota: Sei que tenho o relógio biológico a dar horas (se é que este existe nos homens), mas não havia necessidade de haver tanta criança e carrinho de bebés no Centro Comercial. 

No comments:

Post a Comment