Depois de Cidade de Deus, Carandirú, Tropa de Elite 1 e 2, e
Autocarro 174, fui ver Aquarius, película que tem dado azo a grande polémica no
Brasil e que conta com a interpretação de Sónia Braga. Só por isso já valeria
a pena deslocar-me à sala de cinema, mas acabei por fazê-lo por sugestão. Ainda
bem!
O argumento é simples, mas isso não é sinónimo de falta de
qualidade. Antes pelo contrário! Fazer do simples, bom é um talento ao alcance de poucos, e isso mostrou
ter Kléber Mendonça Filho, argumentista e realizador. Dividido por capítulos –
à la Tarantino –, Aquarius dá-nos a conhecer a luta de uma proprietária de um
apartamento no edifício que dá título ao filme contra a ganância de uma
construtora.
Sónia Braga é Clara, uma jornalista e escritora reformada, e
viúva, que se recusa a deixar o seu apartamento de sempre, cheio de recordações, com vista previligiada para o mar, com muita história e música de elevado gabarito. Aquarius mostra-nos a
dicotomia existente entre alguém vertical, com princípios e valores de que
nunca abdicará contra o lobby da construção civil, que não olha a meios para
atingir os seus fins.
Ao longo da trama vemos o frente-a-frente que vai crescendo
de tom, obrigando a protagonista a aguentar numa notável atitude de “antes quebrar
do que torcer”.
Agastada, ainda nova, com um cancro na mama, Kléber Mendonça
Filho “obriga” o assunto a tocar todos os capítulos com uma subtileza genial,
não o tornando o foco da narrativa, mas permitindo que o mesmo não passe despercebido.
Grande interpretação de Sónia Braga, justificando, uma vez
mais, o porquê de ser uma actriz consagrada; feliz escolha de um tema que,
infelizmente, é tão actual em Pernambuco, com em… Lisboa.

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