Tuesday, March 21, 2017

Aquarius

Estou cada vez mais rendido ao cinema brasileiro. O filme Aquarius é só mais um (bom) exemplo do belo trabalho cinematográfico que se faz no “país-irmão”, ao contrário da carne bovina.

Depois de Cidade de Deus, Carandirú, Tropa de Elite 1 e 2, e Autocarro 174, fui ver Aquarius, película que tem dado azo a grande polémica no Brasil e que conta com a interpretação de Sónia Braga. Só por isso já valeria a pena deslocar-me à sala de cinema, mas acabei por fazê-lo por sugestão. Ainda bem!

O argumento é simples, mas isso não é sinónimo de falta de qualidade. Antes pelo contrário! Fazer do simples, bom é um talento ao alcance de poucos, e isso mostrou ter Kléber Mendonça Filho, argumentista e realizador. Dividido por capítulos – à la Tarantino –, Aquarius dá-nos a conhecer a luta de uma proprietária de um apartamento no edifício que dá título ao filme contra a ganância de uma construtora.


Sónia Braga é Clara, uma jornalista e escritora reformada, e viúva, que se recusa a deixar o seu apartamento de sempre, cheio de recordações, com vista previligiada para o mar, com muita história e música de elevado gabarito. Aquarius mostra-nos a dicotomia existente entre alguém vertical, com princípios e valores de que nunca abdicará contra o lobby da construção civil, que não olha a meios para atingir os seus fins.

Ao longo da trama vemos o frente-a-frente que vai crescendo de tom, obrigando a protagonista a aguentar numa notável atitude de “antes quebrar do que torcer”.

Agastada, ainda nova, com um cancro na mama, Kléber Mendonça Filho “obriga” o assunto a tocar todos os capítulos com uma subtileza genial, não o tornando o foco da narrativa, mas permitindo que o mesmo não passe despercebido.

Grande interpretação de Sónia Braga, justificando, uma vez mais, o porquê de ser uma actriz consagrada; feliz escolha de um tema que, infelizmente, é tão actual em Pernambuco, com em… Lisboa.  



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