Thursday, November 20, 2014

Vistos Gold: boa ideia, má prática

Quando a ideia dos vistos Gold foi apresentada por Paulo Portas e outros pares houve vozes contraditórias. Para umas era uma boa forma de captar investimento directo estrangeiro, criar emprego e dinamizar a economia nacional; para outros seria mais um ponto rocambolesco num currículo pródigo em situações, no mínimo, suspeitas como é o do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. Não nos esqueçamos dos sobreiros ou dos submarinos, para citar só alguns. 

Pois bem. Uma ideia que tinha tudo para ser um sucesso e para ser um baluarte da Coligação, tornou-se uma "pedra no sapato" colocando em cheque altas patentes de entidades estatais como são o SEF, SIS ou o IRN. O director do SEF já se demitiu, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, também (apesar de, na minha opinião, ser dos menos culpados nesta trama), mas dos 11 arguidos apenas dois ficaram em prisão preventiva o que parece, aos portugueses, manifestamente pouco e que volta a deixar a justiça - e consequentemente a ministra, Paula Teixeira da Cruz - mal vista. 


Um dos detentores do visto Gold foi preso e Paulo Portas diz que só foi possível devido ao visto dado pelo Governo, mas há uma questão que deve ser colocada: Se tinha cadastro como lhe foi concedido o visto? Outras problemáticas foram aparecendo... Corrupção activa parece-me claro, aproveitamento empresarial é incontestável, bem como o lobby imobiliário. Pior ainda o facto de os detentores de vistos Gold não terem criado as tais empresas com até 10 postos de trabalho. Justifica-se dizendo que foi criado emprego indirecto. Então que as premissas do visto Gold não sejam opacas, dúbias. 

Outra questão passa pela permanência dos detentores de visto Gold em Portugal sete dias por ano ou 14 no total dos dois anos. Será que esta permanência foi devidamente salvaguardada? 

Na Europa há países com vistos Gold mais "fáceis" do que os de Portugal. É verdade, mas parece-me claro que alguém fez questão de criar, à revelia, condições facilitadoras para os emitidos em território nacional. 

Se alguém no Governo foi conivente com isto terá de se demitir; se não, terá, então, a responsabilidade de punir criminalmente quem o fez.

5 comments:

  1. Sem espinhas. Texto simples, conciso, com siso, escorreito e claro!

    Por isso resta um comentário (ou dois).

    1. Os projectos de negócios que envolvem transacções de milhões de euros têm de ter responsáveis acima de qualquer suspeita. é o caso dos Vistos Dourados. Só um cidadão impoluto - quase com o "estatuto" de presidencial - pode dirigir organismos susceptíveis de corromper e ser corrompido, tal o volume financeiro que movimentam. Paulo Portas está nos antípodas, como se sabe!;

    2. Agora - já há algum tempo - se percebe porque fez ele (e os seus capangas) o que fez enquanto director do jornal O Independente, num desígnio de adolescente tardio/jovem adulto. Decapitar alguns dos melhores cidadãos portugueses para a política, abrindo-lhe caminho na "terra queimada". Para chegar a ministro "maquinista" de um comboio de incompetência e ociosidade com secretários, subsecretários e assessores de Estado. Se não aniquilasse uma dezena dos melhores nunca chegaria a "Quase primeiro-ministro".

    Alberto Miguéns

    ReplyDelete
    Replies
    1. Alberto,

      Subscrevo por inteiro o primeiro ponto;

      Em relação ao segundo, e a ser verdade, estamos na presença de uma mente (quase) demoníaca e carente de estudo sociológico.

      Aceitam-se candidatos!!!

      Delete
    2. Marco,

      Em relação ao segundo ponto não acredito que fosse premeditado. A prever o futuro. Penso mais no sentido de afastar gente competente incómoda para depois ter o caminho mais livre. Algo desse tipo. O que não é inédito. A História da Humanidade está repleta de situações destas. Até de traições quanto mais afastar adversários...

      Alberto Miguéns

      Delete
    3. Não deixa de ser incrível que o Paulo Portas, director de "O Independente", já visse o afastamento de Cadilhe e outros como a possibilidade de vingar na política.

      À altura parecia-me um jovem que queria mudar o mundo mas sem ambicao política.

      Que ingénuo que eu sou...

      Delete
    4. Marco,

      Eu era mais velho e sabia que ele era ambicioso. Mas não o imaginava maquiavélico. A esse ponto. Mas agora tenho essa ideia. Via os úteis, corajosos e competentes como entraves. Pelo menos... maiores entraves à sua ambição.

      Quanto à ingenuidade! Quem não o é na Idade da Inocência. Quase todos. Eu também era, embora 10/15 anos mais cedo no tempo cósmico e em igual tempo etário. Os "Paulos Portas desta vida" é que deixam de o ser ainda de fraldas. Depois dá no que dá.

      Viva a ingenuidade política (chama-se idealismo) nos adolescentes.

      Alberto Miguéns

      NOTA: Venha de lá a próxima "posta". Já se faz tarde...

      Vou "publicar". Antes vou provar que não sou um robô e decifrar o número de uma qualquer portada do Mundo. Espero que seja a porta da miss...

      Delete