Após cinco horas de reunião parece ter terminado o imbróglio em que estava à venda da PT. 98% dos accionistas aceitaram o negócio com o grupo francês. Esta é a notícia, de forma factual e objectiva.
Mas o tema vai muito para além disso. Em primeira instância congratular o facto de a Portugal Telecom se livrar de grande parte dos accionistas que ajudaram a arruinar uma empresa-modelo, e muito mais do que isso, uma empresa-baluarte da sociedade lusa; em segundo lugar - mas ligado ao primeiro ponto - conseguiu livrar-se do BES, accionista que teve a capacidade de destruir dois grupos fundamentais para o tecido empresarial, para a estratégia e para a finança de um país como eram os grupos PT e GES. É obra!
O negócio com a Altice foi o possível, não o mais desejado por todos os accionistas, mas agora começa uma nova vida, sem que se possa desligar do passado. Novo dono, velhos problemas. Experientes na aquisição de empresas, os franceses nunca adquiriram tamanho monstro, mas há práticas que me deixam esperançado. A Altice é conhecida por ser muito agressiva no mercado em que se insere, rigorosa nas contas e tem um "fetiche" pela gestão eficaz. Todos estes me parecem bons tópicos, mas em quanto tempo quererá o novo dono da PT concretizá-los?
Se o "timing" for curto, a redução de pessoal é o caminho mais fácil - e doloroso - a seguir (isto partindo do pressuposto que a PT não vai ser desmantelada em peças); se houver tempo para trabalhar tudo pode ser negociado: saídas para a pré-reforma, saída de excedentários, redução de custos da infra-estrutura (rendas, subcontratações, regalias sociais). No momento em que entra numa PT à deriva, com a cotação em bolsa no registo mais baixo de sempre, a Altice tem de pensar em todos os cenários, mas não pode esquecer a imagem do grupo para os portugueses e para Portugal.
Não olvidando esta importância histórica, a Altice quererá ver a PT a continuar a entrar na maioria das casas dos portugueses com TV, Internet e telefone.

Concordo. Quem fala assim não é gago como diz o povo. Eu acrescento. Quem escreve assim não precisa de lápis e borracha. É assertivo.
ReplyDeleteUma nota composta para justificar. São quando se fazem estes negócios - o senhor que se segue é a TAP - que percebemos a dimensão minúscula do valor da economia portuguesa. Ao contrário daquilo que nos impingem ou querem impingir, Portugal não é um país pequeno. Tem é uma economia pequena, minúscula, quase insignificante.
População: Em 2012 - 10 542 398 (11.º) 10 mais populosos e 17 com menos habitantes;
Superfície: 92 212 km2 (13.º) 12 maiores e 15 de menor dimensão;
PIB per capia: Em 2013 - 20 100,3 (18.º) 17 melhores e 10 com menor valor;
Índice de Desenvolvimento (IDH): Em 2013 - 0,822 (23.º) 22 superiores e 5 inferiores
Esses números são interessantes e corroboram a minha opinião há muitos anos a esta parte.
ReplyDeletePortugal é um País com um potencial imenso a vários níveis, o problema está nos altos quadros. Há uns anos éramos um País da UE com mais chefes/empresários não-licenciados, o que é um indicador tão interessante, como preocupante.
Em antítese vê-se a quantidade de portugueses bem sucedidos no estrangeiro e o quão bem estão cotados os trabalhadores portugueses lá fora (e não me refiro ao Ronaldo nem ao Mourinho).
Possivelmente, tem de haver uma mudança de mentalidades para todos (sem excepção) sermos melhores. Se formos melhores teremos um País melhor!