Há uns dias, a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista decidiu ameaçar os Órgãos de Comunicação Social, na pessoa do "Público", sobre uma decisão que data de 2008 e que, basicamente, proíbe os estagiários de assinarem as peças.
Não defendendo ninguém, mas dando a minha opinião - desde logo inclina o campo para um dos lados - devo dizer que compreendo a CCPJ como defensora do trabalho do jornalista, que recebe remuneração, que tem (ou deveria ter) a Carteira Profissional para exercer a função, mas não concordo quando o mesmo órgão coloca em causa a capacidade dos estagiários acederem às fontes de informação, ou mesmo de elaborarem a pesquisa para formulação de uma notícia.
Julgo que o caso não deverá seguir por este caminho, mas também não se deve banalizar a profissão de Jornalista, cada vez mais desrespeitada. Porém, o caso passa pelo uso e abuso dos estágios não-remunerados, os quais vários Órgãos de Comunicação Social fazem destes o "modus-operandi". Fazer algo sem receber algo em troca não é trabalho e/ou emprego, mas sim um "hobby" e, aí sim, esgota-se a capacidade de um estagiário assinar os textos que produz. O ponto de partida é terminar com os estágios não-remunerados terminando uma espiral de aproveitamento laboral que, qualquer dia, parece irreversível.
Pagar os custos de deslocação e de refeição é o mínimo exigível a pagar a um estagiário que fará, à priori, uma série infundada de horas de trabalho. Mas a questão não se esgota nos valores monetários. A forma como é estruturado o estágio deverá, obrigatoriamente, ir a debate. Os docentes, na carta enviada à CCPJ, referem que os estagiários são devidamente acompanhados. Mas serão mesmo?
Na minha óptica, a "generalidade dos Órgãos de Comunicação Social" não fazem o devido acompanhamento aos estagiários; não os "formam" e preparam para o mercado de trabalho, não os "ensinam", ou os lançam para uma profissão que um dia consideraram de sonho. Tirar cafés e fotocópias é uma realidade que ultrapassa em muitos os filmes de Hollywood.
Os estágios são necessários como passagem para uma realidade que é dura, mas serem um mal necessário já é algo não desejável. Compete às entidades (CCPJ e Órgãos de Comunicação Social) chegarem a uma plataforma de entendimento para que a profissão não morra.

Querido
ReplyDeleteO que é que andas a fazer acordado às cinco da matina!?
Querido? Está a dar uma de Proença?
DeleteNão escrevi a essa hora. O blog é que assume essa hora.
E desde quando é que se deixa um blogue assumir-se...
DeleteUm dia destes...