Monday, November 10, 2014

A crise e o recrutamento no Estado Islâmico

Outrora a Al Qaeda, o Estado Islâmico nos dias que correm espalham o terror em nome de autoridade suprema sobre todos os muçulmanos no Mundo. 

O auto-proclamado Estado Islâmico é a nova ordem que penetra nos terrenos da Síria já com o califado declarado após a proclamação da independência no início do corrente ano. Mais preocupante do que esta "Nova Ordem Muçulmana" é o recrutamento por ela conseguida, atingindo áreas anteriormente mais complicadas de entrar, como Portugal. 

A verdade é que o Estado Islâmico, como a Al Qaeda, recruta em estados e momentos sociológica e financeiramente débeis. É mais fácil recrutar nestes cenários em que são prometidas situações animadoras (mesmo que falsas) às famílias dos recrutados que não têm nada a perder, do que tentar aliciar pessoas com uma estrutura familiar sólida. Se é verdade que nos primórdios, a Al Qaeda apostava o recrutamento para a sua base em países em que o Islamismo era o dogma religioso, neste momento, num Mundo globalizado - também pelas Redes Sociais - e onde a crise financeira é transversal às fronteiras físicas e sociais, o espectro de pessoas aptas a aderir ao Estado Islâmico aumentou exponencialmente.


E é aqui que entra Portugal. Fábio, Ângela ou mesmo Sandro "Funa" - primeiro jihadista morto em nome do Estado Islâmico - são alguns dos nomes sem rosto com ligação a Portugal e que aderiram ao califado. 

Mas à crise financeira pode juntar-se uma crise de valores. Neste caso parece-me claro que haver uma crise de valores é sinequanone para aderir em militância a uma organização terrorista. 

2 comments:

  1. É um problema complexo que tem de ser devidamente estudado, tal a dimensão, consequências e alarme social que está a provocar e com tendência para aumentar com a intensificação dos bombardeamentos pelos aviões do Ocidente.

    Portugal até parece ter um pequeno grupo de Jihadistas mesmo tendo em conta a dimensão populacional. Há países ocidentais, como o Reino Unido, com milhares de terroristas islâmicos ligados à Síria. Até já podem ter regressado ao Reino Unido.

    A CMTV emitiu uma excelente reportagem "Em Nome do Terror" na qual ouviu familiares e pessoas que conheceram os jihadistas portugueses.

    O que se percebe é que são jovens, emigraram para Inglaterra e viviam com as mães que estavam separadas dos pais desde há muito. É um traço biográfico comum. Não eram de famílias pobres, excepto um caso.

    Em termos de personalidade (pelas descrições) eram ambiciosos, orgulhosos, inconformados, intolerantes e garganeiros.

    Fábio "Abdu" (22 anos) vivia em Mem Martins com a mãe e três irmãs. queria ser futebolista famoso, mas era pouco metódico. Do modesto Arsenal 72 foi para Londres onde deixou de jogar, incompatibilizou-se com familiares e radicalizou-se no Islão. Na síria casou com três mulheres, tem dois filhos e desligou-se da mãe;

    Ângela "Umm" (19 anos) vivia com a mãe e um irmão na Holanda. A mãe está separada do pai, alentejano da Ponte Sôr (tal como a mãe). Queria ser assistente social. Foi para a Síria para ser uma das três mulheres de Abdu.

    Nero (28 anos) é engenheiro especializado em petróleo. Viveu com a mãe (classe média) desde pequeno, foi educado num colégio católico em Coimbra, licenciou-se em engenharia de minas na Universidade do Porto e foi para Londres onde se radicalizou no Islão. Está casado com quatro mulheres e tem quatro filhos, um de cada;

    Sandro "Funa" (36 anos) vivia em Monte Abraão antes de ir para Londres e aderir ao islão radical. Ao que consta foi abatido na Síria.

    Parecem-me jovens que sonham mudar o mundo (e querem ter protagonismo nessa mudança). Encontram no Islão o que outrora, no Ocidente, foi o Cristianismo e o Comunismo. Não se importam de matar em nome de uma religião que também é ideologia. Mais do que serem recrutados devido à crise (que deve ser global porque uma das quatro mulheres de Nero é australiana) são ambiciosos mas pouco interessados em estudar. Têm todos pouco método e capacidade de reflexão.

    Talvez em breve se consiga que a BBC ou a CNN façam um programa com base em estudos que cruzem dados e estabeleçam um "perfil" do jihadista ocidental. Até lá resta-nos esperar que os aviões americanos consigam impedir os massacres que o Estado Islâmico comete diariamente, executando inocentes sem dó nem piedade.

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    1. Tal como o Alberto Miguéns, também eu acho que o tema merece ser estudado.

      À crise financeira junta-se a crise de valores (qual delas a pior). Hoje, o recrutamento está globalizado. Outrora em locais e situações debéis, hoje a necessidade aguça o engenho. Qualquer rede social serve para propagar uma ideologia em que se acredita não se olhando meios para a fazer prosperar.

      A problemática é ainda mais intensa quando a própria rede social serve de recrutamento de uma forma quase piramidal. É assustador.

      Particularizando, nunca antes como agora se falou tanto da ligação de Portugal (através de portugueses de Portugal ou luso-descendentes) a uma operação terrorista.

      Isto sim deverá ser estudado.

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