Hoje, dia 20 de Novembro, foi aprovada na Assembleia da República, a adopção por casais do mesmo sexo. Este é o passo natural depois da permissão dada ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, a 8 de Janeiro de 2010, na mesma AR.
Aquando da aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, tive uma discussão com uns amigos no Bairro Alto, em Lisboa, em que, para eles, a adopção seria o próximo passo.
Entre um copo e outro, não precipitando os temas, considerei que, para que isso fosse uma realidade, tal como no assunto "casamento", também aqui era necessário que a sociedade tivesse tempo para se preparar para essa realidade. Mais do que isso, na minha opinião, era necessário preparar as crianças - bastantes "cruéis" em algumas idades - para aceitarem esse cenário de forma natural.
A minha posição, mais ponderada do que a dos meus amigos - na minha óptica, mais lírica - acendeu uma discussão (saudável, diga-se) em torno do assunto. Não chegámos a nenhuma conclusão naquela noite, mas todos deixámos a porta aberta para esse passo. O "timing" era o ponto em desacordo.
Pois bem! Cerca de seis anos depois, com a ideia mais e melhor cimentada, com várias discussões e dissertações sobre o assunto, com a problemática de haver várias crianças ao abandono ou à espera de serem adoptados, a adopção por pessoas do mesmo sexo é hoje um passo natural rumo a uma sociedade (e um país) mais civilizada.
Sem presunção, julgo que a AR percebeu o "timing" certo para discutir e aprovar esta temática que, tal como previra, precisava de uns anos até ser realidade.
Já o é!... Pelo bem das crianças.

O Estado (através dos governos) não se devia ter metido em assuntos religiosos procurando substituir a Religião ou Religiões.
ReplyDeleteO "Casamento" é um acordo de âmbito religioso. Quem criou a ideia (e o efeito prático) do casamento foram as Religiões. Para os crentes. O casamento só faz sentido num plano religioso, ou seja, moral.
O Estado, através dos governos, deve ser amoral. Não tem que se meter em assuntos que envolvem moral. Mas este é o nó górdio dos Estados laicos. Usam os conceitos religiosos para controlarem as sociedades. Só que vão controlando cada vez menos.
Há medida que as sociedades vão sendo cada vez mais laicas (ateias) os valores morais vão-se diluindo. Haverá cada vez mais pessoas a fazer o que é proibido porque não há moral que as impeça de o fazer.
A sociedade ocidental foi-se desenvolvendo com base no Judaísmo ( o islamismo e o cristianismo são duas interpretações/evoluções do Antigo Testamento) A criação de Leis, a nível dos Códigos Civis, baseia-se essencialmente no modo como se vai gerindo, no tempo, os 10 mandamentos.
A punição da violação dos principais (matar, por exemplo) é uma criação religiosa para organizar uma sociedade. Os restantes também.
Toda esta panóplia de alterações aos códigos que tinham a moral como justificação não são sinal de evolução como parecem. É o declínio da civilização ocidental. Todas as civilizações que se conhecem tiveram um final trágico. Demoraram séculos a evoluir e escassos anos a sucumbir. Veja-se o que se passou no Império Romano.
Não há nada a fazer. As civilizações depois do apogeu entram em queda porque as pessoas não estão interessadas em viver sob espartilhos, mas sim em liberdade.
Querem o bem estar que significa fazer o que entendem fazê-las mais felizes. Mesmo que isso tenha custos para toda a sociedade.
O Estado (através dos governos) vai saindo de"mansinho" de tudo o que significam leis com a moral por base. Por isso é que poucas diferenças existem, para o Estado, entre casamento e união de facto, por exemplo.
De facto, o casamento devia ser religioso. Para o Estado será sempre uma união de facto.
O casamento homossexual, a adopção por casais de homossexuais faz parte dessa panóplia. Minorias que querem (e têm direito) a tudo o que as maiorias têm.Para se afirmarem.
Um dia destes vai ser a bigamia. Será o próximo passo. O Estado autorizar casamentos entre mais de duas pessoas. O Estado não tem nada a ver com isso. As religiões, sim.
Depois deste preâmbulo para que fique dito o que penso do geral, vamos ao particular que é o que interessa em função do texto que estou a comentar.
A adopção em países pobres é um problema. Eu conheço uma pessoa que dá pareceres acerca de haver ou não condições de quem quer adoptar uma criança para adoptar. Poucas pessoas (casais) reúnem os requisitos mínimos. Há alguns anos não era assim. Era fácil. Um casal que tivesse um ou dois filhos biológicos e quisesse adoptar tinha facilidade. Como é óbvio. Quem educa um filho, dois, três biológicos educa outro.
Como é que se vai entregar uma criança a um casal (homossexual ou heterossexual) que não tem filhos? Quem toma essa responsabilidade? Eu é que não queria estar na "pele" de alguém que dá o consentimento para uma criança ser adoptada e depois essa criança é vitima de maus tratos ou de abandono, em casos de divórcios ou desleixo por variados motivos!
Não acredito que os casais de homossexuais (que de certeza não têm filhos biológicos) consigam adoptar. que tenham autorização. A menos que sejam ricos e que por isso apresentem condições económicas que iludam os técnicos que dão pareceres.
Não vai demorar muito tempo a grupos de pressão (ILGA por exemplo) começar a reclamar que apesar da lei, os casais homo não conseguem adoptar! Que apesar da lei há discriminação.
ReplyDeleteDaqui a uns anos (15/20) é que vamos perceber o que são e como são as crianças adoptadas por casais homossexuais. Quando atingirem a maioridade e forem notícia! E começarem a fazer-se estudos por comparação. Muito vai haver para dizer. pela negativa ou pela positiva. Oxalá seja por esta. Porque é impossível que as crianças sejam educadas da mesma forma. Até podem ter (na globalidade) melhor educação. Igual não é de certeza. Quem é pai e mãe sabe bem que é assim. Só se sabe o que é ser filho depois de se ser pai ou mãe. É um adágio popular dos mais assertivos que conheço.
Tudo isto faz parte de um folclore mediático. Vêm aí os muçulmanos. Que percebem que não podem deixar laicizar as suas sociedades pois deixam de ter importância política e social. Têm o exemplo do cristianismo e judaísmo. Eles vão "tratar da saúde" aos ocidentais (ex-cristianismo e judaísmo). Quando a al qaeda parecia neutralizada, apareceu o isis. Quando este parecer neutralizado aparecerá outro. Os países muçulmanos mais ricos vão promover sempre nas suas franjas estas organizações que vão recrudesceder na pressão à segurança no Ocidente, para aliviar a pressão dentro desses estados. Há muito que as Arábias Sauditas perceberam isso. O futuro do islamismo está na ocupação do Ocidente. O Islão sempre foi Imperialista. Recuou devido à melhor tecnologia militar da Europa. Sempre viveram na esperança de fazer do mundo ocidental um espaço islâmico. Já perceberam que é uma questão de tempo. A civilização ocidental necessita de muito dinheiro para sustentar o seu bem-estar que a torna demograficamente vulnerável.
Casamentos, divórcios, adopções, taxas e taxinhas para sustentar este modo de vida. Os orçamentos da segurança no ocidente vão estoirar as contas. A sociedade ocidental não vai conseguir gerar riqueza.
Isto anda tudo ligado.
Alberto Miguéns