Saturday, March 8, 2014

Dois pesos e duas medidas

Na pretérita quinta-feira, as polícias deste País, entenda-se PSP, Polícia Marítima, ASAE, elementos da GNR e guardas prisionais, voltaram a plantar-se na escadaria da Assembleia da República para reclamarem contra os cortes salariais.

Até aqui tudo bem. É legítimo, concorde-se ou não. Estão na luta pelos seus direitos tal como muitos portugueses, de vários quadrantes sociais e profissionais têm feito nos últimos anos. A crise económica assim obriga.

A dúvida - para não lhe chamar algo mais feio - surge quando se percebe que as forças policiais têm para com os colegas um tratamento diferenciado do que sucede para com os demais portugueses. A carga policial é exageradamente assoberbada quando outras classes que não a polícia exercem o direito de manifestação, seja na escadaria da Assembleia da República, seja em qualquer outro local do País. Esta diferenciação de tratamento é que é condenável e leva a que fique tudo mal.


Com isto não digo que quero ver polícias a baterem-se mutuamente, mas quero (e acho que o posso exigir como cidadão) o mesmo tratamento digno nas demais manifestações realizadas. Convém recordar o que se passou em 14 de Novembro último em que a escadaria da Assembleia da República foi assaltada por pedras da calçada, às quais se seguiram o arremesso de várias tochas acesas e a delinquência gratuita - e reprovável, digo eu - de vários contentores do lixo junto a viaturas que poderiam ter causado danos nefastos. Este cenário obrigou a uma carga policial sem igual por parte das forças de intervenção, algo que não critico face ao estado de sítio que se verificou.

O que não posso aceitar é dois pesos e duas medidas. Uma semana depois deste "motim" social, as polícias manifestaram-se (tal como fizeram há dois dias) e subiram a escadaria do Parlamento num total desrespeito pela casa da democracia e pelos colegas que moderavam a segurança na manifestação. A postura das forças policiais, nesse dia 21 de Novembro de 2013, foi de uma tolerância atroz, que roçou uma ameba, tamanha foi a indolência que se viu nos actos praticados na protecção ao espaço da escadaria da Assembleia.

É isto que não posso e não devo tolerar. Num País que se diz democrático, a acção da Polícia deveria ter sido a 21 de Novembro, como em 14 de Novembro, exemplar na propagação da ordem pública.

2 comments:

  1. Concordo plenamente, mas então o que se pode concluir com isto ? A acção contra os civis foi legal ??? A acção contra os policias foi negligente e discriminatória ??? E o que dizer depois da demissão do comandante para dar lugar ao outro que comandava exactamente aqueles que não actuaram ... este país precisa de uma revolução, mas sem flores nem cantigas ...

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  2. Caro João,

    A carga sobre os civis foi desmensurada e, obviamente, reprovável, mas temos de perceber que os polícias estavam a ser apedrejados e sem culpa para tal.

    Não foram eles que colocaram o País neste estado calamitoso. Aliás, também eles, como nós, perderam qualidade de vida.

    A solução passa por votarmos nas urnas em movimentos cívicos, apartidários, sem vícios e com capacidade de não ceder ao lobby.

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