O antigo Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates, no
seu habitual comentário de domingo na RTP falou da austeridade e do mal que ela
provoca e tem provocado aos portugueses.
É verdade! Mas não é menos verdade que um dos grandes
causadores desta austeridade necessária não deixa de ser o mesmo José Sócrates
que ontem criticou as medidas colocadas em marcha por este Governo. Fazendo-se
aproveitar de uma capacidade de comunicação e de argumentação ímpar, José Sócrates
tentou mostrar que tudo que de mal se tem passado em Portugal nos últimos anos
não se deve à sua (in)governação com tentativas de adiar o inadiável através de
PEC´s que foram saindo em barda.
Outro aspecto abordado tem que ver com os anos de recessão
económica. Não está errado, mas aqui está apenas meia-verdade. Ficou por dizer
que as exportações aumentaram, que o desemprego está a diminuir, que há maior
investimento estrangeiro em Portugal, que o valor das poupanças dos portugueses
está em crescimento… Isto leva à conclusão que, depois da tempestade, está a
vir a bonança financeira e isso não se deve a José Sócrates e ao seu Governo,
mas sim a este Governo e, sobretudo, aos portugueses que nunca deixaram de
acreditar que, mais cedo do que tarde, viria a retoma.
A temática “consensos” deixou o antigo Primeiro-Ministro com
os cabelos em pé. Aquilo que era necessário em 2011 para o bem do País, já não
o é em 2014, curiosamente quando o Partido Socialista está na oposição e numa
altura tanto ou mais fulcral para o sucesso económico de Portugal. Os “consensos”
são sempre necessários na política e é o que se pede, pelo menos, aos partidos
do arco da governação, independentemente do papel político que desempenham. Os
interesses do País terão de ser sempre superlativos em relação aos dos partidos
e, principalmente, dos políticos.
A análise à
(des)governação de José Sócrates tem ainda de ser vista no âmbito das PPP´s.
Portugal “subscreveu” 36 e os Governos liderados pelo actual comentador da RTP
estão ligados a 20. Negócios ruinosos na sua maioria e que justificam, em
parte, a tal austeridade que hoje em dia, mais do que necessária é obrigatória.
Mas nem tudo foi mau no tempo de José Sócrates.
Investimentos na saúde, no parque escolar, a criação das Novas Oportunidade e a
criação do Simplex foram boas medidas que ainda hoje vigoram de forma positiva.

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