Friday, July 25, 2014

A coragem de dizer "Não!"

A crise instalada no GES é a prova (se necessária) da falência do sistema bancário português (mesmo que BPN e BPP não fossem sistémicos), alarme que suou com o BCP.  

A queda de Ricardo Salgado e, consequentemente do grupo Espírito Santo, faz-me ter a esperança numa mudança no paradigma empresarial português, alicerçada na queda - vamos ver quem se segue - do lobby que domina desde a revolução da Abril os destinos do país.  

Família como a Espírito Santo e outras foram completas "Rothschild à portuguesa", bem como várias grandes empresas monopolistas que, ligadas ao poder político, foram decidindo legislatura após legislatura diferente daquilo que o povo tinha decidido nas urnas.
 

Anos, décadas a fio até uma crise económica de escala mundial colocar a nu a forma negligente como Ricardo Salgado e outros que tais geriram os bancos pelos quais davam a cara. No caso do BES (banco sistémico) a situação poderia ser mais triquilitante não fosse a acção do Banco de Portugal que, em boa hora, fora separando a "carne do isso", ou seja, o BES do GES; e o redondo "Não!" de Pedro Passos Coelho a Ricardo Salgado.  

"Não fez mais do que a sua obrigação", "Finalmente faz algo pelos portugueses". Tudo argumentos válidos mas que têm um valor absolutamente incomensurável se pensarmos que, durante anos e décadas, nenhum político o fez e que outros, como José Sócrates, ainda fizeram pior ao "fechar os olhos" em troca de "ajudas" políticas.  

Ricardo Salgado (não gosto da nomenclatura "dono disto tudo") caiu em desgraça, perdeu, tão rápido como perde o poder no banco, amigos e aliados. 

Estas quedas fazem-me ter uma réstia de esperança na queda de outros como o sector energético ou o das telecomunicações. Talvez assim seja retomada a confiança de uma população num país, numa economia e sector empresarial mais justo e equilibrado.  

Veremos...

2 comments:

  1. Ui, ui

    O GES não é o BES. O GES aproveitou o BES mas o GES não é um banco. É um grupo de empresas (agora falidas) gerido pelo DDT (gosto do nome, porque é cognome, e geralmente estes dizem mais acerca da personalidade que o outro de um baptismo ainda em bebé que ninguém sabe o que vai sair dali quando for grande).

    Desta estorieta vai sair tanto "futuro" como das outras que também não deram em nada. O que mostra é que tudo continua igual, sendo Portugal.

    O Poder é muito forte com os fracos e fraco com os fortes.

    Fraco com os fortes:
    Governo da República

    Em 2012 permitiu que o DDT regularizasse uma vigarice (capital evadido) de 8,5 milhões (dizia ele), 14 milhões diziam a seguir e agora 17 milhões a troco de um imposto de 7,5 % nem necessitando de repatriar o capital que estava na Suíça;

    Em 2013 permitiu que o BES não recorresse à recapitalização, tal como os outros bancos, sabendo que o fazia por haver "rabos de palha" que não podiam ser revelados.

    PGR
    Em Janeiro de 2013 o DDT foi ouvido como testemunha e foi ilibado "não estando envolvido em qualquer ilícito fiscal".

    Forte com os fracos:

    Além de qualquer pessoa perceber que, por ser pobre e não ter poder, fazem dela "gato sapato" e um "pau mandado". Acontece isso diariamente nos empregos ou quanto alguém tem questões com organismos do Poder central ou local. Agora DDT tornou-se fraco. Por isso é atacado até pelos "amigos" (ao que consta foi uma denúncia de um colaborador que desencadeou tudo isto).

    O que espero é que atrás do DDT haja efeito de dominó nos outros DDTezinhos e que ele diga onde e quando lavou dinheiro e capitais, como no Caso Portucale a maior vergonha que um governo fez - e foi o BES a suportar - em Portugal, desde que me lembro (1973 ou 1974).

    «A Corja também tem c.. (rabo) mas safa-se sempre», como dizia Camilo Castelo Branco!

    Foge cão que te fazem barão. Para onde se me fazem visconde

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    1. Sei que o GES não é o BES mas temos de ver isto de forma indissociada, pois a crise surge num por causa do outro.

      Concordo consigo. A Justiça é forte com os fracos e fraca com os fortes, mas permita-me ter esperança com a queda de três banqueiros como o que sucedeu nos últimos anos.

      Se assim não for, o que é que nos move?

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